Nos Cinemas: A Torre Negra (2017)

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A Torre Negra é um filme baseado no best-seller de mesmo nome do renomado escritor Stephen King – recordista de adaptações para o cinema e televisão. A trama narra a aventura de JakeChambers (Tom Taylor – The LastKingdom) que descobre pistas sobre outra dimensão e termina encontrando com um pistoleiro quase mítico, Roland Deschain (Idris Elba – Star TrekBeyond). Enquanto Roland busca vingança contra Walter, o Homem de Preto (Matthew McConaughey – O Lobo de Wall Street) Jake quer ajudá-lo a impedir a destruição da mística Torre Negra –uma edificação cósmica que sustenta todas as realidades do universo impedindo o Apocalipse. A Torre Negra é uma grande viagem que mistura um universo fantástico (S. King disse que O Senhor dos Anéis é sua maior inspiração para os livros) e westerns, com toques do universo cyberpunk.

Devo confessar que não li os livros, por esta razão não poderei fazer analogias entre a obra cinematográfica e a literária, e desde já peço desculpas por tal fato, e que os leitores dos livros façam seus comentários para enriquecer esta análise. Sendo assim, me concentrarei em falar sobre o filme como um expectador que não se deleitou com as obras:

O roteiro do filme é razoável, mas nem de longe chega a ser sensacional, além disso, o universo mitológico é simplesmente formado por paisagens e nomes aleatórios cujo melhor desenvolvimento talvez ocorra na séria para a TV, que também terá como título – A Torre Negra. Contudo, seria preferido se o filme fosse completo por si, pois nem todos os expectadores irão assistir a série, destarte, tal falha não deixa de forma alguma A Torre Negra inteligível, ela simplesmente tira um pouco do brilho do roteiro.

O Nikolaj Arcel (Kings Game) faz um bom trabalho, mas poderia ter explorado mais profundamente as interpretações e a ação do filme. Falando em ação, apesar de o filme contar com algumas cenas boas, ficou aquém das minhas expectativas, além do que, as coreografias de luta em alguns momentos não ficaram tão orgânicas como se esperaria.
Os efeitos especiais são aceitáveis, principalmente quando consideramos uma produção de U$ 60 milhões, cifra considerada intermediária para padrões hollywoodianos. A trilha sonora não chega a ser marcante, mas é boa, assim como os efeitos sonoros e mixagem de áudio. Entretanto, para um filme que trata de diversos mundos, ficou faltando uma variação de paisagens, neste aspecto o filme se torna monótono, pois os portais poderiam muito bem levar para diversos locais e mundos – mesmo supondo que no universo de S. King isso aconteça, a película careceu deste feeling.

Falando do andamento do filme em si, e das interpretações, bem: a melhor atuação, em minha humilde opinião, foi a do Matthew McConaughey, embora em muitos momentos ele tenha caído em seus personagens de comédia romântica, ou tenha se revelado como um vilão um tanto maniqueísta daqueles que roubam doces de criança. Já Tom Taylor tem uma interpretação plausível, mas não memorável, como outros atores mirins já tiveram. Falando do nosso Pistoleiro, Idris Elba, ele poderia ser melhor, a interpretação é boa, mas eu sei que ele é muito mais do que aparentou neste filme. De modo geral, senti falta de mais veracidade por parte dos atores.

A Torre Negra tem um primeiro ato longo e com oscilações entre um filme que vai empolgar você, mas que cai em monotonia. Esta oscilação permanece por todo filme. Então chegamos ao clímax, a batalha final, e o que posso dizer: ela é rápida, com coreografias que deixam a desejar e que em algum ponto tem um ‘Q’ de cômico, pois certamente as pessoas esperariam muito.

Mas devo salientar que, acredito que o filme consegue realizar o que se propôs de modo crível; é um filme ‘Sessão da Tarde’, que aqueles que vão ao cinema sem anseios de algo épico, como normalmente são os filmes de fantasia, irão apreciar de forma módica como bom entretenimento sem grandes pretensões.

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Escritor, Geógrafo, Profissional de TI e Designer . Kylson é um apaixonado por cinema, literatura, se considera um Geek, apaixonado pela cultura Pop (HQs, mangás, ficção, games, séries de TV, mitologia) mas com amor também por pelo universo Cult. Não se considera um Crítico, mas sim alguém que Analisa filmes como expectador atencioso aos detalhes. "O cinema para mim é um dos grandes alimentos da minha alma, sendo a mais completa de todas as Artes".