Carol Reed se tornaria imensamente conhecido por seus filmes nas décadas de 30 e 40, dentre eles Gestapo (1940), Condenado (1947) e O Ídolo Caído (1948). O ganhador de cinco Óscares alcançaria com O Terceiro Homem (1949) alcançaria o status de um dos maiores diretores de suspense. Com enquadramentos diferenciados, perspectivas distorcidas e o uso constante de profundidade de campo para enfatizar estados de espírito dos personagens, trazia a marca do requinte a uma obra que é considerado por muitos a obra máxima do gênero.

 

 
 
O Terceiro Homem teve como base o roteiro escrito por Graham Greene. Fim da Segunda Guerra Mundial. Após receber uma proposta de emprego de seu amigo Harry Lime (Orson Welles), Holly Martins (Joseph Cotten)  chega a Viena cheio de esperanças. Porém, logo recebe a informação que seu amigo falecera após um atropelamento. Através de investigações conjuntas com Lime Anna (Alida Valli), Harry começa a desvendar o passado de seu amigo.

Graham Greene preferia um final diferente do apresentado no filme, mas Carol Reed preferiu manter o roteiro e modificar os nomes de alguns personagens, tornando-os mais americanos. Para a exibição na América, o produtor David O. Selznick preferiu retirar a narração da abertura e tornar Holly mais heroico. Para isso foram cortados 11 minutos que indicavam que o personagem era alcoólatra. Foi somente com a restauração do filme que tivemos esses momentos recolocados na história.


 
 

A escolha do elenco também foi uma obra conjunta de Selznick e Reed. O diretor indicara Jimmy Stewart para o papel principal, mas o produtor preferia Robert Mitchum. A prisão do ator fizera com que ele virasse os olhos para outra grande estrela: Joseph Cotton, que já era contratado do estúdio. Cary Grant foi a primeira opção de Carol Reed, mas não pode ser considerado já que na época estava em meio às filmagens de A Noiva Era Ele, de Howard Hawks. A presença de Alida Valli foi uma indicação direta de Selzinick e aceita pelo diretor. O produtor no entanto, ficou insatisfeito com o figurino utilizado pela atriz, que julgava simples demais. 
 
A trilha sonora de vienense Anton Karas merece destaque e é interessante frisar que ele foi encontrado por Reed em uma taberna tocando cítara. O diretor ficou impressionado e pediu a Karas que se dedicasse ao tema do filme. A principio o compositor não aceitou, pois ficara atordoado com o convite e nunca tinha escrito uma música. A trilha escrita por ele vendeu meio milhão de cópias até o final de 1949, um número sem precedentes na época. O sucesso aumentou o número de vendas de cítaras e ele ficou no topo da  Billboard durante onze semanas. 
 



A polêmica controvérsia de Orson Welles começou na seleção de atores. Selznick o considerava um veneno de bilheteria, e foi somente quando Reed bateu o pé que o ator foi escolhido para um personagem que aparece somente durante cinco minutos. Chegando com duas semanas de atraso às filmagens na Europa, Welles causou desconforto ao se negar a fazer as cenas no esgoto. Tinha medo de ficar doente por causa do cheiro forte e a solução encontrada pela produção foi utilizar dublês. 
 
 
 
Welles chegou a comentar em uma entrevista para a Cahiers du Cinéma que teve uma participação na co-direção do filme e teria escrito seu papel inteiramente. O diretor refutou a entrevista dizendo que o ator foi tão somente dirigido e que sua contribuição estava resumida a algumas frases improvisadas (como a famosa sobre os relógios cuco). O ator não foi a única dor de cabeça durante a produção. O diretor Carol Reed entrou em colapso nervoso após uma rotina que incluía 20 horas de trabalho diários e três núcleos de filmagens, se tornandoviciado em anfetamina.


No final, todo o sacrifício acabou valendo a pena. The Third Man se tornou o maior sucesso de 1949 no Reino Unido, e um delírio para fãs da obra. Uma versão para a rádio foi ao ar logo em seguida trazendo Cotten repetindo seu papel e Michael Rennie como Harry. Abaixo, algumas fotos dos bastidores do filme:
 







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Carla Marinho

Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo. 

Website: www.facebook.com/carlaamarinho

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