Diretoras de Cinema: As Pioneiras do Cinema Mundial

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Desde o início do cinema as mulheres estiveram presentes, tanto na frente quanto atrás das câmeras. No princípio esse era um ramo que não dava muito lucro e elas reinavam escrevendo roteiros, trabalhando como figurinistas, editoras e designers de produção. Algumas se aventuraram como diretoras e se tornaram pioneiras. Aqui está a relação de algumas mulheres que contribuíram para o crescimento do cinema mundial, sendo destaque como diretoras.

Alice Guy-Blache (1873 – 1968), francesa: foi a primeira diretora do cinema francês, sendo reverenciada como a primeira diretora e roteirista de filmes de ficção e vista como uma grande visionária que experimentou o sistema de som, as cores, efeitos especiais e usou temas complexos na narrativa. Seu primeiro trabalho foi feito em 1896 e ela realizou mais de 700 filmes.

 

Anna Hofman-Uddgren (1868 – 1947), sueca: atriz e cantora de cabaré, tornou-se diretora de teatro antes de começar a trabalhar no cinema, sendo a primeira mulher a dirigir um filme na Suécia. Stockholmsfrestelser (1911) foi seu primeiro filme como diretora, também dirigindo posteriormente  Fadren (1912) e Fröken Julie (1912).

 

Shobhna Samarth (1915 – 2000), indiana: ela iniciou sua carreira como atriz de filmes falados e sua carreira cinematográfica seguiu até a década de 80. Seu filme de estréia como diretora foi Hamari Beti (1950), onde dirigiu suas filhas Nutan e Tanuja.

 

Lois Weber (1879 – 1939), americana: atriz, roteirista, produtora e diretora é considerada a diretora feminina mais importante da indústria cinematográfica americana. Junto com DW Griffith foi a primeira autora do cinema, se envolvendo em todos os processos da produção e colocando suas ideias e filosofias em seu trabalho. Estima-se que tenha dirigido por volta de 400 filmes.

 

Mabel Normand (1892 – 1930), americana: atriz, roteirista, produtora e diretora, era bastante popular no início do cinema mudo. Nos anos 20 tinha seu próprio estúdio e companhia de produção, aparecendo em uma série de filmes ao lado de Chaplin, e o dirigindo em seus primeiros filmes. Ao longo da década de 1920, seu nome foi conectado com escândalos, incluindo o assassinato de William Desmond Taylor em 1922 mas é inegável sua contribuição como uma das primeiras diretoras do cinema.


Dorothy Arzner (1897 – 1979), americana: sua carreira como diretora se estendeu desde o cinema mudo até o início dos anos 40. Era uma das poucas mulheres que estabeleceu um nome na indústria cinematográfica durane esse período.  Por razões não totalmente reveladas, Arzner parou de dirigir filmes de longa-metragem em 1943. Ela continuou a trabalhar nos anos seguintes, dirigindo comerciais de televisão e filmes de treinamento do Exército.

 

Germaine Dulac (1882 – 1942), francesa: teórica de cinema e crítica, era jornalista antes de se tornar cineasta. Com a ajuda de seu marido e amigo, ela fundou uma empresa de cinema e dirigiu alguns trabalhos comerciais antes de realizar filmes experimentais e impressionista. Seu mais famoso filme é La Souriante Madame Beudet (1922).

Maya Deren (1917 – 1961), ucraniana:  coreógrafa, dançarina, poeta, escritora e fotógrafa. Apesar de não ter sido a criadora do movimento experimental, foi quem realizou o filme que mais chamou a atenção do movimento, Meshes of the Afternoon (1943). Ela escrevia, filmava e distribuia todos os seus projetos. Dentre os temas trabalhados por ela estavam a psique feminina, a sexualidade e questões de identidade.

 

Shirley Clarke (1919 – 1997), americana: iniciou a carreira como coreógrafa, mas ela logo se interessou pelo cinema. Em seu primeiro filme, Dance in the Sun (1953), ela adaptou uma coreografia de Daniel Nagrin; Seu filme foi solecionado como o melhor filme de dança do ano. A diretora fazia parte do círculo de cineastas independentes do Greenwich Village, grupo que incluia  Maya Deren, Stan Brakhage, Jonas Mekas, e Lionel Rogosin. Seus filmes tinham um grande realismo cinematográfico e abordavam questões sociais relevantes, sempre realizados com baixo orçamento.

 

Yuliya Solntseva (1901 – 1989), russa: cineasta e atriz, estrelou o scifi clássico Aelita (1924) e dirigiu 14 filmes entre 1939 e 1979. Com Michurin (1949) ela recebeu um Prêmio em seu país e foi considerada a Melhor Diretora no Festival de Cannes de 1961. 

 

Ida Lupino (1918 – 1995), americana: Mais conhecida por seu trabalho como atriz, tornou-se diretora na década de 40, quando foi suspensa pelo estúdio ao não aceitar um papel. Com isso ela começou a observar os processos de filmagem e edição. Junto com seu marido, Collier Young, abriram uma empresa independente e ela começou a produzir, dirigir e escrever filmes de baixo orçamento. Never Fear foi o seu primeiro filme produzido. Após produzir quatro filmes com questões sociais ela foi a primeira mulher a dirigir um noir, com The Hitch-Hiker (1953). Seus filmes tinham consistência e The Bigamist foi o seu maior triunfo.

