Mildred Harris, a atriz mirim que se tornou a primeira senhora Chaplin

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Mildred Harris nasceu em Wyoming em 29 de novembro de 1901. Fez sua primeira aparição no cinema aos 11 anos no filme “The post telegrapher”, de 1912. Sua personagem sequer é creditada, mas o filme de 24 minutos encontra-se inteiro no youtube:

Ela participou de outras películas, incluindo The Wonderful Wizard of Oz, uma das versões inspiradas na obra de Frank Baum. Trabalhou, assim com os maiores diretores do período, como  Cecil B.DeMille, Thomas Ince e D.W. Griffith. Aos 15 anos de idade aparecia em um dos maiores filmes do cinema até então: Intolerância, de D. W. Griffith. Ela surge em uma cena no harém, mas é impossível conseguir vê-la lá devido ao enorme número de atores e figurantes utilizados na cena.

Ela conheceu Charles Chaplin, que na época tinha 28 anos em 1917. Ela tinha apenas 14 mas isso não impediu que o romance seguisse e ela engravidasse pouco tempo depois. Segundo Mildred, em depoimento anos depois, o famoso ator casou-se com ela para depois esquecê-la por completo. Chaplin parecia mesmo ter raiva e sentir-se enganado pela atriz, quando ela era apenas uma adolescente e ele um homem feito.

Chaplin com Mildred
Uma série de confusões serviu para abalar a paz do casal, que desde o início parecia não se dar bem. Segundo Chaplin, ela fingira estar grávida para casar-se com ele. Mas Mildred mostrou-se de fato grávida. Mas entrando em um processo de depressão, aliada à drogas antidepressivas, a atriz acabou prejudicando sem querer sua gravidez. A criança, que chamaram de Mario, faleceu com três dias de vida. Ela jamais teria outro filho.
Apesar da crueldade com a qual tratou Mildred, Chaplin sofreu pela perda da criança tanto quanto a mãe. Ele entrou em um processo depressivo e passou meses com bloqueio. Até que decidiu fazer o filme The Kid, O Garoto. Uma forma de livrar-se do fantasma do filho perdido.
Com a perda do filho, não havia mais nada que unisse o casal, e eles entraram em franco declínio. Mildred tentou de todas as formas salvar o casamento, frequentou igrejas, tentou deixar o lar da maneira mais agradável possível, mas para que um casamento funcione é preciso que os dois queiram. E Chaplin não queria. No fim, o casamento foi desfeito dois anos após o início.
Louis B. Mayer aproveitou-se da fama do conhecido comediante e tentou emplacar Mildred com o sobrenome Chaplin, desencadeando uma guerra com o diretor que não aceitou de forma alguma que ela mantivesse o nome de casada. Após a separação, a atriz chegou a estrelar alguns filmes como “The Power of the Presse”, “The Courtship of O San” “The daring years” (com Clara Bow) e “Cruise of the Jasper B”.
Mas a chegada do cinema sonoro, que tantas carreiras prejudicou, acabou por também prejudicar a dela. Mildred ainda tentou fazer algumas pequenas participações mas a carreira findou-se definitivamente na década de 40.  Ela sofreu de depressão profunda, ingerindo diversas drogas e passando por várias clínicas para tratar do alcoolismo.
Ela chegou a se casar mais duas vezes, com Terrence McGovern (1924 a 1929) e Billl Fleckenstein (1934 a 1944), com quem podemos vê-la na foto abaixo.
Os dois ficariam casados até a morte dela em 20 de julho de 1944, quando ela passou semanas internada com pneumonia e passar por uma séria cirurgia abdominal.

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.