Relembrando Sal Mineo, o Plato de Juventude Transviada

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Com Plato, seu personagem em Juventude Transviada, Sal Mineo fazia o primeiro adolescente gay do cinema. Descrito como uma pessoal extremamente carinhosa, colecionava amigos e admiradores, mas acabou seus dias de maneira trágica.

Salvatore “Sal” Mineo, Jr. nasceu no Bronx, filho de imigrantes italianos. Desde criança estudava dança e teatro e em 1951 apareceu pela primeira vez nos palcos em The Rose Tattoo, baseado na obra de Tennessee Williams. Também trabalhou ao lado de Yul Brynner como o jovem príncipe do musical O Rei e Eu.

Após algumas participações em filmes para a TV, estrelou ao lado de James Dean Rebel Without a Cause. Plato, o adolescente sensível que é abandonado pelos pais foi um dos primeiros adolescentes gays do cinema. Olhando mais atentamente percebemos que a fascinação que Plato sente por Jim é mais do que amizade.


Mineo passou a receber milhares de cartas de admiradoras do sexo feminino, e saía constantemente com suas amigas de tela. Mais tarde ele reconheceu que sua preferência era por rapazes louros. Chegou a ser indicado duas vezes ao Oscar, a Primeira por Juventude Transviada e depois por Exodus. Chegou a ganhar o Globo de Ouro pelo último. Mas sua carreira estava em declínio.

Nas décadas de 60 e 70 passou a fazer algumas participações em filmes de TV e a estrelar e dirigir peças. “Fortune and Men’s eyes”, cujo tema homossexual chegou a fazer sucesso em Nova York e Los Angeles foi uma delas. Assumir sua sexualidade fez com que os papéis rareassem. Chegou a fazer testes para Lawrence da Arábia, mas não passou.

 Desesperado, Mineo chegou a acampar na frente da casa de Francis Ford Coppola, em busca de uma chance em O Poderoso Chefão. Ele buscava o personagem Fredo, mas John Cazale chegou na frente. Sem muitas chances ele passou a atuar e dirigir peças de teatro. Suas produções receberam críticas positivas. Seu último papel no cinema foi com uma pequena participação em Fuga do Planeta dos Macacos (1971) .
Sal com sua amiga Natalie Wood

No dia 12 de fevereiro Sal retornava do teatro Westwood, onde estivera ensaiando uma peça. Estacionou seu carro na garagem e estava tentando subir as escadas para sua casa quando foi surpreendido por um homem que lhe esfaqueou. Um vizinho ouviu um grito no meio da noite: “Por favor, me ajudem, estou morrendo!”. Ele desceu as escadas para socorrê-lo mas já era tarde demais. O ator sangrava muito e embora tenham tentado reanimá-lo ele veio a óbito. Nos seus bolsos apenas 21 dólares.

A princípio a polícia pensou em associar a morte a um crime de drogas mas não tiveram sucesso. A saída foi associar à sua sexualidade, e vários boatos foram espalhados. Após uma longa investigação, prenderam um entregador de pizza chamado Lionel Ray Williams que confessou o crime. Sentenciado a 57 anos de prisão, ele afirmou que não sabia se tratar do ator, que ele nem conhecia. Williams foi solto no início da década de 90. Das pessoas que estavam em seu funeral estavam Desi Arnaz Jr, Nicholas Ray, Michael Greer e sua família.

Sal e James Dean
Sal e Sandra Dee
Sal visita Yul Brynner

Em 2011 James Franco lançou “SAL”, um filme biográfico sobre como teriam sido as últimas horas do ator.

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.