Sweethearts: Amor entre Jeanette MacDonald e Nelson Eddy

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Observação: O texto foi realizado tendo como base as informações da biografia Sweethearts, de Sharon Rich.

Jeanette Macdonald e Nelson Eddy são lembrados pela dupla de sucesso que formaram em tantos filmes das décadas de 30 e 40. A carreira de sucesso também traz uma controvérsia com relação aos sentimentos vividos pela dupla de atores. O romance das telas teria ultrapassado elas e os dois viveram uma grande história de amor, com um final triste.

 Segundo a biografia Sweethearts: The Timeless Love Affair Onscreen and Off Between Jeanette MacDonald and Nelson Eddy, de Sharon Rich, os dois se apaixonaram pouco tempo depois que se conheceram, e o romance perduraria, com algumas pausas, até a morte da atriz em 1965. Rich chegou a entrevistar cerca de 200 pessoas que conviveram com eles, incluindo algumas celebridades, e algumas falaram abertamente sobre o romance. A escritora também teve acesso a vários escritos de Eddy e sua correspondência com sua mãe.
Nelson Eddy nasceu em 1901 em uma família desestruturada. Seu pai era alcoólatra e batia constantemente nele e na mãe. Após a separação dos pais, ele teve que abandonar os estudos para ajudar no sustento da família. Para isso o garoto mentia a idade, e aos vinte anos conseguiu encontrar mentores que financiariam seus estudos em Dresden. Desde cedo sua voz mostrava-se potente, e ele começou a viajar cantando em óperas e se apresentando em shows de rádio. Em 1933 Eddy já era considerado um dos maiores tenores americanos. Nesse mesmo ano ele conseguiu um contrato com a MGM.Jeanette MacDonald nasceu na Filadélfia, em 1903. Detestava frequentar a escolar e o melhor momento do seu dia era quando podia cantar. A dedicação fez com que ela seguisse sua irmã mais velha em apresentações na Broadway. Seus ganhos ajudavam à família nos sustentos, e com o casamento de sua irmã ela se tornou a única a ajudar em casa. A década de 20 surgiu com enorme sucesso na Broadway, algo que lhe rendeu um convite de Ernst Lubitsch para uma entrevista. Após passar em um teste, ela foi chamada para estrelar Love Parade (1929), primeiro dos quatro filmes que estrelaria ao lado de Maurice Chevalier.

Jeanette e Maurice Chevalier em Love Parade
O engenheiro de som da MGM, John Kenneth Hilliard, afirmou em uma entrevista na década de 80 que os dois na verdade se odiavam. John trabalhou com eles durante as filmagens de Naughty Marietta, e teria testemunhado várias brigas. Segundo Sharon Rich, na verdade o que John teria visto foi um momento em que eles estavam brigados. As filmagens teriam sido difíceis para Eddy, que a todo momento ameaçava deixar os estúdios. A convivência nesse período estava dificílima.
Nelson já tinha visto alguns filmes de Jeanette antes de a conhecer pessoalmente. Quando a atriz filmada A Viúva Alegre (1933) os dois foram finalmente apresentados. Poucas semanas depois se apresentaram juntos em um tributo a Marie Dressler e começaram a se encontrar. Segundo Nelson, foi nesse período que ele a pediu em casamento pela primeira vez. A atriz recusou a proposta, por achar que eles se conheciam a muito pouco tempo, e quando as filmagens de Naughty Marietta começaram, eles já eram bem próximos.
Naughty Marietta
Nelson era extremamente tímido, o que pode ser observado em algumas entrevistas públicas dele, e mesmo com toda a fama ele nunca conseguiu superar o medo do público. Seu comportamento doce e educado, no entanto, se transformavam quando contrariado e seu gênio explosivo era algo que assustava Jeanette. O ator odiava a ideia da imprensa invadir sua vida privada e uma vez foi capaz de arrancar a câmera de um paparazzo que o seguia. Já Jeanette era propensa a depressão e ótima nos negócios. Exceto naturalmente nos períodos em que a estava emocional a impediam de comparecer a algum evento.
A primeira briga veio quando a atriz negou-se a abandonar a carreira para se casar com ele. Nelson tinha uma visão antiquada sobre o casamento, achando que a mulher deveria dedicar-se tão somente ao marido. Jeanette era consciente de seu valor como profissional, e não queria abandonar uma carreira que tinha à frente. No meio de tudo isso surgiu L. B. Mayer, que tinha medo de perder a dupla de maior sucesso no momento.
Rose Marie
Quando Jeanette descobriu-se grávida em 1935, o primeiro impulso de Nelson foi fugir com ela de Reno e conseguir um casamento rápido. Porém, L. B. Mayer, chefe da MGM, exigiu que a atriz fizesse um aborto. E de fato ela fez, criando uma celeuma com seu amado, que não conseguia compreender como ela se sujeitou a isso.
Tencionando punir Nelson, Mayer solicitou que suas cenas fossem prejudicadas, mudassem sua maquiagem e reeditassem algumas cenas. O magnata já estava acosutmado a acabar carreiras quando algum ator o contrariasse e já havia feito isso com John Gilbert, Ramon Novarro e Lillian Gish. Porém com Nelson o tiro saiu pela culatra. Rose Marie acabou se tornando um sucesso maior do que o filme anterior da dupla, e Nelson o maior cantor americano do momento.
Maytime

Saindo em turnê, o cantor deu uma entrevista que deixou Mayer e Jeanette de cabelos em pé. Nela falou que não existia nenhuma atriz com quem ele gostaria de casar. A briga foi tão evidente que Clark Gable, amigo particular de Nelson, passou toda a filmagem de San Francisco esnobando Jeanette. A atriz perdeu bastante peso nesse período e começou a ser vista com Gene Raymond. Mas os dois por contrato tinham que trabalhar juntos e foi assim que Irving Thalberg insistiu nas filmagens de Maytime.

