Filmes Pré-Code Essenciais

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O termo pré-code se refere a filmes realizados de 1927 até a chegada do Código de Produção, que viria a censurar os filmes a partir de julho de 1934. Os filmes do período pré são mais livres e pouco censurados, tratando de assuntos como sexo, drogas, homossexualidade e uma série de outras questões que seriam proibidos para o público por várias décadas. Desde sua criação no final do século 19, o cinema crescia livremente tocando em assuntos que eram controversos e ilícitos. Com o crescimento de Hollywood, alguns escândalos começaram a chegar ao conhecimento público, sobretudo o que atingiu Roscoe Arbuckle, acusado de estupro e afastado das telas embora julgado inocente. O boicote feito ao ator foi um dos primeiros ocorridos no cinema e já previa a moralidade que aplacaria a cena local no futuro.

Como Hollywood passou a ser conhecida como a cidade de pecado iniciou-se uma campanha para limpar essa imagem. Os principais estúdios de cinema americanos se uniram para fazer uma censura nos filmes, chamando Will Hays, um advogado para coordenar tudo. As regras de censura se tornaram uma cartilha e acabaram sendo conhecidas como Código Hays. Ainda em 1934 Joseph Breen, um religioso fanático se tornou o chefe do departamento de controle.

Joseph Breen passava seus dias procurando o mínimo sinal de imoralidade nos filmes e um dos casos mais marcantes foi a censura aos seios de Jane Russell em O Proscrito, cortando mais de 37 closes da atriz. O código esteve vigente até 1966, mas já vinha caindo em desuso há algum tempo. Posteriormente ele foi substituído por classificação etária, bem mais justo. De acordo com o código, os estúdios deveriam apresentar os roteiros primeiramente no seu escritório. Uma leitura prévia seria feita para que partes censuráveis fossem tiradas. Os estúdios, no entanto burlavam vez ou outra essa exigência.

 

Alguns exemplos do que não podia:

– Uso de palavras de cunho religioso (Deus, Jesus, inferno) não era permitido, bem como também era proibido falar mal do clero em geral ou colocar ele como vilão.

– Nudez mesmo que através de silhueta era proibido bem como o tema de drogas.

– Cenas mostrando escravidão de brancos (do resto do pessoal estava liberado).

– Relacionamento entre brancos e negros ou entre brancos e amarelos eram proibidíssimos.

– Alguns temas deveriam ser citados com cuidado como o uso de armas e violência, e o bandido nunca poderia ser exaltado e colocado como um bom exemplo.

– Beijos tinham que ser discretos e durarem no máximo seis segundos.

– Sempre que dois personagens se abraçavam pelo menos um deles tinha que manter um pé no chão.

– Mesmo casados um casal não poderia ser mostrado compartilhando a mesma cama.

 

No final dos anos 60 o código foi entrando em desuso até ser abandonado completamente em 1968.

Selecionamos alguns pré-code que valem a pena ser vistos e revistos:

 

  Baby Face (1933): Barbara Stanwyck é uma mulher que passou toda a sua vida sendo explorada sexualmente por seu pai. Após a morte dele num incêndio ela decide que é hora de explorar seu corpo para o próprio ganho. 

 

Bad Girl  (1931): Esse é um drama maravilhoso que conta as dificuldades de um casal durante a Grande Depressão. Enquanto Dorothy é uma mulher que não crê muito em homens, Eddy decide economizar tudo o que ganha para abrir uma loja. Logo os dois se encontram, e o casamento rápido traz algumas dificuldades.

 

O Último Chá do General Yen (1933): Esse melodrama de Frank Capra mostra as desventuras de Megan Davis (Barbara Stanwyck), uma missionária americana que é presa por um militar chinês, Yen (Nils Asther). Ele a leva para seu palácio e ela percebe que por trás de sua figura dura, ele é um poeta. 

O Gato Preto (1934): o primeiro filme que Boris Karloff e Bela Lugosi fizeram juntos. Dentre os assuntos perversos tratados no filme estão incesto, necrofilia e satanismo.

A Vênus Loura (1932) : Josef Von Sternberg traz Marlene Dietrich como Helen, uma mulher que já dançou em clubes noturnos e se casa com um cientista. Para conseguir dinheiro e curar o marido de uma enfermidade, ela volta a se apresentar nos palcos. Logo se envolve com outro homem.

A Divorciada (1930): Norma Shearer interpreta Jerry, uma mulher idealista que se casa com Ted (Conrad Nagel). Mais tarde Ted a trai e ela para se vingar, dorme com outro.

 

O Médico e o Monstro (1931): O conto do homem que se transforma em monstro traz Fredric March no papel principal. O filme é uma festa visual e vale a pena ser visto.

 

Monstros (1932): dirigido por Tod Browning, é um dos filmes mais estranhos já feitos, mostrando uma trupo de circo formada por pessoas consideradas aberrações.

 

 Santa Não sou (1933): Mae West tinha que constar nessa lista. Uma figura controversa na primeira parte do século 20, foi um dos primeiros símbolos sexuais do cinema. Esse é seu melhor filme e está repleto de frases de duplo sentido.

 

 

Tabu (1931): Último filme dirigido por Murnau, traz um conto sobre dois amantes na idílica ilha de Bora Bora.

Rainha Cristina (1933): Greta Garbo em uma de suas maiores performances na interpretação da matriarca Cristina. Ela nunca esteve tão sensual.

Terra de Paixões (1932): o melodrama coloca duas das estrelas mais quentes da época: Jean Harlow é uma prostituta que vai parar na plantação de borracha liderada por Clark Gable. Ela se apaixona por ele, que arrasta um bonde por uma mulher casada.

 

A Mulher Parisiense dos Cabelos de Fogo (1932): Mais uma vez Jean Harlow. Dessa vez no papel de uma mulher que se torna amante de um homem casado, e faz com que ele se divorcie da esposa para se casar com ela. O filmes tem um conteúdo imensamente erótico.

 

 Scarface (1932): O filme de Howard Hawks traz a história de Tony (Paul Muni), um gângster apaixonado por sua irmã e que não tem escrúpulos. 

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