Que maravilha seria ganharmos a vida fazendo o que gostando e aproveitando cada momento que podemos ao lado das pessoas que amamos. Os dias passariam mais prazeirosamente e teríamos a oportunidade de vivenciar cada pedaço que nos cabe dos dias. É exatamente sobre isto que Do Mundo Nada se Leva trata. Mas não só isso: o filme também traz à discussão a especulação imobiliária e a ambição demasiada que levam alguns a se considerarem donos do mundo.

Frank Capra é reconhecido por sua filmografia extremamente positiva, com seus finais felizes revigorantes e capazes de nos deixar com a sensação de que esse mundo maluco ainda tem jeito. São dele títulos que arrancaram emoções e sorrisos como o natalino A Felicidade não se compra (1946), a deliciosa comédia Aconteceu Naquela Noite (1934) e o tenso A Mulher faz o Homem (1939).

E em todos algumas características em comum: personagens capazes de se regenerar, outros com uma firmeza de caráter irrepreensíveis, outros ingênuos. Traços verificados no protagonista deste. Martin Vanderhof (Lionel Barrymore) é um homem que decidiu abandonar os negócios e investir em sua família em pequenos prazeres temos contato com uma das famílias mais generosas da filmografia de Frank Capra.

Uma Família Maluca

 

A família Vanderhof



O filme inicia-se com a apresentação da família Vanderhof, um bando de loucos felizes que dividem a mesma casa. Eles moram em uma vila que aos poucos está sendo abandonada, já que muitos já venderam suas casas para o poderoso senhor Kirby (Edward Arnold). Na casa que divide com a filha e netas, Martin guarda recordações de sua finada esposa. Os momentos felizes são garantidos pelas constantes danças de Essie (Ann Miller) e da música tocada por seu marido. Sua filha escreve uma história em sua máquina e a entrada e saída de amigos garantem que o que eles menos querem é sossego.

"É como viver na Disney", fala Tony Kirby (James Stewart) em determinado momento. E é realmente essa a sensação que temos, já que no porão da casa também funciona uma fábrica de fogos de artifícios e outras invenções. Mas isso aparentemente não incomoda ninguém, já que todos da vila parecem acostumados à movimentação. Procurado pelos agentes imobiliários, Martin se recusa a vender a casa.

Festa estranha com gente esquisita


Eis que surge o momento Romeu e Julieta da história. Sua neta mais velha, a doce Alice Sycamore (Jean Arthur), acha de se apaixonar justamente pelo único filho do chefe, o jovem Tony Kirby  (Jimmy Stewart). Claro que seus sogros não gostarão da novidade e acham inconcebível seu filho casar-se com uma moça que não tem um nome na sociedade. Os Kirby são daquelas pessoas que preocupam-se com o status e cujos prazeres se resumem a aumentar a conta bancária. Tony sente-se deslocado nesta realidade, e guarda bons sentimentos por Alice. Ele tentará convencer seus pais de seu amor, mas parece que só consegue piorar a situação quando decide levá-los à casa de sua amada de surpresa. A visita coincide com a chegada de policiais e a explosão dos fogos, que irá levar a todos para a cadeia.


A Colúmbia não tinha dúvidas de que esse seria um grande sucesso no verão de 1938. E de fato o filme abocanhou os Oscars de Melhor Filme e Diretor daquele ano. Além destes, foi indicado a Melhor Atriz Coadjuvante (Spring Byington), Roteiro, Fotografia, Som e Edição.

Um elenco composto de Astros e Estrelas

 

 



Frank Capra possuía total controle de sua carreira naquele momento e podia dispor de um elenco repleto de estrelas, iniciando com o grande Lionel Barrymore, irmão mais velho do clã Barrymore. Quem assiste ao filme verifica que seu personagem Martin tem dificuldades nas pernas. Na verdade tal fato foi adaptado após o ator sofrer uma lesão no quadril. Bem humorado, ele chegou a comentar na época: "A única coisa boa nisso tudo é que eu realmente não preciso me levantar para cumprimentar uma dama". Para aliviar as dores, Barrymore recebia injeções ao longo do dia.

E se temos um veterano, temos também uma atriz que estava dando os primeiros passos no estrelato. Ann Miller tinha apenas 15 anos quando iniciou as gravações, e sofreu um pouco para efetuar os passos de dança de sua personagem. A atriz falou em entrevistas posteriores que seus pés doíam, mas ela escondeu tudo da produção, mas não pode esconder de James Stewart que a flagrou em um canto da sala. Sem saber o motivo pelo qual ela chorava, o gentil ator lhe trouxe uma caixa de doces.




James Stewart alcançava seu auge a partir de então, trabalhando em até quatro produções anuais. Essa foi sua primeira colaboração ao lado de Capra e de Jean Arthur, estrela do filme. O ator chamou a atenção de Capra após o diretor ver sua atuação em Juventude Valente (1937).

Outro ator que merece destaque é o Donald Meek, que faz parte daquele time que achamos que conhecemos de algum lugar, mas não lembramos de onde. O ator que é creditado 128 vezes no IMDB fez boas participações sempre como coadjuvante em grandes filmes da época como Capitão Blood (1935) e No Tempo das Diligências (1939). Edward Arnold completa o núcleo central e segundo o IMBD deu muito trabalho durante as filmagens. Isso porque ele tinha a mania de falar repetidas vezes as suas falas aparentemente sem fim, frustrando e aborrecendo boa parte do elenco.

* O filme está sendo lançado pela Classicline em cópia legendada e dublada e pode ser adquirida em qualquer loja do ramo ou na Livraria Cultura.

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Carla Marinho

Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo. 

Website: www.facebook.com/carlaamarinho

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