Cleopatra (1963) é considerado o mais caro filme já feito e um dos maiores fracassos comerciais de todos os tempos, quase levando a 20th Century Fox à falência. Doença da protagonista, grandes gastos e escândalos rechearam os bastidores do filme.

 
Na década de 50, a  20th Century Fox estava com problemas financeiros. Os executivos começaram a procurar um roteiro que fosse curto e que rendesse lucros à Companhia. Foi aí que chegaram ao roteiro de Cleópatra, produção que foi realizada em 1917 e que tinha como protagonista Theda Bara. 

Walter Wanger iria produzir essa nova versão, e recebeu o prazo de 62 dias para finalizar o roteiro. O produtor sugeriu que a atriz contratada fosse do cast da Fox. Surgiram nomes como Joanne Woodward e Joan Collins. Collins chegou inclusive a fazer um teste. Com o aumento do orçamento, outras atrizes foram cogitadas: Dorothy Dandridge, Audrey Hepburn, Sophia Loren e Susan Hayward. Mas Wanger tinha em mente outra atriz: Elizabeth Taylor. 
 
 

 




Elizabeth recebeu a ligação da Fox quando estava filmando Suddenly, Last Summer. A princípio ela achou a proposta ridícula e falou em tom de deboche que só concordaria se recebesse um milhão de dólares. Wanger achou a proposta justa e aceitou. O que era uma brincadeira se tornou real, e ela foi contratada. Foi a primeira vez em que uma atriz seria contratada por um valor tão alto. No final, com os atrasos e horas extras a atriz receberia mais de 7 milhões de dólares por sua atuação.

Rouben Mamoulian foi contratado para dirigir o filme. Ele era conhecido por ser um grande artista visual e por ter trabalhado com estrelas que tinham um temperamento forte. Liz exigiu que Peter Finch interpretasse César. Os dois haviam atuado juntos em Elephant Walk. 

O filme seria gravado inicialmente em Londres. Os gastos começaram com o investimento de 600 mil dólares em cenários e figurinos. O clima em Londres nesse período era muito frio e as fortes chuvas fizeram com que muitos cenários começassem a cair.
 

 



O clima também contribuiu para que Elizabeth Taylor adoecesse. A atriz ficou gripada e a sua situação de saúde foi se agravando com o tempo. Posteriormente ela pegou uma forte pneumonia. Os boatos sobre a saúde da estrela começaram a tomar conta do mundo, e alguns jornais chegaram a noticiar sua morte. 

Apesar da atriz principal estar de cama, as filmagens tiveram início. Para isso começaram a filmar cenas externas em que ela não estaria presente. No entanto Cleopatra era o foco do filme e pouca coisa podia ser feito sem ela. 

 


Com a doença de Liz os estúdios tinham um prejuízo de 100 mil dólares por dia. O roteiro teve que ser reescrito sem sua presença e logo tiveram que parar por um mês pois já tinham feio tudo que podiam sem Liz. 

O roteiro reescrito não agradou ao ator Peter Finch, que logo fez a notícia chegar até Liz. Esta engrossou as críticas, apesar de Mamoulian defender seu trabalho. O diretor colocou seu cargo à disposição do estúdio, que prontamente aceitou sua demissão. Em janeiro de 1961 o diretor deixou a produção, deixando para traz apenas 10 minutos de filmagens e 16 de trabalho. 







Elizabeth sugeriu o diretor Joseph L. Mankiewicz, com quem já tinha trabalho. Seduzido por uma proposta tentadora ele assumiu a direção. Chegando em Londres ele passou para ver os cenários e achou tudo muito exagerado. Aproveitando da doença de Liz, o diretor  decidiu reescrever todo o roteiro. Até esse momento 12 milhões de dólares já tinham sido gastos.

Surgiu a ideia de gravar em uma cidade menos fria. Além do problema do tempo tinha a doença de Liz. Os cenários foram todos derrubados e todos partiram para Roma, onde recriariam os cenários no estúdio Cinecitá. Mankiewicz supervisionou a criação dos cenários, trabalhando intensamente até que tudo estivesse pronto. A quantidade de material usado na construção foi tão grande que chegou a faltar material de construção em Roma.
 
