Cantando na Chuva de A a Z

A passagem do cinema silencioso para o falado: é mostrada de forma caricata no filme, já que se trata de uma comédia musical. Mas na época foi mesmo um desespero: dificuldades dos astros em se adaptar ao novo cinema, o falado, gesticulando exageradamente, quando não havia mais necessidade. E o som, tal qual ocorreu na época, também ocorreu com distorções, vozes alteradas, chiados, barulhos exarcebados, fora de sincronia e público reclamando.

"Broadway Ballet": pode ser considerado, por seu tamanho, um filme dentro de outro filme. Nele surge Cyd Charisse, numa história à parte, com Gene Kelly em uma história totalmente diferente da vivida em Cantando na Chuva. A dança de Cyd, uma vamp, é sedutora e inebriante e o nível completamente diferente dos números dançados por Donald e Debbie Reynolds.


Cosmo: o papel de Cosmo foi escrito para Oscar Levant, mas foi imortalizado por Donald O'Connor.


Dublagem: Betty Noyes dublou as músicas "Would You" e "You Are My Lucky Star". Mas a voz de Debbie Reynolds pode ser ouvida na música "Lucky Star", quando ela fica ao lado do cartaz de Gene Kelly e antes de aparecer no palco atrás de Lina.


Ensinada: Cyd Charisse aprendeu a fumar para a sequência vamp do filme.





Febre: Gene estava gripado e com muita febre ao fazer as famosas cenas de chuva que caracterizam o filme. Mesmo assim refilmou diversas vezes. Quando melhorou, fez em um take só.

Grito: O'Connor foi outro que admitiu que não gostou de trabalhar neste filme com Kelly, pois tinha medo de levar um grito dele se errasse. Chegava a fumar quarto carteiras de cigarro de tanto nervosismo.

Horas por dia de trabalho: os atores e produção chegavam até a 19 horas de trabalho por dia.

Insultos: Debbie Reynolds considerou Gene Kelly um tirânico com ela fora das telas. Ela era uma estreante e estava nervosa ao estrear justamente ao lado dele. Ele a ensaiou exaustivamente e não tinha paciência, fazendo-a chorar diversas vezes. Numa dessas, Fred Astaire a encontrou e lhe deu algumas dicas de como dançar. Um gentleman.




Jean Hagen: No número "Would You" ela dubla Debbie Reynolds falando enquanto a Betty Noyes dubla ela cantanto. É irônico isso, mas é verdade. A Hagen tinha a voz muito suave e bela. Foi indicada ao Oscar pelo papel.

Leite: foram espalhados leite nos cenários para que Gene soubesse onde estavam os buracos nas cenas do musical Cantando na Chuva.

Muitos: personagens aparecem como caricaturas dos atores do cinema silencioso, como a vamp, representando as atrizes que se comportavam como tal.

Novata: aos 19 anos, Debbie ainda morava com os pais e tinha que acordar às 04h da manhã e pegar 3 ônibus para chegar nos Estúdios. Muitas vezes, com medo de perder a hora, ela dormiu nos estúdios.
 


O Pirata: "Make 'Em Laugh", cantada e dançada por Donald O'Connor é um plágio do musical "Be a Clow", cantado e dançado por Judy Garland e Gene Kelly em O Pirata.

Primeiro: vieram as músicas, e só depois o roteiro do filme foi feito. Dessa forma os escritores puderam encaixar as músicas dentro da história.

Queriam: Judy Holliday no papel de Lina Lamont.

Roupas: velhas e artigos de outros filmes foram utilizados, como objetos (tapetes, cadeiras, mesas) da mansão usada por Greta Garbo e em A Carne e o Diabo que podem ser vistas no musical "Good Morning".




"Singin 'in the Rain": foi cantado pela primeira vez no musical "The Hollywood Revue of 1929", depois em "Speak Easily" de 1932 e ainda em "Little Nellie Kelly", 1940.


Todas essas atrizes foram cogitadas para o papel de Kathy: Judy Garland, June Allyson, Ann Miller, Jane Powell e Leslie Caron. Mas foram consideradas velhas demais.


Ui: as gravações de Cyd Charisse foram várias vezes interrompidas pois foi descoberto que seus pelos pubianos apareciam em várias sequências de dança.


Verdade: "Good Morning" foi cantado pela primeira vez em "Sangue de Artista", por Judy Garland e Mickey Rooney.




Walter Plunkett: figurinista do filme, trabalhava nos Estúdios desde 1929, e sabia exatamente o que se usava na época retratada.

X: O calhambeque dirigido por Debbie foi o mesmo usado por Mickey Rooney na série Andy Hardy.

Zero: o negativo do filme foi destruído em um incêndio.

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Carla Marinho

Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo. 

Website: www.facebook.com/carlaamarinho

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