O Formidável (2017)

111

A atriz Anne Wiazemsky faleceu recentemente, no dia 5 de outubro de 2017. Ela é reconhecida por suas participações em filmes de importantes cineastas. Posso citar A Grade Testemunha (1966), de Robert Bresson e Teorema (1968) de Pier Paolo Pasolini. A atriz nascida em Berlin escreveu suas memórias e nelas havia um espaço para falar sobre seu casamento com Jean-Luc Godard, um dos mais conhecidos nomes do novo cinema feito na França, chamado de nouvelle vague. Ela e Godard se casaram no final da década de 60 e permaneceram juntos até por volta de 1979.

E é basicamente este período que O Formidável (Le Redoutable, 2017) vai mostrar. O diretor é trazido até nos com todas as suas falhas, assumidamente um homem de essência burguesa mas com uma imensa vontade de revolucionar. Isso fez com que ele se afastasse de vários companheiros, isolando-se social e filosoficamente de vários deles. Como Truffaut, que é citado apenas uma vez em O Formidável. E justamente quando alguém o questiona sobre voltar a fazer filmes românticos. “Deixo isso para o Truffaut”. Outra ausência sentida mas justificável é da personagem Anna Karina. Mas naquele período, a atriz já tinha partido de sua vida, preenchida por Anne Wiazemsky.

O personagem Godard aparece de maneira quase romântica. E excessivamente preocupado com a revolução, a ponto de inclui-la em cada canto de sua casa e vida, ele é quase uma caricatura de um sujeito que acredita ser possível mudar o mundo com uma câmera na mão.  E ele quer mudar em todos os sentidos, do político, ao estético e pessoal.

O personagem sai de sua posição privilegiada e vai às ruas.  Interpretando o casal, surge a jovem Stacy Martin e o já aclamado Louis Garrel. Usando um trocadilho infame, Garrell está formidável como o cineasta francês. Ele preenche cada espaço da tela. Destaque também para sua caracterização de uma maneira geral, já que não conseguimos enxergar o “galã” de Os Sonhadores.

Dirigido por Michel Hazanavicius, o filme aproveitará cada frame para homenagear a obra do cineasta da nouvelle vague. Quem não gostar disso talvez se incomode, mas para quem ama o cinema é uma oportunidade de pegar as claras referências a várias obras do francês como  Chinesa (filme que teve a participação de Anne), O Desprezo, e Viver a Vida.

Além disso há as claras referências técnicas e estéticas que começam nos letreiros iniciais, seguem com o uso de subtítulos e capítulos, a paleta de cores (azul e vermelho), os travellings e as quebras da quarta parede. O Formidável é pretensioso, chato e maravilho, como o próprio Jean-Luc Godard o é. Um filme para fãs, e para quem deseja também ter uma aula de como se faz(iam) filmes.

Comente Aqui!

COMPARTILHAR
Artigo anteriorOs melhores filmes de Cornel Wilde
Próximo artigoQual desses filmes da década de 80 é o seu preferido?
Formada em Letras, Design e Especialista em Estudos cinematográficos. É sobretudo uma curiosa sobre o cinema. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.