Kitty Foyle (1940)

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Incomodava a Ginger Rogers ser apenas lembrada por sua parceria com Fred Astaire. Ela amava os musicais e as danças que a consagraram, mas desejava também apostar em outros gêneros. Em 1939 teria uma grande oportunidade ao aceitar protagonizar Kitty Foyle. Inicialmente houve uma certa resistência, já que a história continha assuntos considerados tabus como aborto e sexualidade. Mas o roteirista Dalton Trumbo fez uma adaptação para as telas que acabou agradando a todos.
O livro que originou o filme foi lançado em 1939 por Donald Ogden Stewart. Se transformou em um best-seller. Katharine Hepburn, o nome mais quente do período, foi a primeira opção, mas recusou veemente a proposta. Tudo bem que Kate não se importava muito com premiações, mas a título de curiosidade, vale lembrar que Ginger acabou ganhando o Oscar por sua interpretação em Kitty Foyle.
Bem, vamos à história.
Kitty com o pai

Kitty está noiva do humilde médico Mark Eisen (James Craig). Enquanto prepara sua bagagem para embarcarem juntos para outra cidade, recebe a visita de seu ex-namorado, Wyn Strafford (Dennis Morgan). A vendedora pensava ter esquecido seu primeiro amor, mas se vê tentada a abandonar tudo para ir embora para a América do Sul com ele. Só há um problema: Wyn está casado e ela terá que conviver com o estigma de ser a outra.

Kitty começa a ponderar todos os motivos possíveis, relembrando fatos de sua vida, desde o momento que o conheceu na casa de seu pai. Relembra também como iniciou o romance, as diferenças de classe que influenciaram na separação e até mesmo o filho que perdera. Valeria a pena voltar para o único homem que amara? Ou seria melhor deixar o passado para trás e investir em um relacionamento com outro que lhe ama mais do que tudo?

Kittu e Dr. Mark Eisen, o médico bonitão e pobre

Bem, para mim é triste dizer isso, mas Kitty é uma das personagens mais complicadas que já vi nas telas. Não quero chama-la de chata, mas é difícil aceitar certas posturas.  Nossa heroína tem a triste mania de nos momentos chaves, quando chamada ao diálogo, fugir. E em diversos momentos deixa o pobre Wyn sem explicações. Senão, vejamos. Quando o rapaz rico perde a empresa devido à crise, Kitty espera que o rapaz a peça em casamento. Ao perceber que isso não acontecerá, nossa jovem foge para Nova York. Wyn pouco tempo vai atrás.

Finalmente ele a pede em casamento, mas a garota impõe uma série de dificuldades. Dentre elas o fato de não querer morar na Filadélfia e sim em Nova York. Wyn mais uma vez aceita e os dois se casam. Chegando à casa da família, descobrem que ele só receberá a herança se permanecer na cidade. Descontrolada, Kitty diz que não está interessada no dinheiro da família esnobe, deixando todos chocados na sala. Momentos de tensão seguem quando Wyn lhe fala que abrirá mão de toda sua herança para ficar com ela. Parece insano mas, para ele é a única forma de ficar ao seu lado. O que Kitty faz? DESAPARECE enquanto ele vai pegar suas coisas. Separam-se.

 

O pobre Wyn levando-a para conhecer a família

O divórcio logo sai e ela descobre-se grávida. Wyn lhe faz uma ligação, marcando um encontro. Jamais saberemos o que ele desejava lhe falar, já que a garota descobre no bar que seu ex-marido está noivo de uma socialite. O que ela faz? Abandona o local, não deixando nenhum recado. Isso sem contar com o pobre Mark, que fica esperando uma definição da jovem por muito tempo.

Mas tirando esse fato, é um filme bom. O maior dos motivos é a presença imensa da Ginger Rogers em cena. A atriz mereceu de fato seu Oscar. Apenas observe a cena em que ela percebe que perdeu o bebê e note que ela consegue transmitir seu desespero através do olhar. Aos 29 anos, Ginger provava que conseguia também fazer grandes dramas. Isso se torna ainda mais magnífico quando descobrimos que foi luta finalizar aquela cena diante de tantos ataques de riso da atriz. Ginger simplesmente não conseguia se concentrar.

O vestido que ditou moda

 

Outro fato que tornou o filme inesquecível foram os figurinos. O estilista Renié criou um vestido que visava privilegiar os pontos de luz no rosto da atriz. Assim, colocou golas e punhos brancos em contraste com um vestido em cores sóbrias. Nascia um estilo que se tornaria conhecido como “kitty foyle”. A intenção era meramente cinematográfica, acabou sendo adotado por milhares de mulheres durante a guerra. Era sóbrio e elegante ao mesmo tempo. Até hoje pode ser visto como uma alternativa de roupas usadas para o trabalho.

Mulher, se decida

 

Esse conto moderno de uma Cinderela agradou ao público, que correu para os cinemas e tornou a película da RKO mais vista naquele ano. A premiação também serviu para elevar o astral de Ginger, que após isso se tornou uma atriz ainda mais respeitada no meio. Um Oscar mais do que justo.

* O filme foi lançado em dvd pela Colecione Clássicos, e pode ser adquirido através de sua loja virtual. Clique na imagem para ser redirecionado:

 

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