Tonia Carrero, a rainha do cinema nacional chega aos 95 anos

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Sua beleza chamava a atenção desde o seu nascimento em 23 de agosto de 1922. Com seu talento, não foi espanto quando Tonia Carrero se tornou um dos nomes mais significativos do nosso teatro, tv e cinema.

Maria Antonietta Portocarrero nasceu em 23 de agosto de 1922. Era a única menina do casal Hermenegildo e Zilda de Farias Portocarrero, que tinham ainda dois meninos, Heraldo e Humberto. Apesar de ser militar, Hermenegildo sempre tratou a pequena filha como se ela fosse a rainha da casa.

Tonia com seis meses era a menina dos olhos do pai. (Arquivo da família)

Sua mãe no entanto, era uma mulher que pouco demonstrava sentimentos à filha, e preferia que ela tivesse uma vida formal, com marido e filhos. Talvez esse tivesse sido o primeiro embate entre mãe e filha. Mariinha, como era chamada, desde cedo mostrava que não se contentaria apenas com isso.

Ao lado dos irmãos mais velhos

Mariinha estudou balé e aos 14 anos começou a namorar o jovem Carlos Arthur Thiré, de 19. Os dois se casariam três anos depois. Segundo Tonia, o que a motivou a casar-se com ele foi o desejo de sair de casa. Já casada, ela se formou em Educação Física. Seu único filho Cecil Thiré nasceu em 28 de maio de 1943. Algum tempo depois, ela e Carlos partiram para a França, onde ela estudou teatro com o ator Jean-Louis Barrault. Para Tonia, ficava claro que não havia outro caminho senão o das artes.

Já no Brasil, ela estrou nas telas no filme Querida Susana (1947). Ela resolveu se dedicar ao teatro, e sua estreia no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) foi ao lado de Paulo Autran na peça Um Deus Dormiu Lá em Casa, dirigido por Adolfo Celi. Ao conhecer o diretor italiano, se apaixonou. Ele se tornaria seu marido em 1951. A atriz declararia posteriormente que ele foi o homem que mais amou, talvez por ser um homem das artes. O casamento, porém, terminou em 1962.

Com Paulo Autran em sua estréia

Sua maior parceria nos palcos e na vida foi com Paulo Autran. Tonia chegou a falar sobre como o conheceu, e sobre a paixão que os uniu até o final da vida:

“Quando o conheci, me apaixonei completamente. Cecil era bem pequenininho. Achava Paulo um talento para o teatro, mas inventei de fazer uma peça com ele só porque queria ficar perto dele. Paulo era advogado e não queria largar a profissão. Pediu um salário absurdo e deixei de receber só para ficar perto dele, não ganhei um tostão. Com o tempo, a paixão foi acabando, mas o carinho, o respeito, a cumplicidade no palco, a amizade permaneceram até o fim. “

Com Paulo Autran

Tonia interpretou personagens conhecidos de grandes autores como Noel Coward, Tennessee Williams e Bernard Shaw, e viajou o Brasil com sua companhia de teatro. Após incursionar em algumas produções nacionais, Tonia seria contratada por uma nova companhia de cinema que surgia no Brasil. A Vera Cruz tinha uma proposta de fazer filmes bem acabados, de qualidade e aos moldes americanos. Para isso investia em uma grande produção, contratando nomes conhecidos e bons profissionais, como o diretor Alberto Cavalcanti. E Tonia se tornaria a rainha da Vera Cruz, aparecendo em filmes como Tico-Tico no Fubá (1952), Apassionata (1952) e É Proibido Beijar (1953). Contracenava com nomes como Anselmo Duarte e Paulo Autran.

A rainha da Vera Cruz

A televisão entrou em sua vida no finalzinho da década de 60, quando ela estreou em Sangue do Meu Sangue. Foi um casamento duradouro entre ela e o público, que podia conferir sua presença em novelas como Pigmalião 70, Água Viva (1980),Sassaricando (1987)e Kananga do Japão (1989). Pelo grande alcance que as novelas tem no Brasil, esse foi o meio que a tornou mais conhecida.

Tonia ainda se casaria uma última vez, com César Thedim. O relacionamento com um empresário rico parecia muito divertido, mas a atriz não conseguiu se adaptar ao mundo do marido e o casamento terminou em 1977. Ela teria outros amores, mas em seu livro confessou que estar descasada lhe deu uma sensação muito boa de liberdade.

Tonia permaneceu ao longo das décadas dedicando-se com igual amor ao teatro, cinema e televisão. Sua despedida ocorreu em 2007, quando ela fez uma participação no filme Chega de Saudade, de Laís Bodanzky. Após surgirem os sintomas da hidrocefalia oculta ela teve que se aposentar. A doença que acometeu também sua mãe, impede qualquer tipo de trabalho, já que ocasionou a perda dos movimentos das mãos e pernas, e também a perda da fala. Devido à idade, seu caso é irreversível, segundo o neurocirurgião José Ricardo Pinto.

O amor que dedicou ao filho Cecil e a seus netos e bisnetos retorna em cuidados. Tonia vive cercada de todo carinho dos parentes e amigos. E ela merece. A essa atriz que completa hoje 95 anos, vai todo o nosso amor e agradecimento.

A atriz com seus parentes

Livros:
Tonia Carrero: Movida Pela Paixão.
Autora: Tania Carvalho

Tonia Carrero O Monstro De Olhos Azuis Memórias
Autora: Tonia Carrero

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Especialista em Cinema Clássico e Crítica Literária, é sobretudo uma curiosa. Fundadora do site Cinemaclássico, estuda o cinema desde 2002. Ama Charles Chaplin, Raj Kapoor e navega constantemente em filmes de todo o mundo.