Relembrando Oscarito, um dos maiores astros da Chanchada

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Oscarito veio para o Brasil ainda bebê de colo. Acompanhava seus pais, artistas circenses. Aqui se transformou em um dos nomes mais populares de nosso cinema.

 

Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Diaz. Este é o nome do garoto nascido em 16 de agosto de 1906 em Málaga, uma cidade da Andaluzia. Seus pais, o alemão Oscar e a espanhola Clotilde, trabalhavam no circo como trapezistas. Eram conhecidos como “Os Terezas”. O casal e o filho menor embarcaram para o Brasil enquanto se apresentavam no circo Spinelli.

Imitando Carmen Miranda, década de 40

Como era de se esperar, Oscar e sua irmã Lili (nascida no Brasil) aprenderiam o ofício com seus pais. Aos 16 ele aprendeu a tocar violino, e tentava se dedicar ao trapézio. Mas aos poucos, percebia que seu lugar era mesmo no picadeiro, no chão.

Aos 26 anos ele resolveu se dedicar ao teatro de revista, gênero que se tornava bastante popular na década de 30. Vários outros talentos nacionais acabaram sendo revelados lá, como a própria Carmen Miranda, Dercy Gonçalves e músicos como Doribal Caymmi e Noel Rosa. E o ator viajou pelo Brasil, Uruguai e Argentina com alguns personagens que se tornaram icônicos.

Suas caricaturas de figuras como Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra eram tão perfeitas que um funcionário do governo chegou a exigir que ele parasse a imitação imediatamente. Claro que Oscar não obedeceu.

Pouco tempo depois, em 1935, ele estreava nas telas em Noites Cariocas, dirigido pelo argentino Henrique Cadicarno. Segundo dados da Cinédia, o filme tinha diálogos em português e espanhol, e foi o primeiro a incluir cenas de revistas. O cinema brasileiro iniciava um gênero influenciado pelos musicais americanos e que aliava a isso o jeitinho brasileiro: as chanchadas se tornavam bastante populares. Foi basicamente nesse tempo que ele se tornaria conhecido como Oscarito.

Com Jardel Filho, seu parceiro Grande Otelo e Margot Louro na Atlântida

Na década de 40 o ator passou a integrar o time da Atlântida Cinematográfica. Dois parceiros foram fundamentais em sua caminhada. O ator Grande Otelo e o diretor Carlos Manga. Com Grande Otelo faria uma série de filmes. A primeira vez que atuaram juntos foi em 1945, em “Não Adianta Chorar”. Dirigido por Watson Macedo, o filme trazia uma série de esquetes humorísticos, segundo nos informa o site da Atlântida.

Dentre alguns de seus sucessos estavam filmes como Alô Alô Carnaval (1936), Matar ou Correr (1954), O Homem do Sputnik (1959) e Treze Cadeiras (1957). Mas vale a pena conferir dedicar um tempo para conhecer sua obra. Alguns você encontra facilmente no youtube.

Oscarito recepciona a atriz italiana Pier Angeli em sua viagem ao Brasil

Lendo algumas matérias de revistas, encontrei uma notinha sobre como o público o via. Mesmo sendo um astro dedicado às comédias, Oscarito parecia chamar a atenção dos brotinhos:

Fonte: Cinelândia, 1953.

O ator foi casado uma única vez, com Margot Louro. Assim como o marido, Margot começou a trabalhar cedo, estreando aos 14 anos como atriz nos palcos. Os dois se conheceram quando ela o viu se apresentar no Circo Democrata. Em 1934 o casal unia os laços na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Juntos, tiveram dois filhos: Myriam e José Carlos.

Acerco da família

Sua filha Myriam Teresa também seguiria os passos do pai, chegando a atuar e trabalhando como dubladora. José Carlos se tornaria músico.

A família em 1948
Com a filha Myriam Teresa, já nos estúdios da Atlântida, por volta de 1953

Oscarito se aposentou em 1968, após mais de 43 anos de carreira, dedicados com igual paixão ao circo, teatro e cinema. O ator preparava-se para ir para seu sítio com a esposa quando sofreu um AVC. Após dez dias em coma, ele faleceria em 4 de agosto de 1970, aos 64 anos. Em seu funeral, nomes como Watson Macedo, Carlos Manga (que o dirigiu em tantos filmes), Luiz Severiano Ribeiro, amigos de trajetória e fãs.

Fontes: Cinédia, Atlântida,  Revista Cinelândia, Revista Cruzeiro

 

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