É preciso que se diga que as filmagens foram um tormento para ambos, principalmente para Nelson, que já nos primeiros dias soube que sua amada anunciou o noivado com Gene Raymond. Após tentar fazer com que a atriz mudasse de ideia, a noticia caiu como uma bomba. Além disso a produção chegou a um impasse com a morte de Thalberg. Após um mês de indecisões, um novo roteiro foi filmado.

Jeanette e Gene em visita ao Brasil
O casamento de Jeanette foi arranjado por Mayer, que achava mais seguro uni-la a Raymond, que no período começava a despontar como um ator de destaque embora tivesse uma vida dupla: o ator era gay e buscava esconder sua orientação sexual. Segundo Bob Ritchie, amigo da atriz, ela não estava muito feliz com o novo relacionamento, mas o aceitava.  Em 1937 Nelson tentou uma nova aproximação, mas em  junho a atriz acabou se casando com Gene Raymond. Por ironia, Nelson cantou na cerimônia.  Jeanette teve que pagar 1000 dólares para tirar Raymond da prisão em 1938. O ator foi preso após ser pego em um bar gay. O casamento, evidentemente, acabou ali, e Mayer fez tudo para que o ator não seguisse a carreira.
Sweethearts (1938) seria um marco na carreira de ambos. Quando o primeiro filme colorido da dupla e da MGM começou a ser rodado, Jeanette estava grávida de Nelson. Seus planos era terminar as filmagens e desaparecer para ter o filho, pedindo o divórcio na Califórnia. Os ângulos e figurinos foram criados especialmente para esconder a barriga da atriz. Mayer mais uma vez solicitou que ela fizesse um aborto, por ser inconcebível uma criança de atores casados com outras pessoas. Ela estava disposta a ter esse, mas infelizmente durante as gravações, ela sofreu um novo aborto. A imprensa noticiou que ela foi operada de um abcesso no ouvido direito.
Sweethearts (1938)
Sweethearts (1938)
Segundo Rich, desesperado, Mayer chegou a ameaçar Nelson de morte, e este chegou a sofrer um acidente quando seu carro foi jogado por um desconhecido para fora da estrada. Ele não se feriu, mas Jeanettte entendeu o recado claramente. O casal estava assustado, e Nelson aborrecido por ela ceder sempre às pressões de Mayer.
Em meio a essas idas e vindas, Nelson Eddy se envolveu com Ann Franklin. Os dois se conheceram por intermédio da mãe dele, e após uma noite de bebedeiras o ator teria aberto seu coração com Ann. Na biografia Sweethearts, de Rich, ela conta que o casamento veio após ameaças da mulher, que com base nas informações passadas por Nelson, dizia que iria se comunicar com a imprensa caso ele não se casasse com ela. Se isso realmente aconteceu não sei precisar, mas o fato é que em 19 de janeiro de 1939, Nelson e Ann se casaram e o ator comentou em tom de brincadeira que estava bêbado durante a cerimônia.
Quando soube da união, Jeanette tentou o suicídio tomando um vidro de comprimidos. Sua vida foi salva pelo seu amigo, o diretor Woody Van Dyke. Nelson e sua esposa ficaram casados durante toda a vida, mas não foi um relacionamento convencional, já que ele passava a maior parte do ano se apresentando em shows pelo país.
Nelson e Jeanette estrelaram mais alguns filmes juntos: New Moon (1940), Divino Tormento (1940) e com Casei com um Anjo (1942), começavam a se despedir da MGM. O ator decidiu não renovar o contrato com a companhia, se afastando definitivamente de Mayer.
Lua Nova (1940)
Jeanette começou a ter problemas de saúde por volta de 1940, e no final da década já tinha sofrido dois ataques cardíacos. Sua obsessão por ter um filho tornou-se mais acentuada com o passar dos anos, embora todos soubessem que ela não tinha condições físicas para levar uma gravidez adiante. Durante as duas últimas décadas de vida da atriz, os dois viveram entre idas e vindas e um devastado Nelson recebeu a notícia da morte de Jeanette em 14 de janeiro de 1965. A atriz de 61 sucumbira aos problemas cardíacos. O ator foi o último a sair da igreja e faleceu dois anos depois de sua morte, em 6 de março de 1967. Sua esposa disse aos repórteres na ocasião: agora eles devem estar cantando juntos novamente. Amigos que conheciam o casal afirmaram que mesmo afastados, eles nunca deixaram de amar um ao outro.
 
Fonte:
Sweethearts: The Timeless Love Affair Onscreen and Off Between Jeanette MacDonald and Nelson Eddy, de Sharon Rich

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