Sophia Loren celebra 80 anos com livro de memórias

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Sophia Loren completou 80 anos em 2014, e para comemorar lançou seu livro de memórias intitulado “Sophia Loren: Ontem, Hoje e Amanhã“, título dividido com um filme que ela protagoniza ao lado de Marcello Mastroianni em 1963. Em suas 334 páginas ela relembra sua infância pobre, ao lado de sua mãe e avós, das dificuldades passadas durante a guerra e do abandono do pai. “A fome foi tema dominante de minha infância”, diz em determinada passagem.

Sophia e seu marido Carlo Ponti

Sua mãe Romilda acalentava um sonho de ser atriz, mas seus pais a proibiram, e ela depositou suas esperanças em sua filha Sophia, que logo cedo já participava de concursos de beleza, e aos 16 ganhou como Miss elegância no Miss Itália. Vieram as fotonovelas e sua vida começou a mudar quando ela conheceu o produtor Carlo Ponti, que lhe daria suas primeiras grandes chances no cinema, e com quem se casaria posteriormente. O casamento foi um escândalo e os dois tiveram dois filhos. São para ele as mais belas passagens do livro:

“Não importa para onde olhe – os olhos dos meus filhos, as fotos espalhadas pela sala, as mil coisas acumuladas no curso de nossa vida – , posso vê-lo diante de mim, sorridente e seguro. Mesmo agora que não está mais aqui, ele mora nos meus pensamenos e inspira meus projetos. Minha história – pessoal, profissional e, sobretudo, familiar – gira em torno do meu encontro com Carlo.”

Ela também relembra seu quase romance com Cary Grant, que lhe deixou um pedido de desculpas por insistir tanto. Fala sobre sua amizade com Marcello Mastroianni, com quem dividiu as telas em tantos filmes e fez sonhar tantos com um possível romance:

“Em Bela e Canalha eu e Marcello nos encontramos pela primeira vez. Era um filme maravilhoso, em preto e branco, e nos apaixonamos imediatamente um pelo outro. Cinematograficamente, quero dizer”. 




No entanto, com Marlon Brando a relação foi conturbada e ela traz as piores referências sobre o astro durante as filmagens de A Condessa de Hong Kong. Ele chegou a desrespeitar a ela e a Charles Chaplin:

“De repente, ele (Brando) colocou as mãos em mim. Virei-me com toda a tranquilidade, bati em seu rosto e disse ‘Não ouse fazer isso de novo. Nunca mais!’ Quando o pulverizei com os olhos, ele pareceu pequeno, indefeso, quase uma vítima de sua própria notoriedade. Ele nunca mais repetiu o gesto, mas foi muito difícil trabalhar com ele depois disso.”

Ela também relembra os dias que passou presa durante 30 dias, por sonegação de impostos em 1980. Várias pessoas que passaram por sua vida são lembradas, como o diretor Vitório de Sicca (que lhe dirigiu em As Mulheres e com quem trabalhou em diversos outros filmes), Audrey Hepburn (vizinha e amiga), dentre outros.
Sophia Loren recebeu o Oscar de Melhor Atriz  em 1962 pelo filme Duas mulheres, que também lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes.

Sophia com seu companheiro de tantos filmes: Marcello Mastroianni

É um livro de memórias de uma vida que teve altos e baixos, de uma mulher realizada na carreira e na vida pessoal, que encara a velhice como um passo inevitável e apaixonante. Sophia consegue se sobressair pela linguagem fluída, que faz dessa biografia uma das mais bem escritas do ano.

Livro: Ontem, hoje e amanhã
Autor: Sophia Loren

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Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.