Aquele Que Sabe Viver (Il Sorpasso, 1962)

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EASY LIFE, THE (1962) - JEAN-LOUIS TRINTIGNANT - VITTORIO GASSMAN. . Credit: FAIR FILM / Album

“A Melhor idade é aquela que vivemos. Então viva a sua da melhor maneira que puder”. Essa frase, tirada da boca de Bruno Cortona (Vittorio Gassman) fala muito sobre sua história que pouco a pouco conhecemos.

Bruno não é um homem que se contente com convenções, abandonou a esposa, vive loucamente e a buzina irritante de seu carro aponta para o incômodo que causa sua chegada e convicções. Agora imagine um homem desses topando com um rapaz tranquilo e que sonha em se formar e ter uma vida convencional, como é esperado em sua família.

Roberto Mariani (Jean-Louis Trintignant), assim como nós, é tomado de assalto por esse homem que surge do nada, buzinando e pedindo sua ajuda. É um feriado, e enquanto Roberto aproveita para estudar, Bruno aproveita a vida. Imagine-se em sua casa sem grandes planos quando um estranho lhe grita à janela pedindo-lhe um favor: Ligue para este telefone, meu carro está com problemas!

Como qualquer um de nós iria imaginar, poderia se passar de algum assaltante, já que este pede para adentrar em sua casa e tentar contato. Mas ele não entra apenas na casa de Roberto. Entra também em sua vida, carrega-o para seu destino, conhece seus parentes, torna-se algo como um amigo em um único dia. A desconfiança segue Roberto a cada instante, a cada pessoa apresentada.

Bruno por sua vez, não é uma má figura. Ele é apenas a representação de um adulto que desistiu de crescer. Lembro-me que esse termo anda muito em voga hoje em dia. Homens com mais de 30 que insistem em ter comportamentos adolescentes. Dino Risi e Ettore Scola parecem ter antecipado o tema neste filme de 1962.

Aquele Que Sabe Viver é um título curioso, pois denotaria que um estilo de vida seria melhor que o outro. Viver o momento é importante, mas não pensar em consequências, focando em seu egoísmo também não é saber viver. Há de existir um equilíbrio nas coisas. O título original, Il Sorpasso talvez fale melhor sobre a temática. A tradução seria algo como aquele que ultrapassa, se excede, toma a dianteira, se tornando muito de acordo com aquela feita para o público brasileiro.

Bem, mas isso são só divagações. O filme dirigido pelo grande Dino Risi que também roteirizou ao lado de Ettore Scola lembra e muito as histórias feitas na Europa àquela hora. Este road movie lembra em muito a nouvelle vague em sua liberdade, sopro de juventude e ânsia de agarrar o mundo inteiro em suas mãos.

Convido todos a essa viagem que tem um final surpreendente.

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