A Bela Lola (1962)

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Outro dia falei um pouco sobre uma das personagens mais famosas da literatura internacional: A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho. Publicado em 1848, o romance mostra a história da nobre cortesã que abre mão de seu amor por Armand em nome dos bons costumes. O livro se tornou um imenso sucesso, e sua personagem se tornou conhecida em  óperas, peças e o filmes. Todas as atrizes cobiçavam a personagem tão bem caracterizada pelas grandes Eleonora Duse, Sarah Bernhardt e Vivien Leigh. No cinema, nomes como Alla Nazimova, Greta Garbo e Isabelle Huppert repetiriam a trágica história. Na Espanha, uma versão chamou a atenção: A Bela Lola, de 1962.

Lola conhece o jovem Javier (Antonio Cifariello) em uma de suas apresentações. Chama a atenção um jovem impertinente que, junto com os amigos, zomba de sua apresentação. O trio resolve pregar uma peça nela, e Javier finge ser um homem fugindo da polícia. Lola percebe o truque, e entra na brincadeira, fingindo que acredita nele. Porém, no meio do caminho, leva-o a uma delegacia e o denuncia por roubo.

Dois personagens assistem ao filme Lola em cena de La Mala Educacion (2004), de Almodóvar

Dentro de um filme tudo é possível, e logo os dois estarão envolvidos em uma grande paixão. É aí que vem uma segunda diferença com relação à história original. No lugar do pai, a mãe de Javier será a responsável pela chantagem emocional que fará a boa cantora se afastar do amor de sua vida. Ela explica exageradamente que a presença da cantora irá manchar o bom nome da família, prejudicará sua carreira política, e fará seu filho um homem infeliz.

Na sinopse há uma informação interessante: Lola canta para seu sustento e o de sua irmã, porém esta some misteriosamente durante boa parte da película, em um furo estupendo. A presença de alguém da família serve mais para dar um ar mais moral à personagem e de fato não tem alguma importância dentro do roteiro.

Antonio Cifariello e Sara Montiel em La bella Lola (1962)

Dirigida por Alfonso Balcázar, o filme trazia como atriz principal Sara Montiel, rainha das telas do cinema espanhol. A história apresenta várias diferenças fundamentais com relação ao livro de Dumas. Primeiramente, Marguerite Gautier se torna Lola, uma cantora que se apresenta em várias tabernas e tem um amante rico. Era necessário fazer essa mudança para que Sara pudesse cantar durante toda a película.

Lola, a mulher de moral duvidosa mas bom coração

E ela canta exageradas 12 vezes, o necessário para um LP completo, lançado também com sucesso. Um deleite para seus fãs. Na trilha sonora estão incluídos clássicos como Malagueña, La Paloma e Amapola. As músicas também serve para outro propósito: mostrar todos os vestidos e jóias que Sara usa sem repetir durante todo o filme, todos criações de Rafael Borqué.

Lola, a personagem que não repete uma só roupa

Esse é mais um filme que os fãs de Sara Montiel e filmes musicais irão gostar. Ele está sendo lançado no Brasil através da Classicline. O dvd traz uma versão com imagem impecável e áudio original. Você pode adquirir o filme em qualquer loja do ramo ou online diretamente na loja da distribuidora. Clique na imagem para maiores detalhes:

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