Nos Cinemas: VALERIAN: A cidade dos mil planetas (2017)

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Em 2740, os personagens Valerian (Dane DeHaan – Espetacular Homem Aranha 2) e Laureline (Cara Delevingne – Esquadrão Suicida) são dois agentes espaço-temporais que  realizam missões para o Governo dos Territórios Humanos.  Após serem designados para resgatar um item muito especial, ambos terminam se envolvendo com o mistério que cerca a destruição do planeta Mül e da civilização dos Pearl, ao mesmo tempo em que a estação espacial Alpha, que abriga 17 milhões de seres inteligentes dos quatro cantos do universo, enfrenta um inimigo misterioso que pode causar a destruição de toda vida na estação em poucos dias. O filme é baseada nos quadrinhos franceses, “ValerianetLaureline”, de Jean-Claude Mézières e Pierre Christin.

Mas o que podemos falar sobre essa produção cinematográfica de ficção científica que estava cotada para um dos maiores blockbusters do ano:

Valerian tinha um grande potencial, isso é verdade, pois os quadrinhos são bons, entretanto, o filme nem de longe atende as expectativas da maioria dos fãs, ou mesmo do público que não conhece o Comic. É verdade que a bilheteria nem sempre indica qualidade, mas no caso de Valerianisto se confirma: o filme custou 177 milhões de dólares aos estúdios, e até o dia de hoje (09/08/2017) só arrecadou 88 milhões ao redor do mundo, segundo o Box Office. Embora não tenha estreado em vários países, dificilmente o filme alcance os quase 400 milhões de dólares que são necessários para se pagar.

Até o nome do filme é um equívoco, em minha opinião, pois o personagem Valerian não consegue criar empatia nem mostra veracidade para o público, algo que sua parceira,Laureline, consegue melhor do que esse.

O Roteiro do filme é lento, longo e cansativo, pouco surpreendente, nada coeso, muito prolixo, cheio de clichês, com algumas piadas completamente sem graça e dispensáveis, o que o tornaValerian um longo sonífero de 2h17 – se tivesse 40 minutos a menos contaria a história sem tantas cenas desnecessárias e fadigosas e poderia ser um filme muito mais agradável.

Foto: Divulgação

De forma geral, creio que as melhores atuações ficam por conta dos Pearls, principalmente nas cenas iniciais (vale lembrar que eles foram construídos em Computação Gráfica). Já os dois atores principais (Dane DeHaan e Cara Delevingne), bem, eles não convencem como personagens, nem como casal – a química de ambos é bem fraca e não tirará o fôlego do público de modo a fazê-los torcer pelo par. Quanto aos outros atores do filme, eles também não se destacam com atuações memoráveis, nem mesmo recordáveis. Mas vale citar que Rihanna, interprete de Bubble, possivelmente ofereça o personagem mais carismático de todo o filme, masinfelizmente os momentos de Bubblena tela são quase efêmeros, e por está razão não conseguimos criar uma ligação afetiva real com ela.

A trilha sonora poderia ser empolgante, dando ritmo ao filme, do mesmo modo que ocorreu em alguns trailers – que certamente farão expectadores comprarem erroneamente o livro pela capa – porém ela, a trilha sonora, fica tão em segundo plano que na maioria dos casos ninguém dará atenção a esta, ou se lembrará do que está sendo tocado no filme.

A fotografia é bonita, repleta de cores e tons bem condizente com o que o filme se propõe, sendo talvez seja um dos pontos mais fortes do filme; destarte, não é algo grandioso ou inesquecível. Já o design dos figurinos é agradável para a proposta, apesar disso, as armaduras dos personagens principais pareceram-me feitas de emborrachado (EVA).

O filme, infelizmente, não ganha láureas nem no que se propõe a fazer de melhor – ser um espetáculo de efeitos visuais – pois em muitos casos esses são tão artificiais que temos a sensação de estarmos assistindo uma espécie de remake incerto dos Pequenos Espiões 3Dmisturado aoO Quinto Elemento.Até as belas imagens do início do filme no planeta Mül podem deixar os mais exigentes um pouco decepcionados, pois os Pearls por vezes lembram mais personagens dos desenhos 3D da Barbie do que seres de outra raça alienígena, de tão plastificados que ficaram.

Ainda falando sobre os efeitos, em muitas ocasiões pode-se perceber que as cenas estão sendo gravadas em fundo infinito (chromakey), pois há disparidade de iluminação. As diversas criaturas de raças diferentes que aparecem ao longo da trama, são um chamariz que logo perdem a graça com o rastejar da história.

Para finalizarmos, devo citar que as cenas no planeta Mül e no Grande Mercado foram as que mais me agradaram. Infelizmente elas compõem apenas meia hora inicial do filme, que depois disso desanda em seu ritmo lento e tedioso, até culminarem em um fim nada grandioso.

Então vocês se perguntam: Eu devo ver Valerian?

Como amantes da ficção científica eu digo que, ‘Sim! Você deve ver’,mas não crie grandes expectativas com o filme. Contudo,se você é daqueles que costuma dormir no cinema, melhor ir preparado e levar seu travesseiro e ficar bem confortável enquanto tira alguns cochilos durante a longa sessão de A Cidade dos Mil Planetas.

Por Kylson Estellfran

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