Um Drama real Arruinou a vida de um Homem e Inspirou Hitchcock


Alfred Hitchcock adorava trazer para as telas personagens que por algum motivo se viam injustiçados e perseguidos por coisas que não fizeram. Foi assim com Ben McKenna (James Stewart) em O Homem que Sabia Demais, com Barry Kane (Robert Cummings) em Sabotador (1942) e Roger O. Thomhill (Cary Grant) em Intriga Internacional (1959). Inspirado em um caso real, o mestre do suspense mais uma vez investiria na injustiça através do personagem Manny Balestrero no filme O Homem Errado (1956).


Janeiro de 1953 ficaria marcado como aquele que mudaria de maneira radical a existência do músico. Em determinado horário, Manny Balestrero se encaminhou para um escritório de seguros. Ele tencionava trocar uma apólice no nome de sua esposa Rose, mas o que encontrou lá o deixou em choque. Um por um, os funcionários começaram a identifica-lo como o assaltante que levara anteriormente 271 dólares do cofre.Assustados, entraram em contato com a polícia que o prendeu imediatamente. Levado a julgamento, Balestrero começou a perder a esperança de ser salvo, e viu sua esposa Rose enlouquecer aos poucos. Abalada pelos acontecimentos, a mãe de seus dois filhos entrou em colapso nervoso, e julgava-se culpada pelo desastre em suas vidas. 
 
Balestrero e Charles
 
O mal entendido começou a ser desvendado quando policiais notaram que o desempregado Charles James Daniell tinha fortes semelhanças físicas com o músico. Durante um interrogatório, finalmente Daniell assumiu ter feito em torno de 40 assaltos em diversas lojas. 
 
Após o triste acontecimento, Balestrero mudou-se com a família para a Flórida, e tentou refazer sua vida, voltando a trabalhar como músico. Mas não foi fácil deixar para trás amigos, parentes, casa e até a mobília. Ele abriu um processo contra a cidade e a companhia de seguros, além de vender os direitos da história por 22 mil dólares. Sua esposa ficaria internada até 1955, mas jamais se recuperaria totalmente. Ele chegou a escrever um artigo em 1953 falando sobre o impacto sofrido. Nele, o músico falou: "Antes de acusar alguém você deve pensar antes, já que poderá destruir sua família física e mentalmente". O músico faleceu em 1998, 14 anos depois de Rose. Morava então em um lar de idosos. 

 


Ao comprar os direitos da história ocorrida quatro anos antes, o diretor quis reproduzi-la fielmente. Isso significava filmagens realizadas nos locais como lojas de Nova York e o presídio. Henry Fonda, já um ator consagrado, entregou um das maiores performances de sua carreira, sobretudo na soberba cena do pânico na prisão. Em entrevista para François Truffaut, o diretor falou sobre a escolha de usar efeitos que lembram tontura para exaltar a situação mental do personagem. Também Vera Miles entrega uma personalização absurda de Rose, sobretudo nas cenas em que ela começa a dar os primeiros sinais de loucura.


Uso da câmera subjetiva


Cenas do filme

 

 

 

Cenas do filme



Ajudaram neste texto:

 
http://nypost.com/2016/02/07/a-case-of-mistaken-identity-ruined-this-mans-life-and-inspired-hitchcock/

https://foldingseats.wordpress.com/tag/the-true-story-of-christopher-emmanuel-balestrero/

https://www.dnainfo.com/new-york/20140918/elmhurst/street-be-renamed-for-musician-who-inspired-hitchcocks-wrong-man

 

 

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Carla Marinho

Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo. 

Website: www.facebook.com/carlaamarinho

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