Silvana Mangano, a candidata a Miss que se tornou uma das grandes estrelas italianas

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Silvana foi descoberta por Giuseppe De Santis e ganhou notoriedade após aparecer em Arroz Amargo (Riso Amaro), importante filme do neorrealismo.

 

Silvana (1930 – 1989) fazia um curso de dança quando foi vista por George Armenkov, importante estilista francês. Fascinado por sua beleza, lhe chamou para modelar. Após fazer alguns trabalhos na França, estava de volta à Itália e entrou para um grupo de teatro em 1945. Nesse período iniciou um namoro breve com um jovem chamado Marcello Mastroianni. Ele a apresentou a algumas pessoas da área, e foi através dele que a modelo conseguiu uma participação em  Le Jugement Dernier (1945). Era apenas uma figurante.

Com Marcello Mastroianni

Em 1947 Silvana participou do concurso de miss Itália, perdendo para Lúcia Bosé. Nesse mesmo ano, Gina Lollobrigida também participou. Os bons contatos a levaram à Giuseppe De Santis, que procurava uma atriz para seu terceiro filme, Arroz Amargo (1949). Silvana foi uma das testadas e reprovadas. Ele buscava uma mulher que fotografasse bem sem maquiagem, e após encontrar-se posteriormente com Silvana, de cara limpa, pode constatar que ela era a escolha ideal.

Em Arroz Amargo

Em Arroz Amargo ela é Silvana, uma jovem agricultora explorada que é seduzida por um ladrão. Esse se tornou um dos mais populares do neorrealismo italiano, apresentado no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Filme estrangeiro. A atriz chegou a ser comparada a Rita Hayworth, e assim como a eterna Gilda, foi dublada nas partes musicais, mas por Lydia Simoneschi.

Com a aclamação, ela ganhou notoriedade e se transformou em um símbolo sexual. Aqui no Brasil sua fama não tardou a chegar, e ela recheava páginas de revistas de cinema. A princípio ela temia seguir uma carreira internacional, mas após casar-se com Dino De Laurentiis, ele passou a dirigir todos os passos de sua vida. Dino escolhia seus papéis, roteiros, e negava-lhe o direito muitas vezes de escolha. O casal teve quatro filhos: Veronica, Rafaella, Federico e Francesca.

Silvana com Dino De Laurentiis e três de seus filhos.

Silvana seguiu fazendo alguns papéis que lhe garantiram um aumento de sua popularidade como nna (1951), O Ouro de Nápoles (1954) e A Grande Guerra (1959) e trabalhando ao lado de grandes astros e diretores. Mambo (1954) marcava sua primeira participação em filmes americanos. Laurentiis ainda tentou lança-la em outras produções americanas como This Angry Age (1958) e Barabbas (1961), mas ficava claro que ela não conseguia o mesmo destaque que outras artistas como Sophia Loren e Gina Lollobrigida. Outro fator que influenciava sua preferência em ficar na Europa era a proximidade que teria com os filhos.

Dino tinha muito ciúme de Silvana, e a impediu de trabalhar ao lado de Mastroianni em alguns filmes como La Dolce Vita de Federico Fellini. Ela acabou sendo substituída por Anouk Aimée. Foi somente no final da década de 60 que os ex-namorados dividiram a tela na comédia Io, io, io…. e gli altri (1966). A década de 60 e 70, a propósito, trouxeram personagens mais refinadas e parcerias com diretores como Pier Paolo Pasolini e Luchino Visconti. Destaque para sua atuação em Teorema (1968), icônico filme que traz Terence Stamp como um homem que testa os limites de toda uma família. E Morte em Veneza (1971), a contraditória história de um homem encantado com a “beleza” de um jovem rapaz.

A partir da década de 70 Silvana começou a sofrer várias dificuldades, entrando várias vezes em depressão. A morte repentina de seu filho Frederico em um acidente aéreo só fez piorar seu estado. O divórcio de Laurenttis com certeza também não a ajudou muito. Pouco tempo depois ela era diagnosticada com câncer no estômago. Após participar de Duna (1984), do diretor David Lynch, recolheu-se para se tratar. No período onde esteve doente se reaproximou de seu ex-marido. Os dois se tornaram bons amigos e bastante próximos. Em 1987 ela fez sua última participação em Olhos Negros (1987). No filme ela atuava ao lado de Marcello Mastroianni:

Silvana Mangano, ícone do cinema italiano, acabou morrendo em decorrência do câncer em 16 de dezembro de 1989, aos 59 anos. Estava em sua casa, ao lado de uma de suas filhas. Sua imagem, porém, permanece viva.

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.