 

Leni Riefenstahl (1902 – 2003), alemã: Renomada diretora alemã, iniciou a carreira como dançarina e após se afastar da dança após problemas no joelho se tornou atriz e posteriormente diretora. Sua carreira foi marcada pelo nazismo, que apoiava através de filmes em prol do movimento. Seu apoio ao nazismo a marcou profundamente e o documentário O Triunfo da Vontade, apesar de suas raízes políticas é um dos melhores já realizados. Após a segunda guerra mundial ela foi presa e não conseguiu mais produzir filmes, sendo sempre boicotada pela resistência. No ostracismo, ela se tornou fotógrafa.


Safi Faye (1943), senegalesa: primeira mulher africana a dirigir um longa metragem dirigido comercialmente, ela se dedicou a dirigir filmes de ficção e documentários enfocando a vida rural no Senegal.

Jacqueline Audry (1908 – 1977), francesa: sua carreira iniciou-se após a segunda guerra mundial e se especializou em adaptações literárias, sendo a diretora que mais se destacou no cinema comercial.

Kinuyo Tanaka (1909 – 1977), japonesa: inicialmente atriz, iniciou a carreira ainda no cinema mudo e estrelou o primeiro filme falado no Japão, The Neighbor’s Wife and Mine (1931). Em 1953 ela se tornou a primeira diretora de cinema mulher do Japão, com  Love Letter. Apesar da forte resistência, ela conseguiu dirigir mais seis filmes.


Agnès Varda (1928), francesa: cineasta e fotógrafa belga, radicada na França. É também professora na European Graduate School. Suas fotografias, filmes e instalações abordam questões referentes à realidade no documentário, ao feminismo e ao comentário social.

Ana Mariscal (1923 – 1995), espanhola: a diretora espanhola dirigiu mais de 50 filmes entre 1940 e 1968 e chegou a realizar filmes também na Argentina. Dentre seus filmes de maior destaque se encontram The Queen’s Flower Girl (1940) e The Princess of the Ursines (1947), mas seu mais famoso filme é El Camino (1963). Além de diretora ela era uma atriz prolífica durante as décadas de 40 e 50.

Carmen Santos (1904 – 1952), portuguesa/brasileira: Considerada a mais importante mulher da história do cinema brasileiro, foi atriz, produtora, roteirista e diretora, marcando para sempre a história do cinema nacional. Seu maior projeto foi o filme Inconfidência Mineira.

Lila Kourkoulakou (1936), grega: O primeiro filme lançado por ela, A Ilha do Silêncio foi selecionado para o Ferstival de Cinema de Veneza de 1958. Lila se tornou, dessa maneira, a primeira grega a representar seu país em um festival internacional. O filme documenta a vida de leprosos de Spinalonga. Apesar de ser um filme consistente, foi um fracasso comercial e fortemente criticado. Outro filme de destaque dirigido por ela é Eleftherios Venizelos.Lila oferecia questões modernas e emoções de qualidade no cinema grego.

 

Mai Zetterling (1925 – 1994), sueca: iniciando a carreira como atriz durante a década de 40, foi dirigida por Ingmar Bergman.  Ela começou a dirigir em 1960, começando com documentários políticos e um curta-metragem chamado The War Game (1962), que foi nomeado para um prémio BAFTA. Seu primeiro longa-metragem Älskande par (1964, “casais apaixonados”), foi banido do Festival de Cinema de Cannes por sua explicitação sexual e nudez. Kenneth Tynan de The Observer mais tarde chamou de “uma das estréias mais ambiciosa desde Cidadão Kane”. 

 

Vera Chytilová (1924 – 2014), tcheca: pioneira no cinema Checo, teve uma grande influência de sua educação católica nos temas morais de seus filmes. Seu primeiro longa foi lançado em 1963, Something Different, mas seu filme mais controverso foi  Sedmikrásky, lançado em 1966. Chytilová encarna uma linguagem cinematográfica única e estilo que não depende de quaisquer convenções literárias ou verbais, mas utiliza várias formas de manipulações visuais para criar sentido dentro de seus filmes. 

 

Chantal Akerman (1950 – 2015), belga: pioneira do cinema experimental, feminista, e influência de diretores como Gus van Sant. descendente de uma família judaica da Europa central, que se mudou para a Bélgica nos anos 1930, dirigiu quase 50 filmes, de documentários até comédias. Em sua obra abordou como grandes temas o tempo e a memória.

Larisa Shepitko (1938 – 1979), ucraniana: Diretora e roteirista, seus filmes mais famosos eram Voskhozhdenie (1977), Ty i ya (1971) e Nachalo nevedomogo Veka (1987). Membro do júri no Festival de Cinema Internacional de Berlim em 1978, faleceu precocemente em um acidente de carro.

Liliana Cavani (1933), italiana: Diretora e roteirista é conhecida por seu filme  Il portiere di notte (O Porteiro da Noite), de 1974, o qual lançou a atriz Charlotte Rampling para o estrelato internacional. Seus filmes são cults e com preocupações históricas. Além de longas e documentários, ela também dirigiu óperas.

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Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.