Ela chegou a ser comparada a Audrey Hepburn, mas sucumbiu à depressão

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Quando estreou nas telas ao lado de David Niven e William Wolden, Maggie McNamara chegou a ser comparada a Audrey Hepburn. Mas o que aconteceu à atriz que acabou se suicidando na década seguinte?

Marguerite McNamara nasceu em 18 de junho de 1928 em Nova York. Sua infância foi solitária, apesar de ter duas irmãs e um irmão. Vivendo em Manhattan, divertia-se patinando nas calçadas de sua rua e não tinha grandes sonhos. Mas gostava muito de ler, frequentando assiduamente as bibliotecas locais.

Sua carreira começou quando uma amiga do curso de desenho tirou algumas fotos suas. Munida de toda coragem possível, Maggie e a mãe se dirigiram a agência de modelos de John Robert Powers. Ao vê-la ele não teve dúvidas de que estava diante de uma boa promessa. A garota acabou assinando com a agência e a aparecer na capa das principais revistas da época. Essas são só algumas:

A carreira de modelo foi bem sucedida, e Maggie apareceu em várias capas famosas de revistas. Embora o sucesso começasse a bater em sua porta, ela continuava extremamente tímida e precisava esquecer-se de que havia uma câmera em sua frente para conseguir fotografar. Nesse período ela foi procurada pelo produtor David O. Selzinick, mas não se sentia preparada para entrar para o cinema.

Antes, preferiu estudar um pouco mais atuação e dança. Maggie tinha um porte físico mignon e tinha 41 kgs distribuídos em 1:55 de altura. A atriz costumava dizer que esquecia-se de comer, não suportava leite ou coisas que engordavam. Sua dieta básica consistia em bifes e saladas comidas em pequenas porções, conforme entrevista concedida à Revista Cinelândia em 1955.

Finalmente em 1951, a garota começou a carreira de atriz nos palcos, com The Moon Is Blue. A peça já era um sucesso de público, e trazia uma comédia sobre uma garota ingênua que vai para o apartamento de um jovem solteiro acreditando que ele iria respeita-la. A peça era um grande sucesso e Maggie foi chamada por Otto Preminger para fazer a mesma personagem nas telas.

Com William Holden em The Moon Is Blue (1953)

Na década de 50 o código Hays ainda estava no auge e forçava muitos autores a mudarem seus roteiros. Otto teve dificuldades com o texto que incluía palavras que os puritanos não aprovavam como “virgem”, “sedutor” e tocava em assuntos como uma solteira adolescente com um diálogo totalmente aberto. Mas o diretor era corajoso, e mesmo sem o selo de aprovação e uma classificação condenatória pela legião de decência, resolveu lançar assim mesmo.

Apesar de não ser considerado um dos melhores trabalhos dele, é uma deliciosa comédia que traz ainda William Holden,  David Niven e  Dawn Addams. E teve uma resposta positiva do público. Maggie recebeu uma indicação ao Oscar por seu papel e acabou perdendo para outra estreante: Audrey Hepburn.

Com David Niven em seu filme de estréia

Com uma indicação ao Oscar, sua carreira decolou e Maggie foi lançada em Three Coins in the Fountain (1954), uma comédia moralista sobre três garotas que dividem um apartamento em Roma e o desejo de casar urgentemente. Dirigido por Jean Negulesco, o filme não envelheceu muito bem, mas é um retrato sobre como a América tentava manter as garotas sobre controle diante da modernidade. O cinema mostrando bons exemplos era uma maneira de manter as coisas em uma aparente normalidade. E nada melhor do que isso do que três lindas garotas pensando desesperadamente em casar e ter filhos. Urgentemente.

Com Jean Peters e Dorothy McGuire em Three coins in the fountain.

Mas o filme ajudou a atriz a firmar-se entre as mais populares do ano. Ninguém de fato esperava que após estrelar Prince of Players (1955) ao lado de Richard Burton, ela sumiria. Um dos fatores que a fizeram repensar sua carreira teria sido sua recusa em mudar-se para Los Angeles (ela amava morar em Nova York), posar para as fotos publicitárias que ajudavam a vender os filmes e frequentar as festas oferecidas. Ela detestava o mundo das celebridades, mas na verdade tudo isso camuflava um problema maior: Maggie começava a apresentar publicamente sintomas da depressão. E ninguém sabia ou queria lidar com isso.

Segundo o diretor Otto Preminger, além de não se adaptar à vida de estrela, Maggie também sofreu um enorme colapso após separar-se do diretor David Swift. Os dois se casaram em 1951, viveram a maior parte do tempo longe um do outro e por volta de 1955 estariam separados de vez. David voltaria a se casar em 1957, enquanto Maggie se entregaria à doença que a acompanharia até o fim. Os jornais confirmavam o quanto a atriz parecia deslocada:

Cinelândia, 1954

Tentando se manter, Maggie ainda apareceria em 1963 como uma personagem secundária em The Cardinal (1963), do amigo Otto Preminger. Mas após mais algumas participações sem grande importância, se afastaria de vez das telas.

Há uma lacuna sobre esses 15 anos em que se manteve afastada das telas, mas sabe-se que ela sobreviveu esse período trabalhando em diversos ofícios para se manter. E estava completamente esquecida quando voltou aos noticiários em 1978. Em 18 de fevereiro desta ano, Maggie foi encontrada morta no sofá do seu apartamento. A atriz se suicidou tomando altas doses de barbitúricos. Segundo amigos, ela sofrera durante anos de depressão aguda e estava escrevendo um roteiro. Maggie tinha apenas 48 anos e vivia só.

 

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.