Fred Astaire, o Mago do Sapateado

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A história da dança em Hollywood pode ser separada entre antes e depois de Fred Astaire. O ator iniciou a carreira cedo, aos cinco anos, ao lado de sua irmã Adele, ainda em Londres. Fez uma pequena ponta em 1915 no cinema. Mas sua estréia mesmo só ocorreu em 1933 em Amor de Dançarina/Dancing Lady, ao lado de Joan Crawford. Suas marcas registratadas eram seu fraque impecável, a cartola e a elegância. Curiosamente não usava cintos, mas uma gravata em volta da cintura. Ele copiou a idéia de seu amigo e também ator Douglas Fairbanks. Suas pernas chegaram a ser seguradas em um milhão de dólares.

Fred Astaire e sua irmã

Apesar de ter dançado ao lado de grandes damas do cinema, como Rita Hayworth (que considerava a sua melhor parceira), Leslie Caron, Cyd Charisse, Joan Crawford, Judy Garland, dentre outras, sua maior parceira sem sombra de dúvidas foi Ginger Rogers, com quem mantinha uma relação delicada: Constantemente a imprensa divulgava histórias sobre os dois não se darem bem. E embora a dupla negasse constantemente, pairou sempre a dúvida sobre a veracidade da antipatia entre os dois. Alguns diziam que a atriz se sentia incomodada pela atenção recebida por Astaire. Verdade ou não, os dois estiveram juntos em 10 filmes.

Alguns dos mais memoráveis foram: Voando para o Rio (1933), A Alegre Divorciada (1934), Roberta (1935), O Picolino (1935), Nas Águas da Esquadra (1936), Vamos Dançar? (1937), Dance Comigo (1938), A Vida de Vernon e Irene Castle (1939). Abaixo, cena de O Picolino:

Em 1949 o ator recebeu um Oscar por sua contribuição aos Musicais, e foi Ginger Rogers quem lhe entregou o prêmio. Curiosamente, os dois estão enterrados no mesmo cemitério, Oakwood Memorial Park, Chatsworth, na California.

Gene Kelly é considerado por muitos seu maior rival, mas na verdade cada um tinha seu estilo e eram bem amigos. Dançaram juntos em somente um filme: Ziegfeld Follies (1945). Os dois voltaram a se apresentar para o documentário “That’s Entertainment” (1974), quando já estavam aposentados das telas.

Audrey Hepburn e Fred Astaire em Cinderela em Paris (1957)

Michael Jackson ficou nervoso quando soube que conheceria Fred Astaire, e ficou espantado com a simplicidade do grande astro.

Outra curiosidade:  Leslie Caron ficou responsável pelo seu figurino no filme Papai Pernilongo (1955). Traumatizado pelo excesso de penas que voavam das roupas de Ginger em O Picolino, o ator pediu gentilmente que ela evitasse exageros. A cena foi recriada, de forma hilária em Desfile de Páscoa (1948), onde ele e Judy Garland fizeram uma paródia à cena, com Judy interpretando uma dançarina atrapalhada:

Fred era bastante perfeccionista, sendo capaz de repetir a coreografia até que não restasse nenhum erro. O ator também tinha uma interpretação intuitiva de muitas canções. Alguns filmes que ficaram imortalizadas com sua presença: Amor de dançarina (1933), A hora final (1959) e O caminho do arco-iris (1968).

Fred Astaire

Inferno na torre (1974) lhe rendeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Mas ele já havia ganho um Oscar especial em 1949, pela sua contribuição ao cinema. Durante os anos 60 fez alguns papéis dramáticos. Em 1981 recebeu o Life Achievement Award do American Film Institute. Fred Astaire aceitando o AFI Life Achievement Award em 1981:

Um pouco sobre sua vida pessoal

Astaire era republicano, muito católico e foi membro fundador do Comitê Republicano de Hollywood. Chegou a ser considerado um dos atores mais elegantes de Hollywood, ao lado de Cary Grant. Até mesmo quando investia em um modelo casual, o ator chamava a atenção. Apenas veja isso:

O ator se casou pela primeira vez em 1933 com Phyllis Potter. Os dois ficaram juntos até a morte dela em 1954, de um avassalador câncer de pulmão. Fred ficou arrasado em perder sua companheira de mais de 21 anos. O fato ocorreu durante as filmagens de Papai Pernilongo e ele pensou seriamente em abandonar o trabalho. O casal teve dois filhos: Fred Jr. (nascido em 1936) e Ava (nascida em 1942). Ele era sempre lembrado pelos filhos como um pai carinhoso e dedicado.

Fred Astaire e filho

Apesar de brilhar nas telas com sua dança, Fred não gostava de dançar em sua vida particular. Dizia que a dança de salão o entediavam. Segundo amigos, era um homem extremamente tímido e discreto. Amava esportes, sobretudo corrida de cavalos. Tanto que se casou em segundas núpcias com  Robyn Smith, uma jóquei de 45 anos. O ator tinha 81 anos.

O ator morreu de uma pneumonia aos 88 anos de idade. Encontra-se enterrado no  Oakwood Memorial Park Cemetery em Chatsworth, Califórnia. Fred sempre manifestou o desejo de não se ver retratado em filmes biográficos. E chegou a recusar ofertas que tinham tal perfil. “Não tenho nenhum desejo particular de ter minha vida mal interpretada, pois sei que seria assim.”

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