11 Filmes Essenciais de Vittorio de Sica

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Um dos precursores do neorrealismo italiano, Vittorio de Sica colecionou glórias em sua carreira, e foi também conhecido por sua parceria com Sophia Loren e por sua obra-prima: Ladrões de Bicicleta. A guerra e as suas consequências marcaram seus principais filmes.

De Sica nasceu em uma família simples de Sora (Itália), no ano de 1901. Ainda jovem mudou-se para Nápolis e trabalhava para ajudar seus pais. Os tempos de guerra deixaram marcas profundas, que ele iria explorar em seus filmes, sobretudo Ladrões de Bicicleta. Contraditório em sua essência, conseguia ser ao mesmo tempo um jogador compulsivo, católico fervoroso, um marido amoroso porém traidor e comunista. Rumou para o mundo do teatro, e estreou nas telas do cinema como ator em Il Processo Clémenceau (1921), quando tinha apenas dezesseis anos. O IMDB o cita em 163 produções entre 1917 e 1976 (dois anos após sua morte).
Vittorio com Sophia e Marcello
Ainda como ator, foi indicado por sua participação em Adeus às Armas (1957) e fez par com belas italianas, dentre elas Sophia Loren. Não por acaso a atriz deu o nome de seu filme à autobiografia que lançou recentemente, “Ontem, Hoje e Amanhã”. Os dois tinham um vínculo muito forte e é com carinho que a italiana relembra dele:

“Sem De Sica jamais me tornaria aquilo que sou, jamais teria encontrado minha verdadeira voz. Seu talento e sua confiança foram os dons mais valiosos que a vida podia me dar e, por isso, ele viverá eternamente em minha memória”.

Os dois se conheceram quando ela tinha dezenove anos e estava em busca de sucesso na carreira. Naquele dia a atriz relembra que ele lhe deu um conselho de ouro: “O mundo é uma selva, Sophia, fique de olhos bem abertos. Mas se tem paixão, e pelo que posso ver a senhorita tem para dar e vender, confie em si mesma que tudo vai dar certo!”.

A carreira como diretor começou durante o período da guerra, e ele se tornou a voz das ruas, sempre em busca de um rosto desconhecido que pudesse transmitir para as telas a beleza das pessoas comuns. Ele gostava de dirigir sobretudo crianças, idosos e pessoas simples, e sua experiência no teatro e nas telas como ator fez a diferença quando começou a dirigir. Mas não eram apenas dramas que o identificavam, ele também explorava seu vício em jogos colocando-os nas mãos de alguns de seus personagens. Sica recebeu três Oscars de Melhor Filme Estrangeiro: Vítimas da Tormenta (1945) prêmio honorário, Ontem, Hoje e Amanhã (1963) e O Jardim dos Finzi-Contini (1971). O diretor faleceu em 13 de de Novembro de 1974 após realizar uma cirurgia no pulmão.
Aqui estão os dez filmes do diretor que julgamos serem essenciais:
A Culpa dos Pais (1944): Realizado em plena guerra, o filme mostra a pressão sofrida por uma mulher que abandona seus filhos e marido. As consequências são devastadoras para todos. Aqui De Sica trabalhou pela primeira vez com Cesare Zavattini, que lhe ajudou no roteiro. O filme foi uma resposta de De Sica ao governo fascista que o sondara.

Vítimas da Tormenta (1946): Um retrato das crianças de rua na Itália pós-guerra. Giuseppe e Pasquale são duas das crianças, dois grandes amigos que vivem de lustrar os sapatos de soldados americanos. Eles dividem suas esperanças e seus sonhos inocentes de um futuro melhor, mas acabam presos numa terrível instituição para menores.O filme é um belo exemplar do neorrealismo. Os atores utilizados não eram profissionais e se centra mais uma vez na luta de crianças pela sobrevivência durante a guerra.

Ladrões de Bicicletas (1948): Talvez o mais lembrado de seus filmes. A história se passa logo após a Segunda Grande Guerra, com a Itália destruída e o povo passando necessidade. Ricci consegue um emprego após muita espera. Só que esse emprego, de colador cartazes na rua, lhe pedia como obrigação uma bicicleta. Ricci e sua mulher Maria conseguem um dinheiro para uma, possibilitando que ele realize o seu trabalho. Há também o menino Bruno, filho do casal. Fascinado por bicicletas, o menino cai de cabeça com o pai na busca pela bicicleta que lhes foi roubada, quando Ricci trabalhava apenas em seu primeiro dia. Um filme dolorosamente trágico.