Mudanças no roteiro foram necessários depois que Peter Finch e Stephen Boyd retiraram-se do projeto devido a outros compormissos firmados anteriormente. Chegaram a cogitar o ator Lawrence Olivier para o papel de César, mas ele já tinha outro compromisso e não pode assumir mais este.  Rex Harrison acabou sendo contratado. 
 

 

 
 
 
Richard Burton tinha tido grande destaque por sua atuação em The Robe (1953), e foi o escolhido para o papel de Marco Antonio. O elenco estava completo. Milhares de extras foram contratados e 20 mil figurinos realizados. 

As filmagens começaram quase um ano após o início do projeto em Londres. Elizabeth finalmente estava bem e com saúde e as suas primeiras participações foram feitas em sequência, já que o diretor ainda estava escrevendo o roteiro. 
 
Elizabeth e Richard haviam se conhecido anos antes, mas ela não havia gostado do ator. Achara-o prepotente. No primeiro dia de filmagem juntos ele chegou bêbado e ela conheceu uma nova face do ator. Conhecido por ter romances com todas as atrizes com quem contracenava, já era esperado que os dois acabassem se envolvendo.
 
Antes que o caso se tornasse público, Richard terminou com Liz, que ficou profundamente abalada, chegando a faltar às filmagens. Pouco tempo depois o casal era visto junto novamente, andando pela cidade e jantando em restaurantes famosos sem esconder o romance. Todos temiam que o romance entre os dois se tornasse público e prejudicasse a produção. Logo paparazzi perseguiam o casal e jornais começavam a publicar fofocas sobre o envolvimento extra conjugal.
 

 


Elizabeth Taylor era casada com Eddie Fisher, e para ele foi uma humilhação pública. Deprimido, ele voltou para Nova York a conselho do pai. O público que havia riscado o cantor de sua agenda após a traição a Debbie Reynolds ficou com pena após ele ter sido traído. 

Os que antes oravam pela saúde de Liz agora a xingavam publicamente pelo amor proibido e até o Vaticano se pronunciou, emitindo uma declaração a respeito do novo casal.

Enquanto isso, o filme estava levando o estúdio à falência. A Fox estava na sua pior crise desde sua criação e nenhum filme, fora Cleopatra estava sendo produzido. Para tentar solucionar o problema financeiro, foi lançado o filme O Mais Longo dos Dias, que rendeu 18 milhões de dólares no primeiro ano. Mas isso não era suficiente para abarcar a quantidade de dinheiro investido em Cleópatra.
 
 

 



Finalmente o filme estava terminado e Darryl F. Zanuck não estava gostando de tanto material filmado. Como não existia um roteiro de filmagens ele não sabia onde começar a edição. Foi então sugerido pelo diretor que se fizessem dois filmes, lançados no meio e no final do ano. 
 
Zanuck, pensando no romance entre os astros principais, e na atenção que isso causou no público, não gostou da ideia. Queria lançar um único filme para ganhar dinheiro em cima das fofocas de bastidores. No final Mankiewicz estava decepcionado como resultado, achando que fez um péssimo filme. 
 
Várias cenas foram cortadas e personagens inteiros tirados do filme, reduzindo de seis para 4 horas e 12 minutos. Após uma maciça campanha de marketing, o filme estreou em 12 de junho de 1963. Logo as mulheres estavam imitando a maquiagem e corte de cabelo usados por Liz. 
 
 

 



44 milhões de dólares depois, a produção estreava e apesar do New York Times elogiar, a maioria dos críticos foi menos condescendente com Cleópatra. O tempo de exibição alto era o maior dos problemas, e o filme mais uma vez foi cortado, ficando  3 horas horas e 14 minutos, metade do filme original. 
 
Mankiewicz e Elizabeth Taylor ficaram arrasados com o corte. As partes cortadas jamais foram encontradas, com exceção de pequenos fragmentos de cenas. 

Cleopatra recebeu 9 indicações ao Oscar, ganhando os de Melhores efeitos especiais, Melhor fotografia - colorido, Melhor figurino - colorido e Melhor direção de arte - colorido.

As críticas negativas estigmatizaram Cleopatra transformando em um grande fracasso de bilheteria dos anos 60. Arrebatou 24 milhões de dólares no primeiro ano. Somente em 1968 com Sound of Music a 20th Century Fox sairia do vermelho. No final Cleópatra se tornou um grande elefante branco. 


Fotos dos Bastidores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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Carla Marinho

Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo. 

Website: www.facebook.com/carlaamarinho

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