Nos Cinemas: Blade Runner 2049

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Inicialmente, gostaria de lembrar que o filme Blade Runner 2049 é uma ficção-científica com suspense, então não vá ao filme pensando que ele seja de ação, okay?
Continuando:
‘Blade Runner 2049’ foi escrito por Hampton Fancher e Michael Green, e dirigido pelo canadense Denis Villeneuve (Incendies), sendo a continuação da já aclamada ficção científica neo-noir ‘Blade Runner, O Caçador de Androides’ de 1982, dirigida pelo aclamadíssimo Ridley Scott, que atualmente é o produtor do novo filme.
O filme de 82 se passava em 2019, onde os habitantes da Terra vivem em um futuro tecnológico e ao mesmo tempo decadente por causa do descaso humano com o meio-ambiente. Ambos os filmes se passam em um mundo estéreo e tomado por poluição, no qual as pessoas tornaram-se consumidoras exacerbadas, o que consequente gerou a busca de novas formas de colonização.


Os avanços tecnológicos e da biologia permitiram criar os ‘Replicantes’ que deveriam realizar todo trabalho duro, escravo e desagradável. Os ‘Replicantes’ são seres biológicos, que como o nome já nos revela: são réplicas idênticas aos seres humanos, porém muito mais fortes, ágeis e sem capacidade de sentir emoções. Entretanto, uma falha no mais avançado dos modelos, o ‘Nexus 6’, fez com que estes pudessem apresentar reações emocionais, o que tornou o modelo uma ameaça aos seres humanos. Sendo assim, os Replicantes mais avançados tornaram-se ilegais na Terra.
Neste contesto Rick (Harrison Ford – Star Wars) era um caçador de Replicantes, que foram banidos do nosso mundo após uma rebelião e nesta ocasião surge o amor entre Rick e Rachael, ambos Replicantes.
Nesta continuação tardia, a humanidade está novamente ameaçada, e dessa vez o perigo pode ser ainda maior, pois algo completamente impensável aconteceu. O oficial K (Ryan Gosling – La la Land) é um policial Replicante da Polícia de Los Angeles que em uma caçada a um Replicante ilegal (Dave Bautista – Guardiões da Galáxia) termina desenterrando um terrível segredo que tem o potencial de mergulhar a sociedade no completo caos. A partir daí, o Oficial K recebe ordens de sua chefe (Robin Wright) )para apagar qualquer vestígio deste fato tão inoportuno, mas o agente descobre coisas que o fazem seguir por outro caminho e o levam a busca de Rick, sumido há 30 anos; é a partir deste fio que ‘Blade Runner 2049’ se desenvolve coerentemente.
Esta história, bem como o original de 1982, tem forte inspiração nas obras do visionário mestre da ficção cientifica, o doutor e autor Isaac Asimov, pois de seus clássicos, tais como ‘Eu Robô’ e a ‘Trilogia Fundação’, são fontes que guiaram filmes como: Eu Robô; Exterminador do Futuro; Matrix; Inteligência Artificial; Homem Bi Centenário, dentre outros.
‘Blade Runner 2049’ não é um filme apenas para diversão, é um filme para reflexão e para os aficionados de ficção científica.
Esta produção tem um roteiro muito bem trabalhado, embora longo e repleto de informações que terminam por nos levar a muitas questões que permanecem até depois do final do filme deixando a sensação de que haverá uma continuação (mesmo que esta não venha; ou que demore mais quatro décadas para ser realizada).
As interpretações são consistentes e convincentes, embora não sejam surpreendentes. Gostei em particular da relação entre o Oficial K e sua namorada Joi (Ana de Armas – Overdrive), eles tiveram uma química muito boa, e apesar de Joi ser apenas uma projeção holográfica gerada por um programa de computação avançadíssimo, creio que seja quase impossível não sentir empatia pela moça. Senhor Wallace (Jared Leto) aparece pouco no filme, mas consegue deixar sua marca. Já a principal antagonista, em minha opinião, ficou por conta da Replicante muito bem interpretada Sylvia Hoeks.
Do ponto de vista técnico, o filme é praticamente impecável do início ao fim, embora eu tenha percebido algumas pequenas falhas de continuidade (nada de anormal em um filme).
O som, efeitos sonoros, trilha sonora e a mixagem de som da produção são primorosos e colocados no momento certo. A fotografia é maravilhosa e tão nítida e meticulosa que deixará os olhares dos expectadores presos à maioria das cenas.
Quanto aos efeitos visuais e a todo processo de computação gráfica (CGI) são impecáveis, apesar de eu ter percebido que a personagem Rachael foi criada em CGI – devo admitir que foi muito bem realizada e que muitos sequer irão notar o fato. A qualidade técnica do filme é tão caprichada que eu arriscaria dizer que poderá concorrer a vários prêmios, inclusive ao Oscar, em diversas categorias, tais como: efeitos visuais e mixagem de som – mas isto é apenas uma aposta diante do que vi.
Então, devo ou não assistir ‘Blade Runner 2049’?
Sim, sim! Se você é fã de uma boa ficção científica este é um filme que eu indico para você ver no cinema e sentir toda a sensação que a grande tela e um som de qualidade possam lhe proporcionar.

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