William Haines, o Homem que abandonou Hollywood por Amor

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William Haines alcançou o auge no final dos anos 20, mas preferiu perder a fama ao seu amor. O ator negou-se a ceder a um casamento por conveniência e preferiu ficar ao lado de seu amado Jimmy, sem culpas ou constrangimentos.

Haines se apaixonou pelo cinema ainda na infância, onde passava muitas tardes se deleitando ao assistir aos filmes mudos. Aos quatorze anos fugiu de sua casa com um namorado, e passou a trabalhar em pequenos ofícios. Por volta de 1922, participou de um concurso de beleza, e foi chamado para um teste na MGM, o grande estúdio da época. Após passar, fez uma série de participações, até que chegou ao estrelato com Brown of Harvard e Tell It to the Marines, ambos de 1926. Nesse período começa a chamar a atenção da comunidade cinéfila e já estava no top 10 de atores favoritos.

Haines com Marion Davies em Show People (1928)

Durante as entrevistas, o ator sempre disfarçava quando questionado sobre seus relacionamentos, preferindo não entrar em detalhes ou desviando do assunto. O produtor Irving Thalberg chegou a classificá-lo como um símbolo de juventude e masculinidade na época. Por volta desse mesmo período, durante uma viagem, ele conheceria Jimmy Shields. O relacionamento logo avançou e o casal passou a dividir o mesmo teto. Não era incomum encontra-los nas principais festas dadas por estrelas como Joan Crawford e Marion Davies. Nessas festas eles eram vistos como um casal qualquer.

Na casa de Joan Crawford, uma de suas melhores amigas
William Haines e Jimmy Shields com Jean Harlow, William Powell, e amigos

Haines fez uma feliz passagem do cinema mudo para o falado, e continuava em alta no final da década. Mas em algum momento as coisas começaram a mudar, quando os códigos de censura exigiam certos padrões de comportamento por parte das estrelas. A homossexualidade sempre foi bem aceita no meio, mas muitos artistas eram obrigados a se casarem para ocultar sua orientação. Por volta de 1933, após receber inúmeras denúncias, Louis B. Mayer chamou o ator para uma conversa particular.

Nessa conversa, o chefão da MGM deu um ultimato: ou o ator se casava com uma mulher ou seu contrato não seria renovado. Vivendo há mais de sete anos com Jimmy, Haines preferiu abrir mão de sua carreira do que viver no anonimato. Deu adeus a Hollywood, embora ainda tenha feito algumas participações em alguns filmes de baixo orçamento.

O casal resolveu se unir e aproveitar as boas relações com as estrelas para abrir seu próprio negócio. Inicialmente compraram uma loja de antiguidades, e logo se tornaram designers de interiores. Tinham como clientes pessoas como Joan Crawford, Ronald Reagan, Mae West e conseguiram levar uma vida digna sem jamais se separarem. Na década de 50 ele chegou a receber um convite de Billy Wilder para retornar às telas em Sunset Boulevard, mas o ex-ator gentilmente não aceitou o convite.

Haines, Jimmy, Crawford e Al Steele

Após se aposentar em 1970, Haines descobriu um câncer que lhe levaria em 26 de dezembro de 1973. Não suportando a ausência de seu amado, Jimmy cometeria suicídio pouco tempo depois, ingerindo pílulas para dormir. Ele estava vestido com o pijama de Hainer e deixou uma carta de despedida onde dizia: Adeus a todos vocês que tentaram me consolar após a perda de meu amado William. Agora tem sido impossível viver sozinho”. Se isso não é amor, não sei mais o que é.

Fontes:

https://goo.gl/BuFBNV
https://goo.gl/J5ugCz
https://goo.gl/hqkXUF
https://goo.gl/ggJuNt

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.