Relembrando Juanita Moore, a atriz que merecia maiores oportunidades

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Ela é mais conhecida por seu papel no melodrama Imitação da Vida (1959), onde foi indicada ao Oscar de Melhor atriz coadjuvante.

Juanita Moore nasceu em 19 de outubro de 1914 no Mississipi, em uma grande família com oito filhos. Todos se mudaram para Los Angeles, onde a pequena começou a ter aulas de dança e música. Após terminar os estudos ela começou a fazer pequenas participações em peças de teatro, iniciando tudo como uma dançarina no Harlem’s Cotton Club. Ao longo das décadas de 30 e 40 se apresentou em várias casas de espetáculos também na Europa, e começou a fazer participações não creditadas em filmes. Eram comuns papéis de criada.

Ela fez uma participação em Uma Cabana no Céu (1943), um musical dirigido por Vincente Minnelli e que trazia um elenco só de negros. Outro filme de destaque do qual participou foi O Que a Carne Herda (1949), de Elia Kazan. Este filme fala sobre
Patricia ‘Pinky’ Johnson (Jeanne Crain), uma moça que apesar de ser branca deve em tese ser tratada como uma negra, já que sua mãe é uma. Lembrando que havia naquele período o apartheid, um regime de segregação racial que ditava regras comportamentais sobre negros e brancos.

Lydia Bailey, 1952

Assim como muitas atrizes desse período, ela interpretou muitas empregadas e teve poucas oportunidades de mostrar seu talento. Seus papéis eram sempre aquém do que ela poderia fazer, sendo muitas vezes não creditada. Em Uma Viúva em Trinidad (1952), assim como em Lydia Bailey (1952).

Com Glenn Ford e Rita Hayworth em Uma Viúva em Trinidad

E foi justamente com um papel que enfatiza como a América tratava os afrodescendentes que ela foi indicada ao Oscar. Em 1959 Douglas Sirk fez uma refilmagem de Imitação da Vida (1934). Cheguei a falar sobre esse filme que trazia a doce Louise Beavers no papel que seria de Juanita. Sirk é um dos meus diretores favoritos, e ele minimizou muito o caráter discriminatório da história de duas “amigas” que se conhecem. Uma, a branca, se torna uma estrela de cinema, e a outra (negra) sua empregada doméstica.

Imitação da vida

Enquanto Lora (Lana Turner) tem sonhos imensos de se tornar famosa e ganhar muito dinheiro, Annie (Juanita) quer apenas em ter um enterro digno. Se alguém achar isso belo, ache. Eu não consigo gostar, apesar de sentir que esse filme de Sirk seja mais humano que o anterior de 1934. Esse acabou sendo o último do cineasta em Hollywood e não foi visto de uma maneira unânime. Muitos não gostaram do apelo de uma mãe querendo que a filha de pele clara se sentisse bem sendo discriminada, achando inverossímel.

Anie tentando convencer a filha de que esta é negra e não pode fazer o que quiser.

Seja como for, Imitação da Vida pelo menos serviu para que ela fosse indicada ao Oscar, assim como Susan Kohner, que faz sua filha. Mas naquele ano quem recebeu foi Shelley Winters. Normalmente as indicações fazem com que os trabalhos cheguem. Com Juanita foi o contrário. Ela fez a partir daí poucas participações, sempre coadjuvantes. Ela chegou a fazer pequenas participações em séries como A Little Black and White Lie (1970), Plantão Médico (2000) e A Juíza (2001), que acabou sendo sua última participação nas telas. Do cinema, se despediu em 2000 quando atuou em Duas Vidas como uma vovó ao lado de Bruce Willis.

 

A atriz em 2010

Juanita casou-se duas vezes. A primeira com o dançarino Nyas Berry, que morreu em 1951. Em seguida com Charles Burris, um motorista de ônibus que faleceu em 2001.

Juanita faleceu aos 99 anos em sua casa em Los Angeles, de causas naturais.

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.