Dona Flor e Seus Dois Maridos (2017)

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Um Vadinho cambaleante brinca seu derradeiro carnaval nas ruas da Bahia. Após uma vida errática, seu coração não aguenta, e tomba, deixando viúva a pobre Flor. A partir de então, a bela mulher passará seus dias a lamentar a perda precoce do seu amor. Flor, no entanto, levada por influência da mãe e de amigas, desposará o Dr. Teodoro Madureira, conhecido e pacato farmacêutico que em tudo diferencia-se do seu finado. Enquanto Vadinho entregava-se aos jogos e mulheres, Teodoro prefere o trabalho e tem uma rotina que repete religiosamente. Na cama, os dois também se diferenciam. Os dias de Flor são de tédio, e em pensamentos ela chama seu amado Vadinho.

A premissa da obra de Jorge Amado já foi adaptada algumas vezes para as telas, sendo a mais famosa delas a de 1916 que trazia os inesquecíveis Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça nos papéis principais. Em 2017 Pedro Vasconcelos traz uma versão com Juliana Paes como Flor, e e Marcelo Faria e Leandro Hassum respectivamente como Vadinho e Teodoro. De cara percebemos que trata-se de uma obra feita para a TV.

A longa duração (2 horas e 20min) traz um incômodo desnecessário, já que há uma série de cenas que são repetidas ao longo de todo o filme. Um exemplo disto é quando D. Flor relembra momentos ao lado do finado marido ou quando repete-se a trilha musical de “É o Amor” na voz de Maria Bethania. Esses elementos televisivos cabem perfeitamente à tela pequena, pois fazem uma ligação de um capítulo a outro, mas na tela do cinema torna-se repetitivo. A Bahia é retratada em tons claros. Elementos de cena e atores, são comumente fotografados com a contra luz, efeito que é usado em demasia.

Mas Dona Flor e Seus Dois Maridos, como era de se esperar, traz alguns elementos positivos. Juliana Paes, que está herdando curiosamente alguns papéis que Sônia Braga encarnou anteriormente, aparece com sua pontual simpatia. O destaque, natural pelo personagem fascinante que é, acaba sendo para Marcelo Faria e seu Vadinho. Isso é bem esperado, já que ele personaliza o malandro nos teatros já há algum tempo. A surpresa fica por conta de Hassum encarnando muito bem um personagem sério. O terreno é fértil para ele, já que mesmo sendo um homem sério, a obra de Jorge Amado prima por elementos caricatos.

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Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.