Eleanor Powell, a Rainha do Sapateado abandonou Hollywood no Auge do Sucesso

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Eleanor Powell começou a dançar para superar a timidez. Estreou aos 17 anos na Broadway, e pouco tempo passou a ser conhecida como a “Rainha do Sapateado”. Confira um pouco mais sobre sua história:

 

Nascida em 21 de novembro de 1912 em Massachusetts, começou a dançar ainda na infância. Em 1921, o produtor Gus Edwards a levou para a Broadway. Sua agilidade na dança rendeu-lhe o título de Rainha do sapateado. Após participar de vários musicais e revistas, partiu para sua estréia em Hollywood.

A estréia nas telas veio em A Rainha de Copas (Queen High, 1930), onde apareceu fazendo uma pequena participação. O primeiro papel creditado, porém, viria apenas cinco anos mais tarde, em Escândalos de George White de 1935 (George White’s 1935 Scandals). Ela descreveu sua participação no filme como um desastre, mas L. B. Mayer sentiu que estava diante de uma grande promessa.

Com Jimmy Stewart em Born To Dance

 

Particularmente a atriz não estava muito impressionada com Hollywood, e demorou bastante para assinar um contrato. Finalmente, em 1936 a MGM conseguiu convencê-la após muita insistência. Em Nascida para Dançar (Born to Dance, 1936), ela atuaria ao lado de Jimmy Stewart em seu único musical. Embora dançasse muito bem, Eleanor não cantava, e foi dublada por Marjorie Lane. Em geral o filme rendeu boas críticas e levou milhares de pessoas aos cinemas, rendendo à Eleanor uma grande popularidade.

Seguiram-se várias participações em musicais de sucesso como Rosalie (1937), Broadway Melody de 1938 e Honolulu (1939). Em 1940, ela chegava ao auge com Melodia da Broadway de 1940. Ela fez história ao dançar ao lado de Fred Astaire num número musical que é considerado o melhor de todos os tempos:

Na Hollywood dos anos 30 e 40, uma mulher dançarina apenas complementava o par masculino. A presença e profissionalismo de Eleanor incomodava alguns pares que estavam acostumados a brilhar mais, como Fred Astaire. A mulher, para eles, era apenas um complemento, e não uma parte da dupla. Astaire chegou a comentar que:

“Eu amo a Eleanor Powell, mas ela dança como um homem. Ela é uma dançarina notável, mas tem um estilo próprio e é um pouco grande para mim”. 

Infelizmente, esses pequenos dramas masculinos contribuíram para que a atriz começasse a pensar em abandonar a carreira. E no auge da carreira, ela passou a atuar cada vez menos.

Finalmente, em 1943, ela rompeu o contrato com a MGM. Em 1944 seria lançado seu último filme: “Sensações de 1945” seria um grande fracasso.

A atriz era descrita pelos colegas como uma mulher simples, que nunca se entregou ao “sistema de estrelas”. Bastante concentrada, chegava a ensaiar durante horas seguidas e não era chegada às festas dadas pelo estúdio. Alguns astros chegaram a corteja-la, porém sem sucesso: Clark Gable, Robert Taylor, Jimmy Stewart e Al Jolson.

Vida Posterior e Casamento

Outro fator que a fez abandonar as telas foi o romance com o ator Glenn Ford. Os dois se conheceram um pouco antes da Segunda Guerra Mundial e foram apresentados pelo ator Pat O’Brien. Segundo Peter Ford, seu pai ficou impressionado desde a primeira vez que a viu em cores, pois só a tinha visto em filmes em preto e branco.

Finalmente em 1943 eles se casaram, e quinze meses depois nascia o único filho do casal, Peter. Segundo Peter, Glenn foi o único homem da vida da mãe, e ela não se arrependeu quando deixou a dança para se dedicar à família.

Em 1950, Eleanor faria uma pequena participação em  “Dutchess of Idaho”, ao lado de sther Williams e Van Johnson. No filme ela mostrou em cores que ainda era a melhor dançarina de Hollywood:

Durante o período em que esteve casada, ela também se dedicou à pequenas obras de caridade e à igreja.  O casal chegou a visitar o Brasil. Conta-se que ele ficou muito irritado ao perceber que o povo brasileiro dava mais atenção à esposa do que a ele. O casamento começou a entrar em declínio quando Ford começou a fazer sucesso e a sair com outras mulheres. Em 1959, 16 anos após unirem os laços, a ex-atriz resolveu dar um fim ao relacionamento.

O acordo de divórcio foi baixo, e ela precisava complementar a renda. Segundo seu filho, Eleanor passou por sérias dificuldades financeiras, chegando a ter uma horta em casa para que pudessem se alimentar. Com isso, foi obrigada a retornar aos palcos de Las Vegas e na Europa. pós três anos, ela se aposentaria de vez. A atriz também se dedicou a causas humanitárias e fazia constantes visitas a hospitais infantis. Ela vendeu sua casa em Beverly Hills e se mudou para um local menor com o filho.

Eleanor em 1981, durante a homenagem do AFI (American Film Institute) para Fred Astaire.

Em 1981 ela foi diagnosticada com um câncer no ovário, falecendo em 11 de fevereiro de 1982. Pouco tempo antes ela havia sido procurada para fazer uma autobiografia. Afastada há anos, ela dizia que não teria nada de interessante a falar sobre sua vida. Não tivera casos picantes e dedicara-se muito mais à família e às obras do que à Hollywood.

Fontes: ClassicmoviefavoritesDailyitemfootnotesontapRemembering Eleanor Powell

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre a sétima arte. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.