Nos Cinemas: Em Busca de Fellini (2017)

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Em um prólogo breve, conhecemos Claire (Maria Bello) e Kerri (Mary Lynn Rajskub) sua melhor amiga de juventude. Inseparáveis, elas aprontaram e aproveitaram cada decepção e alegria pelas quais passaram. A maior das alegrias de Claire foi o nascimento de sua única e pequena Lucy. A partir daquele momento, iluminada pelas cores da maternidade, a moça jurou que dedicaria cada dia de sua vida à fazer Lucy feliz, protegendo-a de todo o mal possível. E o fez. Lucy não conheceria a tristeza, a partida, a morte, os filmes ruins, as desilusões.

Todo um mundo encantado foi feito ao seu redor. Isso fez com que ela se isolasse em uma gaiola de ouro, recheada de bombons requintados e ausências de experiências. Aos 20 ela não namorou, não trabalhou, não aprendeu uma profissão. Ela age como uma menina de 12. O amor às vezes faz com que erros acontecem e Claire tornou Lucy uma ingênua garota que precisa aprender de uma hora para outra a se defende.

Aos 20 anos ela decide, por conta própria que é hora de conhecer o outro lado da gaiola. Pega uma lambreta e vai em busca de um emprego. Claro que tudo vai dar errado da primeira vez, mas ali, sentada naquela calada ela recebe um folheto sobre a exibição de um festival de filmes do cineasta Federico Fellini. A garota sentada na primeira poltrona de um cinema que nunca foi se apaixona, decide vê-lo, necessita conversar com ele, conhecer sua essência. Identifica-se com Gelsomina. Mas uma Gelsomina diferente. Ao passo que a personagem felliniana tem como características principais a falta de amor tanto da mãe quanto do homem que acompanha, Lucy desperta amor e chama a atenção mais do que deveria. Para o bem e para o mal. Impossível não notar a preferência de Lucy durante todo o filme por um traje usado por Gersomina em A Estrada da Vida.

Após ver cada um de seus filmes, Lucy decide ir para a Itália em busca do mundo do diretor, e encontra-lo pessoalmente. Seguirá seus passos. Também como ele, é cartunista e desenha seus personagens em guardanapos e pequenos papéis. E como o italiano tomava como inspiração qualquer rosto que lhe parecesse peculiar, indiferente de ser feio ou bonito, Lucy encontrava vários deles pelo caminho.

Como por exemplo, a doce prostituta Cabíria (personagem tão bem interpretada por Giulietta Masina em Noites de Cabíria), tão esperançosa mas ao mesmo tempo cansada de tentar, ou o forte e silenciosamente assustador Zampanò. Uma bela loira também remeterá a Anita Ekberg. Ou estarei errada? Confira por si só. Eles estão aos montes, nas festas tresloucadas, nos encontros, e nas referências, que dificilmente são todas notadas vistas apenas uma vez.

Quem ama o cineasta, as ruas perturbadas pelos gritos dos bêbados felizes, a famosa Fontana de Trevi e seus personagens tão humanos e baseados em pessoas reais gostará do jogo de descobrir em cada esquina uma referência dada pelo diretor Taron Lexton. Se você não for um fã de Fellini com certeza  encontrará motivos para conhecer a obra do diretor apaixonado por circos, Marcello Mastroianni (seu Alter ego) e Giulietta Masina, sua musa maior.

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