Barbra Streisand é uma das estrelas mais completas de Hollywood. E eu nem preciso dizer porque amo esta mulher: atriz, produtora e dona de uma voz que encanta gerações. Para quem não sabe, ela também é diretora. E foi precisamente há 33 anos que ela dirigiu seu primeiro filme que arrancou elogios de Steven Spielberg. Segundo o americano, sua estréia na direção foi a melhor desde Cidadão Kane (1944). Há motivos para compará-la ao atarracado diretor que revolucionou o cinema quando cada um seguiu um caminho distinto na direção? Enquanto um investiu em revoluções técnicas, a outra traz um sensível olhar sobre uma mulher no mundo dos homens. Precisamos falar um pouco mais sobre Yentl, o lançamento da Classicline.

 

 

 

 

Aqui está Yentl Mendel, uma garota judia que mora com seu pai, um homem religioso que permite que a filha estude, algo estranho à sociedade religiosa local. Após a morte do pai, e sozinha no mundo, Yentl deseja seguir seus estudos do Torah e do Talmude. A única maneira de estudar em uma sociedade extremamente patriarcal, é ser homem. É aí que ela resolve se transformar em um. Não será fácil porque no meio do caminho existirá Avigdor (Mandy Patinkin), um estudante por quem ela inevitavelmente irá se apaixonar (ao olhar Mandy Patinkin entendemos perfeitamente, Yentl). Um outro problema surge pela frente quando Avigdor é impedido de se casar com sua noiva, a bela e recatada Hadass (Amy Irving). Motivado por seu amigo, Yentl acaba por se casar com a moça, mas, evidentemente, é impossibilitada de consumar o ato. E agora, moça?

 

 

 

 

 

Bem, quando comprou os direitos para realizar o filme em 1968, Streisand tinha 26 anos e desejava interpretar a protagonista. Anteriormente a história havia sido levada aos palcos em um espetáculo assinado por Leah Napolin e Isaar Bashevis e que estreou na Broadway em 1975. Mas foi somente uma década depois que ela recebeu o aval para iniciar as filmagens. É estranho vê-la como uma jovem de 17 somente se você se atentar a esse pequeno detalhe dos bastidores, já que esse fato não é citado. 

 

 

 

Embora os autores tenham negado em várias ocasiões que a história tenha conotações feministas, não há como não encaixar sua história como uma. E há motivos bem evidentes: nossa heroína é uma mulher se rebelando contra um sistema, sem culpa, desafiando a religião e as questões de gênero. Não, ela não deseja superioridade, como chega a falar em um dos diálogos, só quer a liberdade de poder escolher, evoluir, estudar. O fato de tal liberdade dela ocorrer quando adentra num mundo masculino contribui para um questionamento sobre a adequação dos papéis de gênero dentro da religião. Seus embates com Avigdor, de "homem para homem" demonstram que a mulher é um reflexo do que a sociedade lhe impôs. Com um caráter quase pedagógico, ela também tenta abrir a mente de sua "noiva" para que esta reflita e conheça um pouco mais sobre a sua religião, para que não se deixe abater por leis dirigidas por homens, e que passe a se defender dos disparates machistas de sua comunidade. Parece inútil, já que Hadass foi educada para ser subjugada e dificilmente entenderá de outra forma. Mais uma vez Yentl reafirma seu lugar na sociedade, afirmando que o lugar da mulher é onde ela queira estar.

 

 

 

O esforço em produzir em todas as escalas um filme acabou tornando Barbra a primeira mulher a receber o Globo de Ouro de Melhor Diretora. Mais tarde ela seria indicada por o Príncipe das Marés (1991). É terrível pensar que até hoje somente uma mulher ganhou o Oscar de Melhor Diretora. E lá estava também Stresand para entregá-lo nas mãos de Kathryn Bigelow. No final, ela demonstra uma mão firme para tratar de assuntos como somente uma mulher faria. "" SPOILER '' Vide a cena em que ela mostra finalmente a Avigdor que é uma mulher. Os olhos de Avigdor repousam sobre seus seios, e nós repousamos sobre o olhar de Yentl. A diretora escolheu fazer a cena de uma maneira íntima, sem nudez e forma extremamente sensível e sem exageros. A escolha por um final não convencional demonstra também o caráter libertário dessa mulher, que prefere a liberdade ao amor.

 

 

Yentl foi lançado em dvd pela Classicline. O dvd conta ainda com o trailer original e pode ser adquirido em qualquer loja do ramo. Você também pode comprá-lo online na Livraria Cultura.

 

 

Abaixo mais algumas fotos:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Last modified on Monday, 02 January 2017 12:07
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Carla Marinho

Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo. 

Website: www.facebook.com/carlaamarinho

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