Vidas Trágicas: Susan Peters

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Susan Peters se revelava uma atriz de grandes possibilidades. Porém, um acidente a deixaria paraplégica e mudaria os rumos de sua vida.

Susanne Carnahan nasceu em 3 de julho de 1921 em Washington. Sua família se mudou para Los Angeles após a morte de seu pai em 1928. A garota começou a trabalhar desde cedo, dividindo seu tempo entre a escola e uma lojinha de departamentos. Mas após terminar os estudos, decidiu se tornar atriz. Após ganhar uma bolsa de estudos para uma escola de artes, fez alguns testes e conseguiu seu primeiro contrato com a Warner.

Ainda como Suzanne Carnahan, fez algumas participações como figurante, e pouco tempo depois foi convencida a mudar o nome para Susan Peters. Porém, não chamou muito a atenção dos diretores e em 1942 a Warner encerrou seu contrato. Nesse período ela passou a fazer uma série de testes, sendo reprovada em quase todos. Até que em 1942 conseguiu um papel de destaque em Na Noite do Passado (1942), protagonizado por Greer Garson e Ronald Colman.  Com sua personagem, foi indicada ao Oscar de Melhor atriz coadjuvante. Era só o que precisava.

Com o diretor Mervyn LeRoy nos bastidores de Na Noite do Passado (1942)

Susan passou a ser lançada em uma série de filmes menores como Encontro com o Perigo (1943) com Jean-Pierre Aumont e Canção da Rússia (1944) ao lado de Robert Taylor. Esses papéis ajudaram-na a se tornar conhecida do grande público. A atriz foi uma das três protagonistas de Éramos Três Mulheres (1945), dividindo a tela com Lana Turner e Laraine Day.

E foi exatamente nesse ponto de sua vida, que ela teria uma reviravolta trágica. Susan havia se casado com o também ator Richard Quine em 1943.

Richard Quine & Susan Peters

O casal vivia relativamente bem até que ela sofreu um acidente enquanto caçava patos em San Diego. A atriz foi atingida acidentalmente por sua própria arma, acertando sua medula espinhal. Em decorrência do acidente, ficou paralítica irreversivelmente da cintura para baixo. Sua mãe passava horas em sua cabeceira, cuidando da filha, mas pouco tempo depois esta faleceria. A morte da mãe ampliou sua dor.

Susan e o marido tinham como hobbie atirar em patos

Enquanto ela se recuperava, a MGM continuava a pagar seu salário e custeando o tratamento. Mas o contrato findado não foi renovado. Em 1946 o casal chegou a adotar um garotinho chamado Timothy.

Susan com o filho

Terem adotado um garotinho não mudaria em nada a rotina do casal, e em 1947 eles se separariam. Nesse mesmo ano a atriz declararia que o marido tinha sido extremamente cruel com ela, passando vários dias sem lhe dirigir a palavra. O divórcio definitivo veio em 1948.

Em O Signo de Áries (1948)

Susan conseguiu nesse período um contrato para realizar mais um filme. Em O Signo de Áries (1948) de John Sturges, ela era uma mulher paraplégica que tiranizava todos ao redor. O filme não agradou muito à critica especializada. No ano seguinte ela trabalharia em The Glass Menagerie, uma peça que teve o roteiro mudado para que Susan pudesse participar em sua cadeira de rodas. Em Miss Susan, feito especialmente para a tv, Susan interpretava uma advogada paralisada que voltava à sua cidade natal para trabalhar. Porém, a atriz não conseguiu ficar, pois sua saúde se deteriorava a cada dia que passava.

Em Miss Susan

Susan faleceu em 23 de outubro de 1952 no Hospital Memorial da Califórnia em decorrência de uma infecção renal ocasionada pela paralisia. Porém, pode-se dizer que ela começou a morrer lá atrás. Vários foram os fatores que contribuíram para sua morte precoce aos 31 anos de idade:  A falta de oportunidades, a morte da mãe, o acidente em si e o abandono do marido juntos fizeram com que ela se afundasse cada vez mais em uma depressão que se tornou crônica. Em seus últimos anos de vida Susan se negava a se alimentar, afirmando que perdera a força para viver.

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre a sétima arte. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.