Nos Cinemas: Liga da Justiça (2017)

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Inicialmente vou logo expressar que o filme é bom, mas não é ótimo ou fantástico, embora seja o melhor do DCU.

A Liga da Justiça é um filme que reúne nada menos do que os principais heróis do Universo DC (DCU), sendo o primeiro a unir os ‘Superamigos’ em uma missão conjunta para salvar a terra da ameaça do Lobo da Estepe (Sttepenwolf) e das três Caixas Maternas.
O filme é a maior produção já feita pelo DCU, com um orçamento que pode ser superior a U$ 300 milhões (segundo o Wall Street Journal) e quase U$ 200 milhões investidos em marketing, todavia a película dificilmente terá que se preocupar em recuperar o investimento, pois certamente será lucro garantido.

Inicialmente dirigido por  Zack Snyder (Batman vs Superman) que teve que abandonar as filmagens por problemas pessoas, o filme foi concluído por Joss Whedon (Vingadores: A Era de Ultron); com roteiro é assinado por Chris Terrio (Batman vs Superman) e Joss Whedon, o filme certamente será um dos bluckbuster de 2017.

Seu elenco, como não poderia ser diferente, é formado por uma constelação inteira: Gal Gadot (Mulher Maravilha), Ben Affleck (Batman), Henry Cavill (Superman), Amy Adams (Lois Lane), Ezra Miller (Flash), Jason Momoa (Aquaman), Ray Fisher (Ciborgue), Jeremy Irons (Alfred), Diane (Martha Kent) e J. K. Simmons (Comissári Gordon), Jesse Eisenberg (Lex Luthor), Ciarán Hinds (Steppenwolf o vilão principal do filme) dentre outros.

O filme em seu primeiro ato mostra-nos um Batman preocupado com uma possível ameaça crescente que pode destruir a vida na Terra como a conhecemos, e para tanto, ele se alia a Mulher Maravilha visando formar uma equipe que possa rechaçar tal ameaça. Assim, os personagens do Flash, Aquaman e Ciborgue são apresentados ao espectador de uma maneira rápida, mas inteligível.

Ao mesmo tempo as Amazonas enfrentaram um inimigo que retornou após milênios – Steepenwolf, que retorna visando reaver as Três Caixas Maternas que poderão transformar o mundo em um verdadeiro inferno – atenção ao flashback, pra não ficarem verdes de raiva depois. A partir daí temos as premissas fundamentais do filme montadas: os heróis precisam se unir para enfrentar uma ameaça maior.

Bem, então agora vamos falar sobre o filme propriamente dito, com uma analise mais técnica: O roteiro do filme não chega a ser sensacional, nem tem grandes surpresas, ele é simples, porém bem amarrado, coeso e conciso no que se propõe o que é um ponto positivo, já que os roteiros de outros filmes do DCU tentaram ser mais complexos e sombrios, carregados de drama, mas não eram fechados, precisava-se de um Blu-Ray com um versão estendida para que os filmes ficassem menos prejudicados.

Na Liga da Justiça isso não acontece, o filme tem início, meio e fim bem definidos e certamente as possíveis cenas extras de um DVD serão um ‘plus’ para os fãs, e não a tentativa se corrigir o que estava errado. O roteiro inclusive pensa nas pessoas que não são fãs das HQs, quando explica detalhes que para um fã podem ser mera frivolidade como “o Laço de Hestia faz com que alguém diga a verdade”, muitos podem achar que isso não é importante de se colocar, porque todos deviam saber, mas é um erro – nem todo mundo que vai ao cinema é fã de banda desenha, então o filme está certo em tentar atingir o maior público possível.

A explicação sobre a volta do Superman do mundo dos mortos também é crível, bem como a contenda que isto gera. Entretanto, creio que o Superman termina desequilibrando tudo e deixa o ato final do filme muito mais previsível, o que reduz a emoção – mas talvez isso seja um reflexo pessoal, pois não tenho grande afeto por personagens com poderes exagerados, pois acho-os um pouco sem graça; e quando Super-Homem entra em cena, parece que o resto do grupo se faz dispensável e poderia muito bem sair pra comer um brunch.

De qualquer forma, o filme é repleto de muitas cenas de ação empolgantes, mas nem todas são bem elaboradas, algumas possuem falhas técnicas que poderiam ser melhor trabalhadas. Particularmente, a cena da batalha final não foi a minha preferida, eu gostei mais da batalha nos túneis. Novamente senti falta de cenas diurnas, principalmente na batalha final; tais cenas só ocorrem com maior ênfase na volta do Super-Homem.

Falando de batalha final, ela teve boas sequências de luta, entretanto quando chegou realmente ao fim, bem, parece que mergulhou rapidamente em um desfecho pouco efusivo ou grandioso, ficou faltando algo. Certamente muitos sairão do cinema com empolgação nas alturas, mas se pararem para analisar mais friamente perceberão que há uma carência de algum aspecto mais formidável nesta luta.

Ah, vocês não podem perder as duas cenas pós-crédito. A primeira é mais uma brincadeira que remete as HQs. Mas a segunda, que vem depois de todos os créditos, é um gancho enorme que o DCU deixou para empolgar seus fãs para projetos futuros.

