Houve uma Vez um Verão / Verão de 42 (1971)

 

 



No início da década de 70 Herman Raucher resolveu escrever um roteiro contando como foi o seu verão de 42, quando ele estava com 14 anos. Fazia isso inicialmente como uma homenagem ao seu amigo Oscar, falecido anos antes, e que compartilhou grandes momentos ao seu lado. Naquele verão ele conheceria Dorothy, uma bela mulher que invadiu seus sonhos de adolescente, e mudou sua vida.

 
A direção ficou a cargo de Robert Mulligan, e trazia como astros principais Gary Grimes (Hermie) e Jennifer O'Neill (Dorothy). Nos papéis secundários, Jerry Houser, Oliver Contant, Katherine Allentuck e Christopher Norris. Temerosos que o filme não fizesse sucesso, os produtores pediram que ele escrevesse suas memórias em forma de livro, e este acabou se tornando o grande best seller do ano. O filme, consequentemente, arrecadou mais de  US $ 32 milhões, e se tornou a sexta maior bilheteria de 1971. Mas porque uma história tão íntima se tornaria esse mega sucesso?
 


Primeiramente o fator nostálgico, enfatizado pela narração do próprio personagem já adulto. Na história ambientada na década de 40, Hermie divide seu tempo com os amigos. Estão todos na fase das descobertas, conhecendo novas garotas, espantando-se com livros que falam sobre sexo e tentando de alguma maneira aprender um pouco mais sobre tudo o que acontece entre quatro paredes. Hoje pode parecer meio exagerado, mas nem tanto se nos deslocarmos para a realidade castradora que os cercava e os sentimentos eram abafados em nome das boas maneiras. É nesse cenário que ele vislumbra a bela Dorothy, uma mulher casada com um soldado e que cumpre todos os elementos para uma paixão platônica. O casal apaixonado acende a chama do que o próprio Hermie gostaria de ter para si mesmo. Após a partida do marido, os dois experimentam uma aproximação, e acabam se tornando amigos. 
 


Outro fator que corrobora para o sucesso é a marcante trilha sonora encabeçada pelo tema "The Summer Knows", de Michel Legrand. Quem tem mais de 30 anos com certeza já ouviu muito essa música que pontua boa parte do filme em diversas variantes e aumentando ainda mais o tom nostálgico. Passeando por alguns comentários verifiquei o quanto este filme acabou marcando algumas pessoas, sobretudo aqueles que o viram ainda na adolescência. Aos olhos atuais, permanece o retrato de uma juventude de uma época em que o acesso às informações eram extremamente limitadas, algo que não encontra eco nas gerações atuais. E claro que a história dialoga mais com os rapazes, afinal foi escrito dando ênfase aos diálogos e memórias do protagonista. É sua visão sobre o acontecimento, e raramente verificamos algum diálogo que deixe margem para os pensamentos das personagens femininas, sobretudo o de Dorothy. Tal fato pode-se dar por questões biográficas mesmo, já que Raucher pouco sabia sobre seu objeto de desejo. 
 
Uma curiosidade não sobre o filme, mas sobre a estrela Jennifer O'Neill, é que ela é brasileira, e chamou enormemente a atenção dos jovens e marmanjos com esse filme. Infelizmente não conseguiu grandes sucessos após isso. 
 
 
 
*** O filme está sendo lançado no Brasil pela Classicline e pode ser encontrado em qualquer loja do ramo. Você pode comprar online na Livraria Cultura.



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Carla Marinho

Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo. 

Website: www.facebook.com/carlaamarinho

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