Sócios no Amor (Design for Living, 1933)

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Antes de mais nada, aviso: se você não conhece bem filmes realizados antes da censura, irá se espantar com o conteúdo altamente erótico desta história que traz como tema o poliamor.  Em 1933? Sim. Duvida? Confira.

 

Gilda (Miriam Hopkins) adentra em um trem na velha França. Na cabine, encontra dois atraentes homens que dormem lado a lado. Pega sua caneta e começa a desenhá-los. Horas depois, os dois se acordam e dessa vez é a hora deles admirarem a bela garota que repousa logo à sua frente. Não é difícil imaginar que eles logo descobrirão pontos em comum. Os três são artistas, cada qual em seu ramo: Gilda é caricaturista, George (Gary Cooper) pintor e Thomas (Fredric March) um dramaturgo. Todos pobres.

A atração mútua fará com que eles se tornem amigos e a garota inicie um romance com os dois. Mas Gilda é honesta. Revela aos amigos de longa data que está apaixonada por ambos. Eles passam a viver sob o mesmo teto, mas com um acordo de “cavalheiros”: não haverá mais sexo entre os três. Mas como resistir a um quando o outro está ausente?

Os três na cama é bem insinuante, não acham?

Mesmo assim, Gilda se torna a amiga, o que hoje chamamos de coach (uma espécie de instrutora de carreiras em termos atuais) e amante. Claro que isso trará desgastes na relação dos amigos que se conhecem há onze anos. Mas… ela é tão irresistível…

O filme irá focar basicamente em como os três irão lidar com seus sentimentos, e se vale mesmo a pena seguir as regrinhas impostas pela sociedade. Muitos dirão se tratar de um texto moderno demais para a década de 30, sexualmente explícito (Gilda faz amor com ambos e isso é claramente citado), mas preciso lembrar a vocês que este roteiro que traz um tom tão leve à questão foi escrito antes de Hollywood implantar a censura rígida.

A diferença talvez seja o tom elegante como isto é tratado. Filmes de Lubitsch trazem esse tom de sofisticação, mas nem isso fez com que no ano seguinte Sócios no Amor fosse um dos banidos do cinema por ser considerado picante demais.

Como decidir entre Gary Cooper e Fredric March?

O roteiro escrito por Ben Hecht mudou quase que completamente a peça escrita por Noël Coward. Hecht pode ser um nome desconhecido do público, mas preciso lembrar o quão genial ele era. Este nova iorquino roteirizou cerca de 165 obras que foram para as telas e se tornaram estrondosos casos de sucessos. Alguns exemplos são  Scarface (1932), Nada é Sagrado (1937) e outros que nem chegou a ser creditado como E o Vento Levou (1939, Festim Diabólico (1948) e O Retrato de Jennie (1948). Então, Ernst Lubitsch não estava sozinho nesta. Com uma bagagem dessas, não é de se admirar que Sócios no Amor  seja uma das melhores coisas já feitas no cinema.

Fiquei a pensar, enquanto revia tal filme, que quem escreveu a sagrada frase “Não existe mulher como Gilda” certamente deveria conhecer esta Gilda interpretada por Miriam Hopkins e totalmente diferente daquela outra personagem também magnificamente interpretada por Rita Hayworth. A força do nome? Duas mulheres fortes e que qualquer pessoa gostaria de ter ao lado.

Assim como George e Thomas, dois homens doces e até certo ponto ingênuos, que trazem características tão distintas mas tão admiráveis que é tentador torcer para que os três fiquem juntos. Bem, isso faria qualquer garota balançar seu coração. Ainda mais se eles também se parecessem com Gary Cooper e Fredric March. Um filme para ver, rever e rever sempre.

O filme está sendo lançado no Brasil pela Obras Primas do Cinema

 

Este delicioso filme está sendo lançado pela Obras Primas do Cinema em um lindo digipak dedicado à Ernst Lubitsch e que traz dvds com quatro filmes do diretor: Sócios no Amor (Design for Living, 1933, 91 min.), Ladrão de Alcova (Trouble in Paradise, 1932, 82 min.), A Oitava Esposa de Barba Azul (Bluebeard’s Eighth Wife, 1938, 85 min.) e Madame Dubarry (Madame Dubarry, 1919, 114 min.).

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Olha que lindeza o material

Além dos extras: Entrevista com Joseph McBride (22 minutos), Introdução de Ladrão de Alcova (10 minutos), The Clerk – Segmento dirigido por Lubitsch, estrelado por Charles Laughton (2 minutos) e Als Ich Tot War – Primeiro filme sobrevivente da filmografia de Lubitsch (37 minutos).

Você pode adquirir o dvd clicando na imagem abaixo:

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