Annabelle 2: A Criação do Mal (2017)

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Os fãs de Terror estão ansiosos pela chegada de Annabelle 2: A Criação do Mal, chega aos cinemas brasileiros neste dia 17 de Agosto. Vou logo adiantando a vocês que o filme é, sim, bem melhor do que o seu antecessor.
Lá se vai uma década desde que tive o primeiro contato com as histórias do casal Warren, isso foi ainda no programa A Haunting (Assombrações) do Discovery Channel; foi nesse ‘docudrama’paranormal que conheci as narrativas de Invocação do Mal e Annabelle, narradas pela própria Lorraine Warren (hoje com 90 anos).

Para aqueles que creem na veracidade dos fatos narrados pelos filmes Invocação do Mal 1 e 2, já aviso logo que o roteiro de Annabelle 2, não segue os relatos do casal Warren, da mesma forma que o filme Annabelle 1.
Mas então, Annabelle 2: A Criação do Mal, acerta em muitos aspectos.
Primeiro, devo congratular o roteirista Gary Dauberman por ter nos brindado com este conto de Terror e Suspense, simples, bem escrito, coeso e condizente com sua proposta (espero que ‘It- A Coisa’ me surpreenda ainda mais, senhor Gary!). O roteiro tem uma máxima convincente e uma explicação razoável e aceitável para a origem da boneca demoníaca; além de nos dar um vislumbre da criação de um micro universo de terror linkado, em minha opinião, ao redor do demônio Valak (Invocação do Mal 2).
O jovem diretor David F. Sandberg (Lights Out) conseguiu, em Annabelle 2, criar um filme onde os elementos se encaixam de forma harmônica. Certamente não é daqueles thrillers em que você sai tremendo do cinema de tanto que pulou na cadeira ou gritou – você levará alguns sustos, mas possivelmente não tantos quanto imagina. Entretanto, a película consegue mescla bem o Terror ao Suspense, em um contorno que o expectador se sente a maior parte do tempo no fio de uma navalha daquele tipo em que: a tensão se eleva e o corpo fica rijo, pronto para um susto que pode vir a qualquer momento. David consegue trazer a tona, com Annabelle, aqueles velhos medos infantis em que o escuro guarda o bicho-papão próximo a devorar uma criança. Ele consegue fazer até mesmo os clichês não sejam tão fúteis (como aconteceu no filme 1).

A primorosa fotografia de Maxime Alexandre (Espelhos do Medo) é um colírio para os olhos: clara e bela no início do filme, ela lembra uma pintura de quadro de época;então se torna melancólica, terrível no segundo e terceiros atos, mas sem perder a clareza evivacidade. Maxine consegue fazer algo que eu costumo chamar de “Um Escuro Claro”, pois mesmo nas cenas noturnas e/ou sombrias, você consegue: enxergar que tem que ser visto sem precisar ficar forçando suas pupilas.

A trilha sonora de Benjamin Wallfisch (A Cure for Wellness e It: A Coisa ) e a mixagem de som nos fazem adentrar na história, além de mesclarem-se com aqueles acordes que martelam na mente, com músicas da tradição norte-americanas, tal qual “You are my Sunshine”. O som fica completo com vários toques de um silêncio fascinante, que vai sendo quebrado diversas vezes pelos ruídos ao redor. O som não é usado como mero recurso de sustar inequívoco, como os estrondos que vêm caindo despropositadamente nos últimos filmes de terror a que tenho ido; quando o som vem como apelo para um susto, ele está acompanhado, em geral, do contexto que o cerca, o que para mim é importante.
Os ângulos de câmera são bem escolhidos, e nos momentos mais densos nos fazem sentir pequenos como as crianças do filme. Já as belas transições de cenas, também são um espetáculo – destaco aqui uma transição que nos leva ao fundo de um poço profundo.

A escolha de entregar os papéis principais às crianças foi um grande acerto, pois quando elas são envolvidas por todo o clima macabro que cinge a misteriosa casa dos Mullins (Anthony Lapaglia e Kery O’Malley) também nos sentimos assim. As protagonistasLulu Wilson (interpreta Linda) e Talitha Bateman (interpreta Janice) interpretam como gente grande e merecem os meus aplausos.

Entretanto, nem tudo são flores. Os pontos negativos do filme são: os seres criados em CG (computação gráfica), pois quando aparecem quebram aquele clima simples, mas verossímil do terror puxado um pouco mais para o tradicional – muitas vezes é melhor deixarmos os medos no escuro, sem revelar-lhes as faces, pois assim, eles continuam indecifráveis e mais terríveis dentro de nossas mentes, é o que eu penso. Além disso, o ritmo se perde um pouco em alguns momentos, mas logo é retomando, para o alívio de todos. Devo mencionar ainda que a batalha final contra o ‘mal’ deixa a desejar, mais pelo exagero de efeitos desnecessários, do que pela sutiliza de uma cena que poderia ser melhor explorada com a escuridão que já vinha permeando a obra com maestria.

O fim do filme consegue fazer uma interligação considerável com Annabelle 1, o que me agradou, porquanto conseguiu dar um ‘UP’ ao antecessor – que não foi lá um grande filme.

No geral, eu recomendo que os fãs de Terror/Suspense assistam Annabelle 2: A Criação do Mal. Junte sua galera, ou a pessoa que você ama, vá ao cinema se divertir um pouco com este filme. Entretanto, recomendo que você vá com expectativas razoáveis, nada de muita empolgação, para não se decepcionar, pois o filme não chega a ser fantástico, então é melhor esperar um pouco menos e ganhar um pouco mais.

Espero que se divirta no cinema!

PS.: Não sei de onde os personagens de Terror/Suspense tiram tanta coragem para cometer suas tolices.

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Escritor, Geógrafo, Profissional de TI e Designer . Kylson é um apaixonado por cinema, literatura, se considera um Geek, apaixonado pela cultura Pop (HQs, mangás, ficção, games, séries de TV, mitologia) mas com amor também por pelo universo Cult. Não se considera um Crítico, mas sim alguém que Analisa filmes como expectador atencioso aos detalhes. "O cinema para mim é um dos grandes alimentos da minha alma, sendo a mais completa de todas as Artes".