Nos Cinemas: Pica-Pau: O Filme (2017)

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O filme é uma adaptação cinematográfica baseada no desenho animado criado por Walter Lanz em 1940. Com seu jeito nada ortodoxo, extravagante e surreal, o Pica-Pau é uma das figuras mais icônicas quando falamos de animação, estando lado a lado com Tom e Jerry, o Coiote e o Papa-Léguas, e até mesmo de algumas figuras Disney. Ninguém pode negar, gostando ou não do pássaro mais maluco dos ‘cartoons’, que o Pica-Pau conquistou uma legião de fãs ao longo de seus 77 anos de existência, sendo um desenho de notoriedade global.

A volta do pássaro pirado aos cinemas, sim a volta pois no início de sua existência o desenho passava somente na grande tela. Indo pras TVs apenas em 1957,  foi esperada por um longo tempo. Todavia, devo confessar que mesmo me colocando no papel de uma criança, o filme deixa muito a desejar.

Sendo dirigido por Alex Zamm, escrito por Dave Krinsky e John Altschuler, a película padeceu do que, para mim, é o mais importante em qualquer filme: Roteiro.

Sendo uma combinação de liveaction (filme com pessoas) unido à animação, bem ao estilo de grandes filmes como Uma Cilada para RogerRabbit ou Space Jam,o filme não chega nem perto destes dois anteriores.

A voz do Pica-Pau ficou por conta de Eric Bauzanos Estados Unidos, e de Sérgio Stern (Mike Wazowski de Monstros SA) que vez um trabalho muito bom na dublagem.

As interpretações caricatas já são aguardadas neste estilo de obra, mas os atores não conseguiram desenvolver bem seus personagens, possivelmente porque o roteiro insipido e a direção efêmera não deram possibilidade para tanto. As interpretações das crianças e expressam pouco carisma, principalmente quando relembramos de outras crianças em filmes. Em suma: você não consegue acreditar na veracidade dos personagens.

A história é inconsistente e muito pouco atraente, em vários momentos perdemos a noção de que o filme tem como personagem principal o Pica-Pau. As cenas se tornam repetitivas, o que deixa tudo com um aspecto arrastado. A comédia nem de longe é contagiante – embora eu admita que muitas crianças irão gostar; entretanto, em alguns momentos até mesmo elas podem ficar entediadas.

As melhores cenas ficam por conta do Pica-Pau infernizando Thaila Vanessa (Thaila Ayala) e Lance Walters (Timothy Omundson). Todavia, quando parece que o filme vai engrenar, durante o primeiro ponto de virada, e com o afastamento do personagem Vanessa, a história se torna monótona. O possível romance entre Lance e Samantha Bartlett (Jordana Largy) a guarda florestal, fica aquém das menores perspectivas. A relação que vai sendo construída entre Lance e seu filho Tommy (Graham Verchere)chega a ser simpática, mas também não emplaca, carecendo de mais profundidade (não necessariamente complexidade) de diálogos e interpretação. Mesmo os vilões principais, NateGrimes (Scott McNeil) e OttisGrimes (ArianGlynnMcMorran) não são tão engraçados como poderiam ser. Já final do filme é simplesmente morno demais para o meu gosto.

Era esperado um Pica-Pau mais louco e expondo muito mais facetas do que as que foram demostradas no filme. Mesmo se tratando de uma história com possibilidades de ir além da simples realidades – algo totalmente aceitável e esperável, como na Turma do Perna Longa – o filme carece de uma linha lógica mínima, o que deixou-me incomodado em várias cenas tais como: a gaiola em que o Pica-Pau é preso, ele poderia ter saído dali a qualquer momento e eu esperei por isso; ou quando a Guarda Florestal Samantha que afirmava que o Pica-pau de Crista Vermelha estava extinto a mais de cem anos, e quando encontra o Pica-Pau pela primeira vez demostra uma surpresa pífia; além de muitos outros pontos.

A fotografia não chega a ser ruim, mas também não é grande coisa, inclusive em alguns momentos temos muitos desfoques e uma quase pixelização(granulação) da imagem, semelhante ao que acontece quando tiramos uma foto com o zoom da câmera muito próximo. A trilha sonora é divertida, porque remete às músicaspróprio desenho.

A minha sensação foi que toda a produção do filme foi apenas para criar um filme do Pica-Pau, atrair os muitos fãs do maluquinho ao cinema, sem se preocupar com o conteúdo, pois afinal, as crianças vão querer ver de qualquer forma.

Então vamos à pergunta: Devo ver este filme?

Respondo: Veja Bem!

Opção 1 – Se você tem filhos, sobrinho ou criança que queiram assistir o filme: vale apena levá-las, pois creio que boa parte das crianças poderá gostar do filme – principalmente se tiverem até dez anos no máximo. Mas não espere que você vá assistir uma animação Disney/Pixar, melhor ir com expectativas bem modestas, até baixas.

Opção 2 – Se você não tem criança insistindo para ver o filme, recomendo que invista seu tempo e dinheiro em outro filme e espere o Pica-Pau sair na TV, pois ele é um filme que é a cara da ‘Sessão da Tarde’.

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Escritor, Geógrafo, Profissional de TI e Designer . Kylson é um apaixonado por cinema, literatura, se considera um Geek, apaixonado pela cultura Pop (HQs, mangás, ficção, games, séries de TV, mitologia) mas com amor também por pelo universo Cult. Não se considera um Crítico, mas sim alguém que Analisa filmes como expectador atencioso aos detalhes. "O cinema para mim é um dos grandes alimentos da minha alma, sendo a mais completa de todas as Artes".