Eartha Kitt, “A mulher mais excitante do mundo”

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Foi assim que ela foi denominada pelo difícil Orson Welles enquanto trabalhavam juntos na década de 50. Mas antes disso, vamos conhecer um pouco mais dessa fascinante mulher que se transformou numa das personalidades mais marcantes das artes, trabalhando por seis décadas. Confesso que, conhecendo sua história, sua luta, suas vitórias e derrotas, deu vontade de conhece-la de perto.

Não se sabe ao certo o dia em que Eartha Kitt nasceu. O  The guardian, informa que há informações que pode ter sido em 26 de janeiro de 1927, mas segundo o IMDB  ela nasceu em 17 de janeiro. O certo é que Eartha passou boa parte de sua vida buscando respostas sobre suas origens.

Há relatos de que ela foi fruto de um estupro. Mas por seu pai ser branco e sua mãe negra, ela não conseguiu descobrir quem fora esse homem. E a burocracia fez com que o nome dele fosse protegido por toda vida. E quando finalmente, aos 71 anos, ela teve acesso ao registro oficial, o nome dele havia sido apagado. Sua filha relatou que ela chorou durante algum tempo. Era sua última esperança.

Eartha Kitt

Nascida na Carolina do Sul, ela foi abandonada pela mãe que foi viver com outro homem e criada por uma tia, Marnie. A infância, portanto, não foi fácil, mas não fez com que ela se desistisse de seus objeivos. Eartha foi à luta e se tornou boa em todas as áreas em que atuou: a dança, o canto e a interpretação.

O início de tudo foi no finalzinho da década de 40, quando ela começou a se apresentar em Nova York na na Katherine Dunham Company. Lá se aprimorou e chegou a se apresentar na Europa.

Eartha tinha uma personalidade atraente e amiga. Eu fico pensando aqui que isso explica ela ter se aproximado intimamente de personalidades tão complicadas quanto geniais como Orson Welles, James Dean e Marlon Brando. Três artistas conhecidos por dificuldades nas relações. Não há confirmação de romance (mas eu jamais descartaria alguma ficadinha básica, né?), mas eles sempre declararam serem fascinados por ela.

Orson Welles a chamou de “a mulher mais excitante do mundo”. Segundo sua filha, o ator se sentia tão atraído por ela que chegou a mordê-la durante uma apresentação de Fausto. Eartha interpretava Helena de Troia. Mas a cantora e atriz nega um romance. Segundo esta matéria, ela afirmou em sua autobiografia que eles tiveram um caso, mas não sexual. E que “os homens mais excitantes foram os que nunca a levaram para a cama”.

Nesses anos em que escrevo sobre atores clássicos, há uma personalidade que jamais conseguirei entender: James Dean. Após ler livros, ver documentários, assistir seus filmes, jamais o entendi. Mas adoraria conhecê-lo. Alguém disse (me perdoem a ausência de fonte, pois estou fazendo esse texto de cabeça) que ele sempre teve despertava o dom de fazer as pessoas, principalmente as mulheres de cuidarem dele.

E foi assim também o relacionamento dela com ele. Dean foi um de seus amigos mais queridos, e talvez ela o tenha ajudado em suas loucuras. Segundo a filha de Kitt, Shapiro, ela jamais superou a morte precoce dele. Seu “romance” com Marlon Brando também passaria de apenas mais um boato.

Certo mesmo foi seu romance com Charles Revson (criador da Revlon) e John William McDonald, com quem se casou em 6 de junho de 1960 e se separou em 1965. O casal teve uma filha, Kitt McDonald, que forneceu algumas informações que pegamos em suas entrevistas. Quebrando paradigmas, ela também foi a primeira mulher negra a fazer sucesso na tv  quando se transformou na Catwoman na série Batman. Isso significou muito para o movimento negro.

Eartha com a filha

A década de 60 lhe traria problemas quando ela assumiu ser contra a Guerra do Vietnã. Declarações como esta caíam como bomba para qualquer um. Essas declarações fizeram com que ela entrasse em uma lista negra, e que fosse taxada de ninfomaníaca graças a falsos dossiês sobre o assunto.

Seu ativismo foi algo marcante e importante do ponto de vista da luta social. Neste momento, o melhor a fazer era partir para a Europa e continuar uma carreira lá. Foi o que ela fez. Eartha falava fluentemente 4 línguas, graças às suas gravações e apresentações em diversos países e chegou a cantar em 9 línguas diferentes.

Ela fez inúmeras apresentações na televisão, sendo indicada ao Emmy durante as próximas décadas. Ela trabalharia até bem pouco antes de sua morte. Kitt faleceu em 25 de dezembro de 2008 de câncer de cólon, no dia de natal. Tinha 81 anos. Mas nos deixou presentes que podemos sempre ouvir, como esse aqui:

 

Fontes: The GuardianIMDB, Fox NewsNytimesBroadly, whosdatedwho, lipstickalley

 

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