Papai Pernilongo (1955)

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Fred Astaire já era um astro de primeira grandeza quando estrelou Papai Pernilongo. O astro que dançou ao lado de estrelas como Rita Hayworth, Judy Garland e Joan Crawford, além de formar uma dupla inesquecível com Ginger Rogers, encarava Leslie Caron, uma jovem 32 anos mais jovem que ele e que galgava seus primeiros passos em Hollywood. Incrivelmente a dupla deu certo.

Astaire não vivia bons dias, sua esposa acabara de falecer de um câncer, e por isso ficou um pouco incomodado com o resultado final. Perfeccionista como era, pensava que sua atuação fora prejudicada pelo estado em que se encontrava. Mas o fato é que apesar desse não ser um de seus filmes mais lembrados, tem o seu charme. Há certos astros que mesmo não apresentando suas melhores performances consegue manter um padrão de qualidade. Astaire era um deles.

A primeira versão de Daddy Longs Legs foi lançada em 1919 e trazia Mary Pickford no papel da orfã que recebe a oportunidade de ter seus estudos pagos por um homem que ela passa a chamar de Papai de pernas longas. O filme foi um enorme sucesso, já que o nome de Mary Pickford, por si só já levava muita gente aos cinemas. Mas a melhor versão foi mesmo a musical dirigida por Jean Negulesco em 1955.

Jervis (Fred Astaire) é um milionário que aproveita a vida livremente e está de passagem pela França. Um dia seu carro quebra próximo a um orfanato e ele vai em busca de ajuda. Chegando lá ele vê uma jovem que chama sua atenção. É Julie (Leslie Caron), uma órfã que já completou 18 anos, é inteligente, mas com poucos perspectivas de vida. Jervis decide então pagar todos os estudos dela, sem que, no entanto ela saiba quem é seu “padrinho”. Julie vai para os Estados Unidos e começa a escrever cartas para seu “papai pernilongo”, mas fica triste ao perceber que ele não lhe escreve de volta.

 Visitando sua sobrinha, Jervis finalmente é apresentado a Julie, que não tem ideia de quem ele seja realmente. Os dois se apaixonam, apesar da diferença de idade. Após algum tempo, Jervis lê finalmente as cartas enviadas por Julie e resolve confessar sua verdadeira identidade.

Alguns preferem os filmes mais antigos de Astaire, mas esse é um daqueles que nos levam de volta a uma época em que a sensibilidade e a pureza reinavam. As coreografias são divinas e os figurinos também. A classe da Caron dançando faz voltar para ela todas as luzes. E é incrível como Astaire é um dançarino que favorece a todos que dançam com ele. A nobreza de seus passos é um de seus pontos fortes e ele parece fazer qualquer um dançar bem ao seu lado. E quando sua parceira é uma bailarina profissional, como a Caron, a beleza da dança se torna inesquecível.

Feito hoje em dia talvez o público não recebesse bem o envolvimento de um homem já na casa dos 50 com uma jovenzinha de 18. O fator também contribuiria para um escândalo na época. O empregado de Jervis em determinado momento comenta sobre como a sociedade veria com maus olhos se achassem que a doação dele tinha algum interesse. Fazer com que anos se passem até os dois se encontrar foi a maneira encontrada pelos roteiristas para não chocar tanto. O aparente desinteresse de Jervis em ver a moça enquanto essa o idealizava também. E essa forma despretensiosa faz com que esqueçamos a causa da indignação.

Os números musicais foram coreografados por Astaire e são coloridos e vibrantes. O ballet de Caron lembra muito o realizado por ela no clássico Sinfonia em Paris, dessa vez coreografado por Gene Kelly. Alguns dos momentos mais marcantes estão a cena de dança na faculdade, quando os jovens ensaiam passos de uma nova dança em voga. A cena nos remete aos bailinhos da década de 50 com as garotas com aqueles vestidos esvoaçantes e os garotos com gel nos cabelos. Uma boa lembrança de um tempo tão bom.

O filme foi lançado recentemente pela ClassicLine e já está nas lojas de todo o Brasil.

 

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