Agora vamos falar agora um pouco sobre as interpretações, estas são um ponto alto do filme, pois a química entre a equipe ‘os Superamigos’ funciona muito bem, o que significa que com maior planejamento e um roteiro mais coeso os próximos filmes poderão ser ótimos. Ezra Miller (Flash) é, em minha humilde opinião, dos novos personagens mais carismático (embora exagere em suas caras e bocas, o que em alguns momentos chega a ser demasiado), além de ser o alívio cômico, ele interpreta muito bem e faz você acreditar no personagem.

Jason Mamoa é outro que se destaca, na verdade ele conseguiu impor uma moral ao Aquaman superior ao que as HQs demonstram e ainda assim tem pitadas de humor meio piratas; já Gal Gadot (Mulher Maravilha) é realmente um estrela em cena, ela impulsionou o DCU desde sua aparição em BvS, e continuou grande em seu filme solo, agora ela aparece com uma líder, e realmente é uma personagem reconfortante. Quanto ao Ben A. e o Henry C. diria que comparada as interpretações dos supracitados, a deles foi regular mais não grandiosa; já Ray F. teve, a meu ver, o personagem menos carismático do grupo.

Já quando falamos de antagonista, bem, este foi o ponto mais fraco do filme inteiro. O Lobo da Estepe deveria ser um vilão impactante e que mete medo, o ‘cara’ é enorme, contudo, o exagero do CGI e toda a interpretação que envolve o personagem não foram convincentes, e o vilão não tem o carisma necessário para ser o antagonista da Liga da Justiça, ele é incipiente. Alguns estão dizendo que isso não tem influência alguma sobre o filme – concordo apenas em parte, pois os Heróis realmente dão um show; entretanto, um filme de super-heróis tão grandiosos sem um supervilão a altura perde muito. Além disso, falto maior dramaticidade quando a questão fora o espolio das duas últimas Caixas Maternas.

A trilha sonora e os efeitos sonoros embalam as diversas cenas de ação do filme de forma harmoniosa. A fotografia é bem elaborada e os cortes e ângulos escolhidos com correção na maior parte do filme. Entretanto, devo salientar que existem algumas cenas em que a imagem fica deveras desfocada (inclusive em algumas cenas de ação e CGI), e que há um uso demasiado da câmera lenta, que poderiam ser mais moderadas neste ponto (não digo isso nas cenas do Flash, pois a câmera lenta nestes casos é necessária).

O que mais me incomodou no filme foram os efeitos especiais. Eu sou do tipo que vejo o roteiro acima de tudo, como os que acompanham minha análise já notaram, entretanto, em uma produção de super-heróis, com o maior orçamento já gasto em um filme do gênero, então creio que seja uma falha quase inadmissível sermos apresentados a efeitos especiais oscilam entre muito bons e outros de qualidade baixa em uma mesma película (algo recorrente no DCU), principalmente quando o assunto é o CGI de personagens (vide Ares de Mulher Maravilha e Apocalipse).

O vilão é o grande exemplo desta falta de trato no que tange tal aspecto, e que também se repete em muitas outras cenas do filme; então posso dizer que Steppenwolf parece um personagem plástico que me fez lembrar muito Lorde Voldemort do Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001), o efeito para época ficou razoável, mas algo deste tipo hoje em dia é inadequado mesmo para uma produção de menor porte; possivelmente o Sméagol de O Senhor dos Anéis (2002), o elogio vai para o Sméagol neste caso, pois acho que ele ainda seja mais verossímil do que o Lobo da Estepe. Até o Superman, que teve seu bigode e barba apagados digitalmente em algumas cenas, também parece de plástico e com olhos estranhos em algumas cenas do filme, sobretudo quando ele acaba de voltar à vida. Além de muitas outras sequências onde a fotografia não se encaixa bem com o CGI, cenas turvas e digitalização estranha.

Para finalizarmos, de um modo geral, achei a Liga da Justiça o melhor filme do DCU até agora, embora para mim não tenha sido grandioso como poderia ser – ou seja, eu não veria novamente no cinema.

Mais uma observação: o 3D é dispensável no filme, creio que não haverá muita diferença se você assistir o filme em 2D.

Mas então, devo assistir ‘Liga da Justiça’?

Sim, você deve ir assistir Liga da Justiça, pois é um grande filme de super-heróis e certamente você irá se divertir bastante com muita ação, comédia na dose certa e algumas interpretações muito boas que valem muito serem conferidas nas grandes telas. Vá e divirta-se bastante aproveitando os ‘Superamigos’!

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Escritor, Geógrafo, Profissional de TI e Designer . Kylson é um apaixonado por cinema, literatura, se considera um Geek, apaixonado pela cultura Pop (HQs, mangás, ficção, games, séries de TV, mitologia) mas com amor também por pelo universo Cult. Não se considera um Crítico, mas sim alguém que Analisa filmes como expectador atencioso aos detalhes. "O cinema para mim é um dos grandes alimentos da minha alma, sendo a mais completa de todas as Artes".