Umberto D. (1952): Desta vez De Sica foca na velhice e embora não tenha sido bem recebido, se configura hoje como um de seus melhores filmes. Na Itália do início dos anos 1950, enquanto a economia do país renasce, os idosos sofrem com as miseráveis pensões dadas pelo governo. Em Roma, Umberto Domenico Ferrari, um funcionário público aposentado, é despejado por não conseguir pagar o aluguel de seu quarto. Na companhia de seu único amigo, o cachorrinho Flik, Umberto vaga pelas ruas, buscando apenas um objetivo: viver com dignidade. Um filme comovente.

Quando a Mulher Erra (1953): Realizado em co-produção com David O. Selznick, traz Jennifer Jones e Montgomery Clift como personagens principais. O filme tem duas versões, uma menor lançada na América e uma estendida lançada na Europa. Aqui Jennifer é a esposa americana que vai à Roma passar um feriado. Montgomery Clift é seu amante italiano. Ela tenta dizer adeus na Estação Central de trem e ele implora para que ela fique. O amor levado às últimas conseqüências, chegando ao limite da degradação humana.

O Ouro de Nápoles (1954): o filme traz uma coleção de seis curtas que mostram Nápolis tal como De Sica se recordava de sua adolescência. O diretor também protagoniza uma das histórias que mostra um herdeiro de uma família rica que arromba cofres. O elenco conta também com Sophia Loren.

Duas Mulheres (1960): O filme que rendeu a Sophia Loren o Oscar de Melhor atriz. Estrelado também pelo francês Jean-Paul Belmondo, mostra o drama de uma mulher e sua filha adolescentes que fogem durante a guerra e seus sacrifícios para manter sua dignidade em um período tão sombrio da história.
Ontem, Hoje e Amanhã (1963): De Sica volta-se mais uma vez para as comédias e traz seus atores preferidos. Três histórias sobre três mulheres diferentes e o homem o qual elas amam. Em Nápoles, Adelina (Sophia Loren) que é casada com Carmine (Marcello Mastroianni) um vagabundo, foi presa por contrabandear cigarros. Só que ela descobre que não pode ir para a cadeia enquanto estiver grávida. E agora, anos após e sete filhos depois, Carmine está “ligeiramente impotente” e a cadeia parece inevitável para Adelina que tenta “incentivá-lo” de todas as maneiras. Em Milão, Anna (Sophia Loren) dirige um Rolls Royce e está aborrecida ao lado de seu amante (Marcello Mastroianni). O casal discute e troca palavras hilariantes passando por uma série de contra-tempos engraçados. Mara (Sophia Loren) é uma garota de programa cujo encontro com o “ansioso” Augusto (Marcello Mastroianni) a todo instante é “interrompido” pelo vizinho, um seminarista cujo compromisso com a castidade está estremecido desde o momento em que a conheceu.
Matrimônio à italiana (1964): Filumena faz parte da galeria de mulheres fortes do cinema italiano. Durante a Segunda Grande Guerra, Domenico um bem sucedido homem de negócios e com uma grande queda pelas garotas, encontra a jovem e linda Filumena em um bordel. Após a guerra ele aluga um apartamento para ela e os dois se tornam amantes durante 22 anos. Porém, o que Domenico não sabe, é que Filumena tem três filhos que são criados por babás, e ao mesmo tempo, ele inicia planos para se casar com uma jovem empregada. Fingindo estar à beira da morte, Filumena tenta enganá-lo para que ele se case com ela. Domenico cancela seu casamento e Filumena lhe conta sobre os seus três filhos dizendo que um deles pertence a Domenico, mas não lhe diz qual.
Os Girassóis da Rússia (1970): Os Girassóis da Rússia, uma das mais tristes histórias de amor do cinema. Dirigido pelo mestre Vittorio De Sica, este clássico romântico tornou-se um dos maiores sucessos da dupla Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Emocione-se com a história de um casal separado pela Segunda Guerra. Após anos sem notícias, ela viaja para a Rússia em busca do marido, atravessando cidades e campos de girassóis. Quando enfim ela o encontra, percebe que algo mudou entre eles. Com linda fotografia do grande Giuseppe Rotunno e música inesquecível de Henry Mancini, Os Girassóis da Rússia é um filme indispensável.

O Jardim dos Finzi-Contini (1971): O jardim dos Finzi-Contini, uma rica família de judeus italianos, é o último símbolo de resistência usado pela jovem Nicole contra as leis antijudaicas do regime fascista até que todos membros de sua família sejam presos.Baseado no romance de Giorgio Bassani sobre judeus italianos que lentamente se adaptam às opressão fascista.

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Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.