Uma Família Fuleira (1965), de Jerry Lewis

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Donna Peyton tem apenas dez anos de idade e uma grande responsabilidade: escolher seu novo pai após a morte de seu verdadeiro. Para isso, a rica órfã terá que visitar cada um de seus tios e ver qual mais lhe agrada.

Seis tios. Seis homens completamente diferentes: James é o irmão mais velho de seu pai, Everett é um frustrado palhaço de circo que detesta qualquer tipo de criança e vai embora do país, Julius é um atrapalhado fotógrafo que vive cercado de belas modelos, Eddie é um lunático que acredita que é um piloto de sua própria companhia aérea, Skylock (como o próprio nome indica) é um detetive envolvido em uma grande confusão. Por último, Bugsy, um gangster que irá tentar arrancar dinheiro da família de qualquer maneira.

No meio a tudo isso, Donna só tem uma certeza: amaria na verdade ter seu chofer Willard como seu verdadeiro pai. É ele quem leva a garotinha para todos os lugares, dá conselhos, cuida e nutre uma grande amizade por ela. Visitar seus tios só fará com que ela tenha certeza que Willard seria a melhor opção. Que pena que ele não é da família.

A Família Fuleira (The Family Jewels), foi uma ótima oportunidade para Jerry Lewis mostrar que podia interpretar vários personagens cômicos. Algo que ele faz em vários trabalhos seus, mas que neste resolveu explorar mais através de vários esquetes cômicos. Alguns destes personagens são mesmo releituras de outros que ele já tinha experimentado em filmes anteriores. Julius é um deles. Se você observar direitinho perceberá que o fotógrafo é idêntico ao professor Julius Kelp de O Professor Aloprado. Além de dirigir e fazer sete papéis, Jerry também produziu e assinou o roteiro em conjunto com Bill Richmond.

Outro exemplo é o discurso do político que pode ser ouvido de um carro de som. Nele , o corrupto político pede uma nova chance de mostrar que é um bom homem e que quer o bem de todos. Tal discurso pode ser visto de maneira idêntica em  Bancando a Ama-Seca, onde ele foi dirigido por Frank Tashlin.

Uma Querida atriz mirim

Mas para que a história funcionasse, era necessário trazer uma boa atriz mirim. Donna Butterworth tinha por volta de 8 anos durante as filmagens e foi vestida por ninguém menos que Edith Head. O diretor fez uma entrevista com ela e que pode ser vista aqui na íntegra:

Por sua participação, Donna recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, e no ano seguinte podia ser vista em No Paraíso do Havaí (1966), cantando ao lado de Elvis Presley. Este, por motivos óbvios, acabou sendo seu papel mais lembrado, embora ela tenha tido maior destaque no filme de Lewis.

Jerry dirige Donna

Nascida na Pensilvânia, Donna não seguiria carreira no cinema. Ela tinha uma paixão especial pela música, e se tornou uma cantora no Havaí. Aqui neste vídeo recente, podemos ver com está a ex-estrela mirim, hoje com 61 anos:

Considerações Finais

Para falar a verdade, dificilmente Jerry saiu, em toda sua carreira, de seu lugar comum. Isso pode ser frustrante para um artista, mas era uma fórmula que rendia um público cativo. Nem sempre acertando, mas refém de seu tempo, o artista ainda passaria alguns anos em alta, antes que seus fãs envelhecessem e preferisse outro estilo de comédia. É um fenômeno triste, mas bastante natural levando-se em conta que todos invariavelmente passarão por isto. Os tempos e o mundo mudam, e o público também. Os bons porém, volta e meia retornam. Uma nova leva de fãs se formaria quando seus filmes passaram a ser exibidos na televisão. E ainda bem que hoje em dia podemos contar com outros métodos para assistirmos às suas histórias.

 

A Família Fuleira foi lançada em dvd no Brasil através da distribuidora Classicline. Como boa parte da produção dedicada a este artista, a edição vem com a dublagem clássica, bem conhecida por quem assistiu ao filme na sessão da tarde. Você pode encontrar A Família Fuleira em qualquer loja do ramo ou adquirir diretamente pela loja da distribuidora. É só clicar na imagem para ser redirecionado. Agora corra, está acabando:

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