Anastásia Romanov, a princesa que inspirou o filme

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Anastasia (1956), realizado pelo cineasta Anatole Litvak, foi baseado no relato da vida de Anna Anderson, que dizia ser a Grã-Duquesa Anastasia, única das filhos do Czar Nicolau II a escapar viva quando sua família foi assassinada durante a Revolução Russa. Anna e tantas outras reclamaram o título da princesa depois que foi revelado que seus restos mortais não foram encontrados. Mas nenhuma outra faria mais estardalhaço do que ela.

Anna se tornou capa de jornal, vendeu revistas e teve sua popularidade durante toda a sua vida. Muita gente a apoiou, baseado em sua semelhança com a verdadeira Anastásia, e por a mesma ter algumas características que a princesa também tinha, como a mesma caligrafia. Anna morreu de pneumonia em 1984.

Anna Anderson em 1984

Além de mostrar o exílio de Anna Anderson, o filme de Atole Litvak curiosamente marcou o retorno de Helen Hayes depois de uma vírgula de 20 anos na carreira cinematográfica: ela havia ficado fora das telas após a morte de sua filha, de pólio. Mas o retorno mais marcante foi o de Ingrid Bergman à Hollywood, depois de sete anos na Europa: a musa causou um escândalo ao deixar seu marido e filha para unir-se ao diretor Roberto Rossellini na Itália, e ainda ter um filho com ele, fora do casamento. A atriz foi considerada uma traidora da moral americana. E que retorno foi esse, ela acabou ganhando o Oscar de Melhor Atriz.

Em “Anastásia”, Bergman interpreta a personagem título, que é encontrada na rua, morrendo de fome, pelo General Sergei Pavlovich Bounine (Yul Brynner), do exército do antigo czar russo. Ele a treina, ensinando como portar-se como uma princesa, ensina-lhe a andar, a segurar os talheres, a se vestir, para representar a princesa desaparecida que escapou milagrosamente da execução. O plano é fazê-la passar-se pela jovem, para resgatar a fortuna dos Romanov. A farsa se torna tão real que membros da família real e também sua avó, acabam suspeitando que se trata, de fato, da princesa esquecida. Uma grande cena a do encontro entre avó e neta.

Yul Brynner e Ingrid Bergman em Anastasia (1956)

O roteiro foi baseado na história real da família Romanov e também na de Anna Anderson. Os personagens interpretados por Yul Brynner e seu ajudante não existem. E a fantasia e a realidade se misturam. Uma curiosidade é que Ingrid tinha cerca de 40 anos, ou seja, por volta de 10 anos a mais que sua personagem. Para acrescentar realismo na história, algumas filmagens foram feitas em Copenhagen.

Bom, a história real na qual se baseou o filme de 1956 não teve um final feliz. Anna Anderson passou toda a sua vida dizendo ser a princesa Anastásia. Após sua morte, seus ossos foram comparados com os de descendentes da família em testes de DNA e foi provado que sua identidade verdadeira era Franziska Schanzkowska, operária desaparecida na mesma época que Anna Anderson aparecera.

A esperança continuou, porque se ela não era Anastásia, poderia ser a de outra princesa, já que havia ainda dois corpos desaparecidos. Mas, como tudo que é bom dura pouco, os dois corpos restantes foram finalmente encontrados, a lenda destruída.

 

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