Thor: Ragnarok (2017)

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Inicialmente, gostaria de explicar a razão de esta análise sair já com o filme em cartaz: isto deve se deve pela falta de gentileza, e por que não dizer, visão turva da empresa que cuida dos interesses de distribuição dos filmes Disney e Marvel que relega todos os críticos e analistas do Brasil inteiro, privilegiando unicamente um grupo de São Paulo. Então desde já peço desculpas, mas esta resenha foi feita por que me senti na obrigação de dar minha opinião sobre o filme, mesmo sem apoio da distribuidora.

Pois bem…

Thor Ragnarok é o terceiro longa da franquia Thor, tendo sido gravado na Austrália, usando cenários grandiosos e paisagens belíssimas. O filme foi dirigido por Taika David Waititi (roteirista de Moana, diretor, roteirista e ator em Hunt for the Wilderpeople), e teve o roteiro escrito por Eric Pearson.

Já vou logo advertindo para os fãs dos HQs (assim como eu) que o filme não mostrará o Ragnarok dos quadrinhos, bem como também não mostrará o Planeta Hulk dos quadrinhos ou animação – sei que muitos fãs ficam indignados e começam a escarnecer filmes quando isso acontece. Eu sou do tipo que faço isso, mas somente a adaptação não for boa, ou não tiver uma proposta clara, já que devemos enterder que cinema é uma mídia diferente e o filme precisa atingir a um público maior e mais diverso do que os quadrinhos.

Pessoalmente achei que Thor: Ragnarok conseguiu passar claramente a sua proposta que se enquadra perfeitamente no Universo Cinematográfico Marvel (MCU), inclusive é completamente coerente com o que alguns chama de “fórmula Marvel”, termo que acho pejorativo, já que vejo o que este estúdio vem fazendo muito mais como um “projeto bem planejado de criação de uma identidade cinematográfica” que vem sendo muito bem executado, a prova está ai: Thor é o décimo filme Marvel, ao qual os elementos deste universo estão presentes e criam um ‘lugar comum’ confortável aos espectadores, pois você consegue reconhecer um filme Marvel, bem como consegue conhecer marcas famosas em qualquer lugar do planeta, são filmes com: ação, super-heróis humanizados, roteiros bem amarrados com o MCU, leveza, crossovers e bom-humor – que tornam os filmes uma salada de ideias que pode ser assistido por um público muito amplo.

Em minha opinião este é o melhor filme da franquia Thor, e um dos melhores da Marvel.
A história do filme se desenrolar quando Thor (Chris Hemsworth) descobre mais uma armação do seu irmão Loki (o impagável Tom Hiddleston) que tem se passado por Odin (Anthony Hopkins, nosso eterno Hannibal) desde a derrota de Malekith – o elfo negro do filme Thor: Mundo Sombrio. Thor e Loki precisam vir a Terra (Midgard) atrás de Odin. Eles terminam se deparando com Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), algo que já tinha sido mostrado em uma das cenas pós-crédito do filme do Doutor Estranho.

Porém, ao reencontrarem Odin a situação começa a piorar, pois o ‘Pai de Todos’ anuncia a chegada de Hela – a Deusa da Morte (aí você descobrirá que está deusa tem laços com Odin).
Hela, interpretada brilhantemente por Cate Blanchett (O Aviador, Blue Jasmine, O Senhor dos Anéis), se torna a primeira grande vilã do MCU, e quando digo grande Vilã, acrescento que a deusa realmente mostra a que veio, sendo a meu ver, o ‘pior vilão’ de todas até agora no MCU, que possivelmente só será igualada e superada pelo próprio Thanos (eu creio que ambos irão se tornar um par romântico – o que seria uma analogia de Thanos com a Senhora Morte nas HQs).
Hela comete literalmente uma carnificina, além de reviver os mortos com ajuda do Fogo Eterno, a deusa tem objetivo de conquistar todos os Nove Reinos.

Para isso, ela também conta com a ajuda de Skurge (Karl Urban), o asgardiano que assumiu o lugar de Heimdall (Idris Elba) que fora banido como traidor por Loki (enquanto este havia se travestido de Odin e governava Asgard).

Em contra partida, do outro lado do cosmos Thor tem que lidar com o fato de ter se tornado um prisioneiro do Grão-Mestre (Jeff Goldblum – de A Mosca e Jurassic Park), além de ter que enfrentar um Hulk divertido e muito bem interpretado por Mark Ruffalo (mesmo quando em CGI – diga-se de passagem, o mais bem feito do Hulk até agora).

Além disso, outro personagem chave é Brunnhilde, mais conhecida como ‘Valquíria’, interpretada primorosamente por Tessa Thompson (Creed – Nascido Para Lutar), é ela quem captura Thor e o leva para o Grão-Mestre, e ela também quem ajudará o Deus do Trovão e Hulk a enfrentar Hela.
O filme se desenrola nos dois contrapontos, Thor tentando fugir do bizarro Planeta Sakaar e das garras do Grão-Mestre, para deste modo impedir Hela. Enquanto Hela precisa reativar Brifröst (Ponte Arco-Íris), para que assim possa iniciar sua conquista cósmica. Durante a película a amizade entre Hulk e Thor se fortalece, bem como a conturbada relação entre Thor e Loki se torna mais intensa, e podemos ver os irmãos lutando como aliados, o que é muito revigorante.
O filme tem interpretações muito boas e verossímeis; os efeitos especiais são fantásticos e praticamente irretocáveis; o roteiro bem escrito e perfeitamente alinhado com outros fatos do MCU. A trilha sonora é um caso a parte, ela é empolgante e realmente ajuda a dar o tom das cenas. A fotografia é bela, rica, colorida, bem dentro da proposta de retratar os anos setenta e oitenta, além de dar um toque ‘Trash’ no filme (isto mesmo, a proposta da superprodução era ter um ‘Q’ trash) – vale ainda destacar que as construções em Sakaar são uma homenagem ao centenário do gênio Jack Kirby, um dos obeliscos da Marvel.

Então, eu devo ir ver Thor?

Só se for agora! Thor é um filme que vale muito a pena ver no cinema, ele tem tudo que um bom filme do seu estilo (blockbuster de super-herói) deve ter: ação, aventura, boas interpretações com uma dose de humor feita no ‘time’ certo (o mais divertido da Marvel, como Kevin Feige falou que seria uma ano atrás).

É um filme que pode ser visto por toda a família, e eu recomendo muito que você leve seus filhos, amigos, parentes, etc. é quase certo (se você não for um fanboy fanático) que você irá se divertir e gostar muito de Thor: Ragnarok.
Até a próxima análise!

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Escritor, Geógrafo, Profissional de TI e Designer . Kylson é um apaixonado por cinema, literatura, se considera um Geek, apaixonado pela cultura Pop (HQs, mangás, ficção, games, séries de TV, mitologia) mas com amor também por pelo universo Cult. Não se considera um Crítico, mas sim alguém que Analisa filmes como expectador atencioso aos detalhes. "O cinema para mim é um dos grandes alimentos da minha alma, sendo a mais completa de todas as Artes".