Nos Cinemas: O Rei do Show (2017)

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“O Rei do Show” é exatamente o que poderia se esperar: um filme vibrante, com muita música e coreografia, mas que infelizmente peca ao transformar seus personagens em meros vislumbres de um roteiro bobo.

A trama é tão previsível e fantasiosa – com direito a elefantes e leões de CGI dando piruetas – que há grandes chances de você nem se dar conta que ele é inspirado na história real de P.T. Barnum, um empresário do ramo do entretenimento que fundou a imagem de circo que se tornou tão popular posteriormente.

No início conhecemos a infância pobre e difícil de Barnum, desde sempre apaixonado pela garota que viria a ser sua esposa. Depois de casado e com duas filhas, chegou a hora de investir num negócio, e se tão rápido nós o vemos se transformar em um homem muito bem sucedido, tão rápido vemos os personagens tomarem atitudes apenas por convencionalismo do roteiro.

Não há nenhuma profundidade naquelas pessoas. O personagem de Zac Efron, por exemplo, serve apenas como um coadjuvante a engatar boas cenas musicais, seja elas com Hugh Jackman ou com Zendaya – cuja única razão de existir é ser o par romântico de Efron.

Claro que o vigor de Hugh Jackman é essencial para que o espectador acredite no filme e se permita encará-lo por mais de duas horas. Ele se esforça nos números musicais, ainda que por vezes você se sinta um pouco constrangido com sua a cantoria. O que nesse aspecto se difere de Zac Efron e Zendaya, pois já estamos tão habituados a vê-los performando nas telas do Disney Channel que aquilo soa natural e até reconfortante.

A dupla recém-ganhadora do Oscar por La La Land está de volta aqui, Benj Pasek e Justin Paul porém trazem um repertório bem mais pop do que no outro musical, que tinha uma proposta bem aos moldes da velha Hollywood. Em ‘O Rei do Show’ a trilha sonora dá um toque de moderno ao longa, fazendo os momentos musicais os mais divertidos e bonitos, como se o filme todo só existisse para aquelas cenas.

É claro que o filme carregaria uma mensagem que já se resguarda de qualquer crítica negativa: o personagem do crítico, que é visto com desdém pelo roteiro, não aprova o show de Barnum, enquanto este afirma que o seu trabalho é unicamente para as pessoas, para se divertirem, aquela típica desculpa que às vezes cola.

Nesse caso pode colar mesmo, afinal O Rei do Show é aquele filme com uma lição positiva, sobre aceitar as diferenças, sobre se arrepender, que pode encantar parte da platéia, mas que pode chatear grande parte pela superficialidade com que desenvolve e discute seu tema.

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