Jane Froman, a cantora que sobreviveu a um acidente aéreo e deu a volta por cima

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Jane Froman não é um nome muito conhecido hoje em dia, mas não havia uma só pessoa que não conhecesse seu nome durante as décadas de 40 e 50. Tanto que após sofrer uma grande tragédia, ela se tornou tema de um filme protagonizado por Susan Hayward. Conheça sua história de superação.

Nascida em 10 de novembro de 1907 no Missouri, Ellen Jane Froman passou a primeira infância em Clinton. Alguns traumas na infância fizeram com que ela desenvolvesse a gagueira que a acompanharia por toda a vida. O primeiro foi o desaparecimento de seu pai quando ela tinha apenas 5 anos. Pouco se sabe sobre isso, já que ele só veio a falecer algum tempo depois, em 1936, e já em Los Angeles.

Sua mãe refez sua vida e casou-se com outro homem. A família partiu para Columbia, onde permaneceram durante um bom tempo. Sua mãe, Anna, era professora de canto e não é de se estranhar que a garota se interessasse por isso desde muito jovem. Mesmo assim resolveu fazer faculdade de Jornalismo em Missouri. Durante o curso, chamava mais atenção pela bela voz nas aulas de canto do que por qualquer outra matéria.

Foi aí que ela e sua mãe decidiram que era o momento de investir numa carreira musical. Jane partia para estudar no Conservatório de Música aos 21 anos.

Dentre seus músicos e compositores favoritos estavam os populares Bing Crosby, Irving Berlin e Cole Porter. Por volta de 1929 ela passou a se apresentar em boates e casas de shows. Tornou-se vocalista de bandas de Paul Whiteman e Lennie Hayton.

Em 1931 ela estreou na NBC, mas só passou a ser aclamada após aparecer no Cincinnati WLW. Os ouvintes amaram aquela voz única e ela recebeu a maior votação entre as cantoras daquele dia. Começava a colecionar fãs por toda parte, a viajar e a mostrar cada vez mais seu trabalho. Em 1937 ganharia um programa de 13 episódios na NBC Red Network. Mudou-se para Nova York e se apresentou no programa de rádio de Bing Crosby. Era tudo o que precisava para se tornar o maior sucesso. Abaixo ela canta I Only Have Eyes for you:

Em 1933 ela foi chamada para fazer uma participação em Kissing Time, um curta dirigido por Roy Mack. Sua carreira cinematográfica foi bem tímida. Na verdade chegou a aparecer em somente três produções. Também chegou a se apresentar ao lado de Fanny Brice, na Ziegfeld Follies. Em 1934 uma pesquisa comprovava que ela era a mais popular cantora do momento.

Mas sua paixão era mesmo a música e Jane dedicava-se mais em desenvolver uma carreira como cantora. Após ser chamada para participar do programa de Bing Crosby, choveram convites diversos para shows, programas e tv. Seu nome passava a se tornar cada vez mais conhecido enquanto viajava por todo o país, colecionando fama e sucesso. Quando chegou a Segunda Guerra mundial, ela era um dos nomes mais conhecidos da música americana. E quando tudo parecia caminhar para um futuro glorioso, veio a tragédia.

O acidente e filme em sua homenagem

Com a eclosão da Segunda Guerra, muitos artistas foram “incentivados” a de uma maneira ou de outra ajudar sua pátria. Bette Davis criou uma cantina onde vários artistas serviam os soldados. Outros se apresentavam em shows. Jane partiu para a Europa para entrete-los. E durante a travessia, enquanto o avião sobrevoava o rio Tejo, caiu, matando 23 dos 38 tripulantes. Pouco tempo antes da tragédia, Jane tinha trocado de lugar com a também cantora Tamara Drasin, morta no acidente.

Nem é preciso dizer o quanto Jane ficou abalada pelo acontecimento e sentindo-se imensamente culpada. Mas esse não era o único de seus problemas. Foi um milagre que ela tenha sobrevivido àquele acidente de 22 de fevereiro de 1943, mas as sequelas ficariam para sempre em seu corpo e sua memória. No primeiro ano, a cantora foi submetida a 13 cirurgias em todo o corpo, sobretudo nos braços e perna. Os médicos temiam que uma de suas pernas fosse amputada. Nos próximos anos ela faria ao todo 39 intervenções que visavam minimizar suas dores.

Em 1945 ela estava parcialmente recuperada e passou a se apresentar de muletas para os soldados. O que muitos não sabem é que essa exaustiva provação só foi possível com a junção de fortes remédios e álcool. O vício foi posteriormente contornado, segundo a própria.

No início da década de 50 Jane passou a apresentar um programa aos sábados na CBS. Mais tarde este passou por uma reformulação e se tornou o “The Jane Froman Show”. Nesse período ela foi consultada sobre um filme em sua homenagem.

Ela supervisionou cada trecho da cinebiografia dirigida por Walter Lang e estrelada por Susan Hayward. O filme intitulado Meu Coração Canta (With a Song in My Heart) trouxe seu disco como o mais vendido daquele ano e rendeu a Hayward o Oscar de Melhor Atriz. Sucesso absoluto.

Um pouco de sua vida pessoal e últimos tempos

Jane casou-se três vezes mais não teve filhos. O primeiro marido foi Donald McKaig (entre 1933 e 1948). O segundo foi John Burn (1948 – 1956), que conheceu durante o processo de recuperação no hospital. O último foi Rowland Hawes Smith, que havia conhecido ainda na faculdade e descobriram vários pontos em comum.  Os dois se casaram em 1962.

Na década de 60 ela decidiu se aposentar, mas manteve um trabalho de caridade ajudando crianças através das Fundações Jane Froman e o Jane Froman Music Camp. Muito esporadicamente fazia alguns shows mas preferia permanecer ajudando nessa etapa de sua vida.

Jane Froman e Susan Hayward

Em 1979, Jane sofreu um acidente automobilístico que iria afetar profundamente seu estado físico. Ela jamais se recuperaria totalmente. 22 de abril de 1980, aos 73 anos, ela sofreu uma parada cardíaca em sua casa e veio a óbito.

O Estado do Missouri a reconheceu como uma de suas personalidades mais importantes de todos os tempos. 25 de julho se tornou o dia de Jane Froman. O centenário de seu nascimento foi comemorado com muita festa, em 10 de novembro de 2007. Suas três estrelas permanecem vivas na calçada da fama.

Fontes: Missourilegends,  Jane Froman OficialAmerican National Biography: Supplement 2, imdblatimeshistoricmissourians

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