Dentre as principais características de sua obra estão os longos planos em movimento, a atenção dada aos cenários e uma estreita relação entre as angústias de seus personagens e o ambiente. Crimes d'Alma, seu primeiro longa, já traz traços de sua genialidade tantas vezes considerada tediosa por alguns. Mas foi com A Aventura (1960) que ele ganhou destaque e amadureceu seu estilo. Com A Noite (1960) e O Eclipse (1962) formou a trilogia sobre a alienação. O diretor também voltou seu olhar para filmes que observavam outros locais como o documentário Chung Kuo (1972) e Blow-Up (1966), um de seus mais icônicos filmes. Seu primeiro filme colorido foi Il Deserto Rosso (1964).

O diretor formado em economia chegou à Roma em 1940, quando começou seus estudos na Cinecittà. Lá conheceu diversos cineastas e artistas com quem criaria forte vínculo em filmes posteriores. O cineasta que influenciou outros diretores de nossa geração, como Stanley Kubrick e Wim Wenders, trabalhou com Roberto Rossellini de quem era grande admirador.

Antonioni seguiu um caminho diversos de seus colegas de época, que caminhavam alinhados com o neorrealismo italiano, forte corrente que ganhou força após a segunda guerra mundial. Apesar de se identificar como um marxista, Antonioni dificilmente desenvolveu um trabalho mais voltado para a classe trabalhadora, preferindo focar na burguesia. Mas é importante notar como muitos desses personagens podem ser vistos como pessoas alienadas e frívolas. Um exemplo disso é o casal de A Noite, que vive seus últimos tempos juntos e não conseguem viver em harmonia. Blow-Up, por sua vez, mostra o mundo de um fotógrafo de moda, rodeado por belas modelos frívolas e alheio ao mundo. Antonioni também trabalhou para a MGM, após assinar um contrato com Carlo Ponti.

O diretor não era uma unanimidade no seu meio, por causa de seu estilo lento, e tinha como ferrenhos críticos: Ingmar Bergman (que falava o quanto seu cinema era tedioso), François Truffaut (que falou que era o único diretor importante sobre quem ele não tinha nada a dizer) e Orson Welles (que disse certa vez que ver um filme dele era como estar morto).


Curiosamente, o diretor partiu no mesmo dia que seu colega de profissão. Tanto ele quanto Ingmar Bergman faleceram em 30 de julho de 2007. Vamos a uma seleção de filmes de Antonioni:


O Eclipse (1962): Após passar a noite discutindo, Vittoria (Monica Vitti) rompe com Riccardo (Francisco Rabal), seu namorado. Ao ir se encontrar com a mãe (Lilla Brignone) na Bolsa de Valores, Vittoria conhece Piero (Alain Delon), um jovem e elegante corretor da bolsa. Ele é um sedutor e ela resiste no início, mas gradativamente vai se apaixonando.
 



As Amigas (1955): Clelia deixa Roma para abrir um novo saloon em sua terra natal. Em sua primeira noite, a mulher da porta ao lado toma uma overdose de pílulas. Clélia envolve-se com a intenção de ajudar, assim tornando-se amiga.
 



A Aventura (1960): No final do verão, um grupo de romanos endinheirados parte em um cruzeiro da Sicília e para em uma desolada ilha no meio do Mediterrâneo. Tudo vai bem até que Anna (Lea Massari) some. Os viajantes decidem então que parte do grupo deve ir até uma ilha próxima para comunicar o desaparecimento. Sandro (Gabriele Ferzetti), o namorado, e Claudia (Monica Vitti), a melhor amiga de Anna, permanecem no local do misterioso desaparecimento e, enquanto a procuram, acabam se apaixonando.
 





Blow-Up - Depois Daquele Beijo (1966): Thomas (David Hemmings) é um fotógrafo de moda que não suporta mais o mundo em que vive, no qual jovens mulheres o perseguem para serem fotografadas na esperança de se tornarem grandes modelos. Um dia, ao passar por um parque de Londres, ele vê um casal à distância e resolve fotografá-los. Ao vê-lo Jane (Vanessa Redgrave) corre ao seu encontro, pedindo que lhe entregue os negativos das fotos. Ele se recusa e vai embora, mas ela descobre o endereço de seu estúdio e vai visitá-lo. Lá Jane tenta seduzi-lo e Thomas a engana, entregando outro rolo fotográfico. Ao revelar as fotos, Thomas percebe que pode ter documentado, sem querer, um assassinato.
 



Crimes da Alma (1957): Casada há apenas um ano com um rico empresário, Paola reencontra um antigo amor. Ao mesmo tempo, seu marido ciumento pede que um detetive investigue seu passado.
 



Identificação de uma Mulher (1982): Após ser abandonado pela esposa, um diretor de cinema tem a idéia de fazer um filme sobre as relações amorosas femininas. Então, ele sai em busca da atriz ideal para interpretar a protagonista do filme e, também, de sua vida.
 



O Deserto Vermelho (1964): Giuliana (Monica Vitti) é uma atormentada dona de casa. Casada com o engenheiro industrial Ugo (Carlo Chionetti), vive como o marido e o filho nas proximidades da fábrica e sente-se mal sem saber o porquê. Enquanto Ugo ignora seu frágil estado psicológico, Giuliana tenta abrir uma loja e acaba por envolver-se com Corrado (Richard Harris), um engenheiro britânico que parece disposto a escutá-la.
 



O Grito (1957): Após sofrer desilusão amorosa com uma mulher casada, com quem manteve um longo caso e teve uma filha, o operário Aldo inicia uma jornada existencial pelas estradas da Itália, em busca de respostas. Vagando de cidade em cidade, envolve-se com outras mulheres, à procura de uma saída para o vazio de sua vida.
 



A Noite (1961): Após dez anos de casamento, Lídia e Giovani passam uma noite permeada de momentos de angústia e luxúria, numa busca involuntária de respostas para a crise de seu relacionamento. Segundo filme da célebre "trilogia da incomunicabilidade", formada ainda por A Aventura e O Eclipse.
 



 
Profissão Repórter (1975): David Locke (Jack Nicholson) é um jornalista em viagem ao Deserto do Saara para reportar sobre as guerrilhas que acontecem no local. No hotel, ele conhece um homem muito parecido com ele que morre repentinamente. Querendo livrar-se dos seus problemas e mudar sua vida, David resolve assumir a identidade do falecido na espera de lvar uma vida mais interessante. Aceitando as consequências, logo ele descobre que o homem era um traficante de armas.
 







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Carla Marinho

Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo. 

Website: www.facebook.com/carlaamarinho

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