Nos Cinemas: Entre Irmãs

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Logo na primeira cena de Entre Irmãs, é fácil imaginar que tipo de drama espera para ser vivido pelas protagonistas Emília e Luzia. Cada frase dita tornam-se profecias que antes mesmo de se concretizarem, já soam óbvias demais para o espectador. E se cada cena começa com a gente sabendo como ela vai terminar, fica claro o maior problema desse longa de Breno Silveira.

O roteiro de Patricia Andrade é realmente previsível, do início ao fim, mesmo quando fica evidente que há alguma coisa a ser guardada do espectador. E o trabalho de direção de Silveira acaba por sustentar a fraqueza do roteiro, filmando sem a menor sutileza, quase que sublinhando cada ponto de virada da trama. Tamanho descuido faz quem assiste se cansar na metade da projeção, que ninguém poderia imaginar ser tão longa. Sim, aqui está algo surpreendente, a duração do filme. Eu não poderia arriscar chutar quantas vezes achei que o filme estava nos seus 5 minutos finais.

A trama de Entre Irmãs é uma jornada de auto-descoberta a partir de eventos que levaram Emília e Luzia a se separarem e viverem vidas completamente diferentes uma da outra. Assistimos a praticamente duas grandes histórias se desenrolarem, e se elas se tornam mais interessantes do que a ligação fraternal das duas mulheres, acabam pecando pelo excesso de acontecimentos, que mais uma vez: o espectador já previu.

Mas não há como negar que impressiona o trabalho do elenco. Marjorie Estiano e Nanda Costa brilham do início ao fim, rodeadas por coadjuvantes também muito competentes. O sotaque pernambucano convence, diferente do que poderia se esperar de produções do sudeste que se passam no nordeste. Nem seria preciso saber do acidente que na infância causou uma deficiência em Luzia para percebemos a força que revestia sua falta de perspectiva, a linguagem corporal de Nanda Costa é o suficiente. O mesmo para a ingenuidade de Emília, que sonha alto, ao contrário da irmã, e que tem em sua intérprete uma grande aliada para fazer apaixonar.

Coube ao departamento de arte de produzir uma Recife dos anos 30, e houve um cuidado primoroso nesse aspecto, já que muitas cenas foram de fato gravadas na capital pernambucana. A montagem por sua vez confunde, tornando a geografia de algumas cenas difíceis de compreender.

Entre Irmãs assume um caráter novelesco logo de imediato, e não há nenhuma justificativa para a escolha do formato em longa-metragem. Sua imensa duração compromete a relação com o espectador, sua história densa com vários subplots e personagens acaba nos afastando do cerne principal que são as duas irmãs.

É realmente estranho que a produção seja exibida nos cinemas, porque eu poderia arriscar dizer que seria muito mais bem recebida na televisão, como uma minissérie, afinal a gama de personagens e temáticas necessárias que compõe a obra merecem espaço entre o público, porém de maneira mais palatável.

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