Melhores Filmes de Liv Ullmann

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Muito mais do que parceira em muitos filmes de Ingmar Bergman, Liv é uma atriz que tem em seu currículo duas indicações ao Oscar (por Os Imigrantes e Face a Face) e outros tantos prêmios recebidos. Além de ser uma ótima diretora.

Liv Johanne Ullmann nasceu em Tóquio em 16 de dezembro de 1938, enquanto seu pai trabalhava por lá. Tornou-se assim norueguesa e japonesa. Ela passou a infância mudando de país devido ao trabalho de seu pai, mas após a morte deste, ela e sua mão fixaram residência Noruega. Foi lá que Liv começou a fazer cursos de teatro.

Conhecer Ingmar Bergman, o mais conhecido diretor sueco, fez sua vida e a dele mudar. Ele a transformou em sua musa, tanto na vida quanto na arte. Ela chegou a atuar em 10 filmes do diretor, mesmo depois de terem se separado chegaram a trabalhar. Juntos também fizeram uma filha, que deram o nome de Linn Ullmann. Posteriormente se casaram com outras pessoas, mas mantiveram um relacionamento cordial. Muitos dos filmes que indicaremos abaixo são de Bergman, claro.

Na década de 70 ela voltou às raízes quando em 1975 partiu para apresentar nos Estados Unidos a peça A Doll’s House.  A atriz estreou como diretora em 1992 com o drama Sofie, que acabou ganhando o grande prêmio do Juri de Montreal. Issso a incentivou a seguir adiante. O mais recente filme dirigido por ela foi Senhorita Julie, que conta com Jessica Chastain e Colin Farrell nos papéis principais. Nota-se em sua obra uma certa influência de Bergman, mas ela tem seus próprios méritos. Assisti ao filme recentemente e particularmente achei-o mais teatral, passando-se quase totalmente em um único ambiente e em um ritmo muito lento que poderá fazer alguns desistirem no meio do caminho. Mas ele tem uma fotografia, edição, figurinos e direção de arte impecáveis. Gente, é uma visão só minha tá? Vocês podem ver e ter a de vocês.

Jessica Chastain e Colin Farrell em Senhorita Julie

Você pode saber um pouco mais sobre ela no delicado documentário Liv & Ingmar – Uma História de Amor (2012). Nele, ela abre o coração e fala um pouco mais sobre sua vida, obra, pensamentos, relacionamento com Bergman e memórias de amigos que já partiram. Vale a pena conferir.

Separei alguns filmes dela que julgo serem essenciais para conhecer seu trabalho, mas isso não impede que você busque outros. Confira:

 

 

Persona (1966), de Ingmar Bergman: A enfermeira Alma (Bibi Anderson) cuida de Elisabeth Vogler (Liv). Aos poucos a relação entre as duas vai mudando, e Alma passa a falar a sua paciente sobre sua vida, desejos e até mesmo segredos. Alma percebe que sua personalidade está sendo submergida na pessoa de Elisabeth.
A Hora do Lobo (1968), de Ingmar Bergman: Segundo Bergman, “Hora do Lobo é o espaço entre a noite e a madrugada. A hora em que a maioria das pessoas morre, e que a maioria das pessoas nasce, e que os pesadelos são reais e que a angústia nos persegue”. Um pintor e sua esposa vão morar em uma ilha afastada da sociedade. Lá conhecem um grupo de pessoas que os faz relembrar angústias do passado e questionar a própria lucidez. Um dos melhores terrores psicológicos de todos os tempos.
Vergonha (1968), de Ingmar Bergman: Durante a guerra civil, um casal de músicos foge para uma ilha, mas logo são descobertos pelos soldados.
A Paixão de Ana (1969), de Ingmar Bergman: Andreas (Max von Sydow) se isola em uma ilha para tentar lutar contra a dor da separação recente. Chegando lá conhece Anna (Liv), uma mulher que teve uma perda terrível: a morte de seu filho e marido. Os dois se envolvem mas nem tudo parece correr bem na ilha.
Gritos e Sussurros (1972), de Ingmar Bergman: Três irmãs buscam lidar com a morte iminente de uma delas, que está no leito de morte. Mas as relações que estavam já abaladas pioram cada vez mais. O filme traz uma das fotografias mais marcantes utilizadas pelo diretor. O uso excessivo da cor vermelha amplia a agonia sentida pelas irmãs e em algumas cenas temos a sensação de estarmos dentro de um quadro renascentista.
Cenas de um Casamento (1973), de Ingmar Bergman: A história original foi lançada como uma minissérie de TV em 1973 e narra a história do casal formado por Johan e Marianne. Certo dia um casal muito amigo deles, Katarina e Peter, vêm para um jantar. De imediato Katarina e Peter demonstram que o seu casamento passa por uma série crise. Semanas depois, Marianne descobre que está grávida e Johan, ao saber, não demonstra nenhum contentamento. Uma análise real sobre o casamento, por vez cruel e sem amor.
Face a Face (1976), de Ingmar Bergman: Jenny, uma psiquiatra, sofre de depressão e é assombrada com visões de uma velha senhora. Começar um caso com um médico casado só faz piorar seu caso e ela chega a tentar o suicídio.
Sonata de Outono (1978), de Ingmar Bergman: Única vez em que o diretor trabalhou com Ingrid Bergman, traz o difícil relacionamento entre uma mãe pianista e sua filha emocionalmente fragilizada. O filme contém uma bela fotografia repleta de closes que amplificam os sentimentos contraditórios das protagonistas. É um filme sobre os relacionamentos familiares mal resolvidos.
Os Emigrantes (1971), de Jan Troell: Uma família sueca que migra para a América por volta de 1850. Leia mais em nossa matéria sobre o filme.
O Preço do Triunfo (1972), de Jan Troell: segunda parte de Os Imigrantes. Leia mais em nossa matéria.

 

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