Tributo a Donald O’Connor

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Donald O’Connor é mais lembrado como o versátil dançarino de Cantando na Chuva. Seu estilo juvenil de dança e seu atletismo lhe renderam papéis marcantes em sua carreira.

Donald David Dixon Ronald O’Connor nasceu em 28 de agosto de 1925 em Chicago. Seu pai, Edward  “Chuck” O’Connor, se apresentava na vaudeville como acrobata. Sua mãe Effie Irene dançava no mesmo espetáculo. A família foi marcada pela tragédia. Dos sete filhos do casal, somente quatro sobreviveram à infância. Seu pai faleceu após um ataque cardíaco no meio do espetáculo. Donald tinha apenas seis meses, e sua mãe teve que se virar em duas para sustentar a família.  Tanto ele quanto seus irmãos passaram a trabalhar na vaudeville.

Foi um bom aprendizado e aos 12 anos ele estreava ao lado de seus irmãos Jack e Billy em Melodia para Dois (1937). Seu irmão Billy morreria um ano depois. Donald, porém, trabalharia em uma série de filmes nos próximos anos. Donald acabou se especializando em adolescentes que sonhavam em ser astros do teatro, tendência lançada por Mickey Rooney e seguido por tantos outros atores adolescentes da época. Em o  Garoto Prodígio (1943) ele interpreta um jovem de uma escola de teatro que sonha em se tornar um grande astro.

Gloria Jean e Donald O’Connor em Mister Big (1943)

Em Deliciosa Mentira (1947) ele aparecia ao lado de Deanna Durbin, estrelinha de filmes adolescentes que tinha uma voz de ouro. Sua popularidade ajudou a popularizar os musicais na Universal, mas a atriz abandonou as telas pouco tempo depois.

Donald se casou pela primeira vez em 1944 com Gwendolyn Carter. O casal teria uma filha, se divorciando em 1954. Quando foi recrutado no final da segunda guerra mundial, o ator tinha deixado uma série de filmes já gravados, o que garantiu sua popularidade mesmo durante o período em que esteve fora.

Francis (que no Brasil recebeu o curioso título de E… o Mulo falou) foi um de seus maiores sucessos do início da década de 50. O sucesso seria tão significativo que ele repetiria o personagem que fala com uma mula em mais seis filmes ao longo dos anos: Francis nas Corridas (1951), Francis na Academia (1952), Francis, O Detetive (1953), Francis Entre as Boas (1954), Francis na Marinha (1955) e Francis Entre Fantasmas (1956).

Patricia Medina e Donald O’Connor em Francis (1950)

E foi o cansaço de repetir os mesmos tipos que fez o ator se desvencilhar da Universal e assinar um contrato com a Paramount. Em 1952 ele estrelaria ao lado de Gene Kelly em Cantando na Chuva.

Cosmo veio para Donald após Oscar Levant não aceitar o convite de estrear o filme.  E Donald brilhou principalmente na sequência “Make ‘Em Laugh”. O dançarino contribuiu colocando algumas rotinas que ele fazia no teatro de variedades. O excesso de ensaios aliado ao fato dele estar fumando quatro carteiras por dia resultou em um colapso. O ator ficaria três dias internado após a finalização da cena. Mais tarde ele soube que o sacrifício teria que ser retomado, pois acidentalmente não tinha sido gravado.

Mais tarde o ator falou o quanto era difícil trabalhar ao lado de Gene Kelly, considerado um tirano por ele e Debbie Reynolds. Ele simplesmente morria de medo de errar algo, já que Kelly já tinha feito Debbie abandonar as filmagens em prantos. Mas o trabalho lhe rendeu recompensas quando ele foi premiado com o Globo de ouro de Melhor Desempenho de um Ator em uma Comédia ou Musical. Apesar do que muitos possam achar, Cantando na Chuva não era seu filme preferido, e sim  Sua Excelência, a Embaixatriz (1953), onde atuou com Vera-Ellen.

Em O Palhaço que não Ri (1957) ele interpretava um dos maiores cômicos da história do cinema: Buster Keaton. Apesar da história ser altamente fictícia, o ator teve o prazer de conviver com o veterano ator, e pegar alguns truques com ele. Em 1956 ele se casaria pela segunda vez, desta vez com Gloria Noble. O casal teria três filhos, Alicia, Donald e Kevin. O casal permaneceria junto até a morte dele.

Com Marilyn Monroe e Cole Porter

O auge da carreira de Donald já estava longe quando ele passou a ter um programa na tv, o he Donald O’Connos Show, apresentado na NBC em 1968. Ele faria várias participações ao longo dos anos, mas estava invariavelmente sofrendo com problemas de alcoolismo. Ele chegou a ser hospitalizado durante algumas fases de sua vida, mas a pior foi em 1978, quando chegou a passar três meses internado. Segundo o ator, o vício surgira em 1944 quando ele estava no exército.

No dia do casamento com Gloria Noble

O ator faria sua última participação nas telas em Dois Parceiros em Apuros (1997), ao lado de Jack Lemmon, Walter Matthau e Gloria DeHaven. Ele continuaria se apresentando em seus últimos anos, e fazendo aparições públicas. Porém, seu estado de saúde se deteriorava desde a década de 90, quando fez uma séria cirurgia no coração. E foi por causa de uma insuficiência cardíaca que ele faleceria em 27 de setembro de 2003 aos 78 anos.

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.