A Rainha do Chantecler (1962)

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Charito (Sara Montiel) se apresenta nos palcos do Chanteclair e coleciona fãs e presentes recebidos de diversos homens. Estes sonham em um dia torna-la sua amante. Porém, os olhos e coração da bela moça estão virados apenas para um deles, o galante Federico de la Torre (Alberto de Mendoza). Todos são unânimes em lhe dizer que abra seus olhos para ele, porém, Charito segue apaixonadíssima.

Dentre as mulheres com quem Federico está envolvido estão a espiã Mata Hari (Greta Chi) e a condessa Carola (Ana Mariscal). Até que um dia, após uma apresentação, Charito flagra seu amado em uma conversa comprometedora com a condessa. Enciumada, abandona o amado, mas logo é procurado pela mulher, que lhe pede um favor estranho.

A condessa lhe informa que seu marido desconfia do caso, e que armou um flagra. Pede a Charito que vá ao encontro de Federico em seu lugar, e evite assim um escândalo maior. Por um motivo não explicável, Charito vai ao encontro do antigo amante e consegue evitar o pior. Sua fama, porém, vai para o ralo, obrigando-a a esconder-se em San Sebastian.

Federico e Charito

Ela chega em San Sebastian durante o famoso festival, e lá revê um rapaz que vira tempos antes, o belo e bom  Santi de Alcíbar (Luigi Giuliani). Ao contrário de Federico, Santi é um homem de um caráter íntegro porém bastante tradicional. Ele irá cair de amores por Charito. Desconhecendo seu passado ele oferece sua casa para a moça se hospedar. Lá ela conhece sua tradicional família que tem um especial preconceito com dançarinas e cantoras.

Charito conhece um novo homem

Charito sabe que nunca poderá ser a mulher que ele sonha, nem tampouco agradar sua família, porém começa a se apaixonar. O drama novamente entra em sua vida com a chegada repentina de Federico e Mata Hari. Aos poucos, os sonhos de uma vida nova começam a ser substituídos por uma dura realidade.

Não sou santa, minha senhora

A Rainha de Chanteclair, assim como muitos outros filmes com Sara Montiel, é mais um veículo para que vestidos e canções possam desfilar durante as quase duas horas de histórias. O roteiro não é muito claro, e muitas vezes deveras mal feito. Mais uma vez personagens desaparecem do nada (as parentes de Charito por exemplo) e outros aparecem em momentos específicos (onde estiveram todo esse tempo?). Um exemplo claro é o cachorrinho da personagem, que surge em apenas dois momentos, justamente para dar o plot necessário para um encontro com Santi. Nos demais momentos, não sabemos onde está o pobre cão.

Ademais, já sabendo de seu poder na tela, a atriz exagera em suas caras, bocas e bicos, tornando sua personagem uma das mais caricatas que já interpretou. Outra falha diz respeito à Mata Hari. Apesar de não ser tão bela para nossos padrões atuais, a dançarina tinha seu charme e presença, garantindo um lugar de destaque na história do início do século passado. Vê-la em um filme espanhol e interpretada por uma atriz de origem chinesa é no mínimo estranho.

Federico e Mata Hari

E Greta Chi, apesar de muito bela, não consegue emprestar carisma algum para a figura lendária. Antes, Mata Hari se torna uma personagem sem sal e que poderia ser mais explorada no roteiro. O momento em que Mata Hari dança é deveras tediante. Como já falei acima, isso é meio difícil em um filme que traz Sara Montiel.

Mata Hari e a Condessa, duas amantes de Federico

Mas não são só esses os problemas chamam a atenção em A Rainha de Chanteclair. Os figurinos são belíssimos e a cada cena temos um desfile de novos modelos, nunca repetidos por Sara Montiel. Todos são assinados pelo pintor Martín Zerol, que também assina a direção de arte. O pintor acabou recebendo um prêmio por este filme, mas por algum motivo não se dedicaria a muitos outros. Pelo IMDB verifiquei que ele assinaria a direção de arte e figurinos em apenas mais dois filmes, La viudita naviera (1962) e El diablo también llora (1965). Embora os trajes sejam maravilhosos, não há como ignorar o fato de que eles não são condizentes com a época retratada, a primeira guerra mundial.

Com relação ao elenco, posso destacar ainda a presença de Alberto de Mendoza, um ator exitoso que protagonizou mais de 100 filmes em língua espanhola, e recebeu diversos prêmios por sua carreira. Sua presença acaba sendo pouco destacada porém.

Dirigido por Rafael Gil, A Rainha de Chantecler acaba de ser lançado em dvd e pode ser encontrado em qualquer loja do ramo. Você pode também adquirir diretamente no site da distribuidora Classicline. Clique na imagem para ser redirecionado:

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