O Maior Espetáculo da Terra (1952)

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O universo circense fascina. Seu colorido, cenários e figuras exóticas atraem o público que fica encantado com suas atrações. E muitos guardam com carinho esses grandes momentos vividos em família. De olho nesse público, o cinema chegou a trazer o mundo do circo em filmes como As Sete Faces do Doutor Lao e Os Monstros. Esses aproveitavam a mórbida fascinação pelo estranho e recriavam um mundo de horror e espanto. Outros apontavam para a magia, trazendo situações e tensões resolvidas ao longo do espetáculo. É o caso de O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth), do mestre Cecil B. DeMille.

Na década de 50, o diretor já era um experiente diretor de 65 anos. Advindo do cinema mudo, tinha em seu currículo O Rei dos Reis (1927), Cleópatra (1934) e Sansão e Dalila (1949), dentre outros. Ele também assinou a refilmagem de Os Dez Mandamentos (1956), considerado sua obra prima. Um dos segredos de seu sucesso era um extremo perfeccionismo, que o levava a exigir sempre mais de seus atores. Para este filme, chegou a exigir que os atores fizessem laboratório e aprendessem as acrobacias de acordo com seus personagens. Quem acabou sofrendo com isso foi Cornel Wilde, que teve que subir no trapézio mesmo tendo medo de altura.

Mas, antes de contar mais algumas curiosidades, vamos à sinopse: Brad Braden é o empresário do grande circo. Para aumentar os negócios, contrata o famoso trapezista Sebastian. Com isso cria um conflito com sua namorada, a trapezista Holly, que sonha em chegar ao estrelato no palco principal. Obviamente Holly não irá gostar muito de Sebastian no início, mas logo cria-se um clima entre os dois e logo está formado o triângulo amoroso que irá movimentar boa parte da trama. Outras histórias paralelas surgem durante a ação. Uma delas é a do palhaço Buttons, um ex-médico que é procurado pela polícia após cometer eutanásia. Outra foca no péssimo comportamento de Klaus, um domador sádico de elefantes que maltrata sua esposa.

O enredo é bem construído, e apesar de trabalhar com outros núcleos além do central, consegue manter as tramas paralelas e uma bom desenvolvimento dos personagens. Não era difícil, contando que este possui um dos elencos mais primorosos do período: Cornel Wilde, Betty Hutton, Dorothy Lamour, Gloria Grahame, Charlston Heston e James Stewart, que mesmo em um papel secundário e usando maquiagem de palhaço durante todo o filme, consegue se destacar. Um porém é o tempo de exibição. O filme é por demais longo: quase três horas de exibição que podem cansar o mais desavisado dos espectadores. As tramas de bastidores podem ser o mote principal, , mas os momentos realmente mágicos, são as apresentações dos números musicais e exibições acrobáticas.

Prometi algumas curiosidades e lá vai: algumas cenas foram realizadas nos famosos circos Ringling Bros e Barnum & Bailey Circus, que hoje em dia ainda estão em atividade. Não foi barato comprar o espaço, e os produtores desembolsaram cerca de 250 mil dólares. Com o peso do nome de Cecil e todo o investimento o filme recebeu cinco indicações ao Oscar, levando o de Melhor Filme e Roteiro. Edith Read foi indicada pelos figurinos, mas também não levou.

Alguns citam a vitória de O Maior Espetáculo da Terra como sendo uma das maiores injustiças realizadas pela Academia, que naquele ano teve nomeados como Matar ou Morrer e Depois do Vendaval. John Ford acabou levando a estatueta de melhor diretor. Bing Crosby e Bob Hope podem ser vistos como dois espectadores do circo durante a canção Lovely Luwana Lady (cantada por Dorothy Lamour). Outras estrelas que fizeram participações sem créditos foram Mona Freeman e Diana Lynn.

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