Rapsódia (Rhapsody, 1954)

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Louise Durant (Elizabeth Taylor) está apaixonada pelo violinista Paul Bronte (Vittorio Gassman) e decide que irá se casar com ele. Só há um pequeno problema: enquanto ela o ama, ele está mais interessado em seguir sua carreira de músico, aprendendo um pouco mais a cada dia. E isso não inclui Louise, que mesmo assim o segue para Zurich. Ela tenta entrar em seu mundo, mas fica muito claro que não há como competir.

Em Zurich ela conhece James Guest (John Ericson), um simpático ex-militar que também deseja se tornar um músico. De certa forma, James é para Louise o que ela é para Paul. A garota até tenta entrar para a academia de música, mas não tem o talento necessário e sente-se constantemente como um peixinho fora d’água. É uma briga muito injusta. Paul nunca será o que ela deseja, e Louise é incapaz de entender os anseios dele.

A personagem é voluntariosa, e seu amor, desde o início mais se assemelha a um capricho. Curioso como Elizabeth Taylor era escalada para papéis de moças excessivamente mimadas mas carismáticas. É mesmo difícil detesta-la por causa de seu carisma e beleza que faziam com que a amássemos de qualquer maneira. Some a isso uma infinidade de belos figurinos assinados por Helen Rose e feitos para exaltar sua beleza de 22 anos.

Rapsódia é um belo desfile de roupas e belas músicas que enchem as telas nas quase 2 horas de filme que se tornou um bom veículo de sucesso para Vittorio Gassman na América. Particularmente o acho um ótimo ator, e suas cenas tocando são de uma perfeição absoluta. O diálogo entre seu personagem e a de Taylor, quando ela lhe cobra a presença e ele lhe afirma que seu amor é a música é um dos pontos mais chaves do filme. Poderíamos considerar ele egoísta quando ele deixa claro quais são suas prioridades desde o início?

Paul pode ser egoísta, mas quem o culparia por seguir o que deseja? Ele é honesto desde o início. Louise que parece não levar isso à sério. Em determinado momento o músico chega a pedir que ela se afaste, para que ele possa se dedicar à sua música. Ela se sente magoada, se afasta, mas mesmo assim permanece cheia de esperanças. Quem te deu, pobre moça?

Falei no início que James Guest está para Louise como esta está para Paul. E o primeiro praticamente joga em seus ombros a obrigação de ama-lo, e também o fracasso. Resta a Louise decidir qual rumo tomará em sua vida. Seguir quem não a ama ou quem está disposto a inclui-la em sua agenda.

Rapsódia, apesar de não configurar-se entre um dos melhores filmes da década, traz bons momentos e reflexões acerca da energia que muitas vezes dispensamos a algo que nunca irá nos pertencer.

 

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